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SAÍDA TEMPORÁRIA
100 presos ligados ao PCC deixam os presídios
Facção também está usando simpatizantes ou “contratando” beneficiados para cometerem crimes
Cristiani Azanha - Região
 Presos deixaram os presídios para o Dia dos Pais e devem retornar na próxima segunda-feira |
Pelo menos 12 mil presos em todo Estado foram beneficiados com a saída temporária do Dia dos Pais. A estimativa é que desse total pelo menos 100 fazem parte do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa a quem é atribuída a responsabilidade pelas ondas de ataque no Estado. Entre os estabelecimentos prisionais da região central do Estado, que incluem os da Região, 2,2 mil detentos deixaram ontem as unidades com a previsão de retornarem segunda-feira. Lideranças sindicais e policiais da Região argumentam que não é possível saber ao certo quantos detentos da Região estão ligados à facção. O TodoDia apurou que na penitenciária de Hortolândia os criminosos estão usando os simpatizantes da facção ou “contratando” presos beneficiados para cometerem os atentados ou outros crimes a mando do PCC.
Ainda de acordo com a apuração, mesmo para prestarem serviços à facção, o “candidato” não pode estar relacionado a crimes sexuais, ou contra pai e mãe. “Geralmente os presos que entram nas unidades por crimes contra carros-fortes ou a banco já estão com ‘moral’ entre os integrantes da facção. Por outro lado, detentos de cidades distantes são recebidos por eles com materiais de higiene e outras regalias, que serão cobrados posteriormente. Sem contar que também utilizam viciados em drogas”, comentou ele.
Nas primeiras horas da manhã, o TodoDia acompanhou a espera dos familiares, que se aglomeraram em frente ao Complexo Campinas/Hortolândia. Os primeiros presos começaram a sair por volta das 8h30. Mesmo garantindo que a situação era tranqüila no interior da unidade, alguns deles saíam tapando o rosto e se negaram a se pronunciar.
Quanto à possível proibição da saída temporária devido aos recentes ataques, a reação foi de indignação, principalmente para quem está sendo beneficiado com a sexta saída. Condenado há 28 anos por roubo, dos quais 14 deles já foram cumpridos, o detento Marcos Couto dos Santos, 35, disse que nem todos os detentos devem ser punidos por ações cometidas pelos demais. “Nós somos um exemplo de que podemos ser ressocializados. A culpa por esses fatos são dos governantes que não investem em infra-estrutura e repetem a dose em corrupção. Se nós erramos, estamos pagando pelo crime. Todo mundo que sai e retorna tem um objetivo”, comentou ele.
O detento Gilberto Santos, 45, disse que a saída temporária é um benefício garantido por lei e, portanto, não pode ser desrespeitado. “Trabalho na Prefeitura de Campinas e pretendo continuar assim até o final da minha pena”, acrescentou ele, que também foi condenado por roubo.
O preso João Batista, 40, tem longos anos pela frente. Ele foi condenado a 28 anos por roubo. Como a família é de Osasco, ele pretende passear com os filhos e pretende visitar os parentes que não vê há bastante tempo. “O clima na unidade é tranqüilo e aqueles que são beneficiados não querem perder o direito”, argumentou. “Matar a saudade da minha família, essa vai ser minha principal prioridade durante os dias que terei em liberdade”, promete o preso Gilmar Pereira da Silva, 55, que está respondendo a quatro anos por roubo.
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 Gilberto diz que lei garante direito |
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 Batista quer passear com os filhos |
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 Silva quer matar as saudades |
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 Marcos Santos culpa a corrupção |
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Ordem passada e fala-se em motim
CA
Mesmo com alguns presos se candidatando para fazer parte do PCC, ou executarem serviços a mando da facção, detentos são obrigados a cumprirem as exigências da fação. Uma dona de casa de 43 anos, que pediu que a identidade fosse preservada, disse que o marido está cumprindo pena há oito anos, depois de se envolver num homicídio. Segundo ela, no interior do presídio, os presos não escolhem os serviços que devem executar do lado de fora.
“No início, meu marido se negava a cumprir as ordens e um dia entraram na minha casa e levaram meus documentos. Depois disso, meu marido às vezes se mostra traiçoeiro e não conta mais nada o que acontece dentro das celas. Em alguns casos, eles mandam que parentes de outros detentos tenham relacionamento com eles”, comentou.
Ela disse que, mesmo com medo, sempre visita o marido. Tanto é que a esposa deixou sua residência na cidade de origem e alugou outra casa, em Hortolândia. “Para os detentos que vão ficar, o clima será ainda mais tenso por causa da rebelião que deve acontecer no final de semana”, completou ela.
“Nessas horas de incerteza e tensão, o coração fica ainda mais apertado. Tenho medo que aconteça outra rebelião e não terei sossego enquanto não ver meu filho”, comentou a dona de casa N., 48, que aguardava a saída do filho que foi preso por assalto e que está na unidade há um ano e seis meses. “Meu filho não teve culpa. Ele acompanhou um amigo que estava no carro roubado”, desabafou ela.
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Câmara muda o horário das sessões
Marcelo Bressan
Temendo ser alvo de ataques promovidos pelo PCC, que desencadeou uma nova onda de violência no Estado, a Câmara de Hortolândia vai realizar as sessões em novo horário. A partir da próxima terça-feira, os vereadores irão se reunir a partir das 9h e não mais às 19h. De acordo com a assessoria de imprensa do Legislativo, as sessões serão realizadas pela manhã por tempo indeterminado.
A mudança foi proposta pelo vereador Lenivaldo Pauliuki (PSDB) durante a última sessão, na terça-feira, quando prédios do poder público passaram a ser alvos dos criminosos, como aconteceu com a Câmara de Sumaré, incendiada por uma bomba um dia após os ataques serem retomados em todo o Estado. Ao propor a mudança, Pauliuki pretende garantir maior segurança durante as sessões.
proposta
O novo horário, proposto oralmente pelo parlamentar, foi deliberado pelo presidente da Câmara, José Geraldo da Silva, o Zé Geraldo (PSol), e acatado pelos demais vereadores, De acordo com o Legislativo, o horário habitual da sessões - às 19h - deve ser retomado assim que a situação de insegurança na Região e em todo o Estado for controlada.
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Ônibus intermunicipais são recolhidos às 22h
Paula Vialto e Jorge Palma
Várias pessoas ficaram sem transporte para voltar para casa anteontem à noite. A Viação Ouro Verde decidiu recolher todos os ônibus circulares que fazem o trajeto Americana-Nova Odessa após às 22h. Quem precisou utilizar o transporte neste horário sofreu com a mudança repentina e teve que encontrar outro jeito de voltar para casa.
A empresa informou que os veículos foram todos recolhidos, a partir das 22h de anteontem, devido à onda de ataques atribuídos ao PCC (Primeiro Comando da Capital) na região. A Ouro Verde também informou que decidiu recolher os veículos após o ataque a um ônibus da Prefeitura de Sumaré que atende grupos de terceira idade. O ônibus foi incendiado na Avenida Minasa, no bairro Matão.
A EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes de São Paulo S.A.), através de sua assessoria de imprensa, informou que não foi comunicada da suspensão do transporte da Viação Ouro Verde nesta linha. A assessoria ainda ressaltou que o caso será investigado e que a empresa pode ser penalizada por não cumprir os horários de partida dos veículos como determina a ordem de serviço metropolitano.
A Ouro Verde informou que o transporte ontem funcionou normalmente e que mesmo que novos ataques acontecessem na região o serviço não seria suspenso novamente.
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Lula insiste em oferecer o Exército
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne hoje, às 11h30, na Base Aérea de São Paulo, com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, quando pretende insistir com a oferta de utilização das tropas federais para auxílio no combate às ações do PCC. A polêmica em torno do emprego do Exército nas ruas de São Paulo está sendo considerada um jogo de cena já que o próprio Planalto sabe que Lembo não aceitará o oferecimento, de forma alguma, pelas conseqüências políticas deste ato.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, deverá estar presente ao encontro. Está previsto que, depois da reunião, Lula e Lembo sigam juntos da Base Aérea para Barueri, onde visitarão unidades militares que desenvolvem o projeto soldado cidadão.
Além de o governo de São Paulo não querer que o Exército entre no Estado, o Exército também teme por este tipo de operação. Além de ressaltarem a preocupação do uso político da força nesta briga eleitoral, autoridades militares lembraram que a inteligência estadual e não a federal tem conhecimento completo da real situação de São Paulo. Por isso mesmo, classificam como ‘‘uma aventura’’ uma convocação de tropas federais para combater bandidos.
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Terceiro veículo foi queimado em Sumaré
CA
 Três ônibus foram queimados na nova onda de ataques |
Mais um ônibus foi incendiado durante anteontem na Região. Desta vez, o caso ocorreu por volta das 21h, enquanto o veículo estava estacionado no ponto final do Jardim Paraíso, em Sumaré. No momento do incêndio, o motorista J.C.N., 47, da Auto Viação Ouro Verde, estava encostado no ônibus e saiu rapidamente assim que percebeu a ação. Segundo ele, três jovens com uma bicicleta jogaram um líquido inflamável, provavelmente gasolina, e em seguida atearam fogo. Foi o segundo caso registrado em Sumaré em dois dias, e o terceiro na Região. O motorista acrescentou que os rapazes aparentavam ter cerca de 20 anos.
O delegado plantonista João Batista Soares registrou o boletim de ocorrência e determinou que peritos do IC (Instituto de Criminalística) de Americana fizessem exames específicos para apurarem as circunstâncias do incêndio. Em seguida, o ônibus foi liberado para a empresa.
OUTROS CASOS
Quarta-feira, o ônibus da Prefeitura de Sumaré que atende os grupos da terceira idade foi incendiado num terreno destinado a estacionamento de veículos oficiais, na região do Matão. O crime foi atribuído a onda de violência promovida pelo PCC que vêm atingindo a Região desde maio deste ano.
Na noite anterior, um ônibus da Auto Viação Boa Vista, com itinerário Jardim Amanda/Campinas, foi totalmente incendiado, no Jardim Amanda, em Hortolândia. Dez passageiros que estavam no interior do veículo foram obrigados a descer e tiveram que se esconder em um matagal até a chegada da Polícia Militar.
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