Sexta-feira, 11 de Agosto de 2006
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OUTRA AMEAÇA


Polícia britânica evita ataque terrorista

Atentados seriam praticados em aviões e poderiam ter causado assassinato em massa


João Caminoto/AE - Londres (ING)

Gerry Penny/EFE
Passageiros se aglomeram no Aeroporto de Gatwick, em Londres
Os britânicos despertaram ontem diante de uma nova ameaça terrorista muito mais ambiciosa do que os ataques de 7 de julho do ano passado contra o sistema de transportes de Londres e comparável aos ataques de 11 de setembro de 2001. Desta vez, no entanto, a ação conjunta de forças de segurança do Reino Unido e dos Estados Unidos parece ter sido capaz de frustrar o seqüestro e a explosão de até dez aviões que, segundo a Scotland Yard, ‘‘poderiam ter causado um assassinato em massa numa escala inimaginável’’.

A tensão tomou conta do país logo de manhã. Às 6h30, após chefiar uma reunião de emergência do gabinete britânico, o secretário do Interior, John Reid, anunciou a descoberta de um plano para a explosão de aviões que decolariam do país com destino aos Estados Unidos. Antes, às 2h, o Centro de Análises de Terrorismo do Reino Unido já havia elevado seu alerta de ‘‘severo’’ para ‘‘crítico’’ pela primeira vez. Isso significava, segundo o governo, que ‘‘um ataque iminente é esperado’’. Simultaneamente, foi iniciada uma megaoperação policial, que resultou na prisão de 24 suspeitos em Londres e em outras cidades da Inglaterra. Até o final da noite de ontem, a caçada empreendida pela forças de segurança continua em vigor. Mas fontes policiais revelaram cinco suspeitos de terem ligação com o grupo preso ainda não tinham sido localizados ontem a noite.

REFRIGERANTES

A polícia britânica não forneceu maiores detalhes sobre os objetivos da ação terrorista. Mas segundo emissoras de televisão britânicas e norte-americanas, eles pretendiam embarcar em aviões de pelo menos três companhias aéreas, todas norte-americanas -United, American Airlines e Continental-, levando em suas bagagens de mão explosivos líquidos escondidos em garrafas de refrigerantes. Segundo a emissora Sky News, o objetivo era explodir os aviões sobre cinco cidades dos Estados Unidos, entre elas Nova York, Washington e Los Angeles. As 24 pessoas detidas ontem já vinham sendo vigiadas há meses pela polícia britânica, com o auxílio dos Estados Unidos e outros países. Entre elas, havia um funcionário do aeroporto de Heathrow, que trajava seu uniforme de trabalho ao ser preso.

A decisão de realizar a ação antiterrorista foi repentina e estimulada por um aviso de Washington, que alertava que os suspeitos tinham desconfiado estarem sendo monitorados e haviam decidido antecipar os ataques para os próximos dois dias. O primeiro-ministro britânico Tony Blair, em férias no Caribe, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, discutiram sobre o assunto no domingo e na noite de quarta-feira. A polícia evitou revelar detalhes sobre a nacionalidade dos presos, mas segundo o jornal The Guardian, os líderes do grupo são cidadãos britânicos, de classe média e com grau universitário, e alguns têm ligação com o Paquistão. Uma ligação dos suspeitos com o Al-Qaeda obviamente é cogitada pela polícia, mas por enquanto, apenas nos bastidores


Infraero e Anac preocupados
AE

Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária) intensificaram ontem o patrulhamento nos aeroportos e as inspeções em bagagens e de passageiros de vôos internacionais, tanto nas áreas públicas quanto nas restritas. A medida, segundo a assessoria da Infraero, faz parte de um procedimento automático em casos de alertas internacionais. A British Airways divulgou na tarde de ontem um comunicado, recomendando aos passageiros que não tinham necessidade de viajar ontem que evitassem ir aos aeroportos. Aos clientes que precisavam viajar a empresa recomendava que acessassem o site www.ba.com, que traz informações atualizadas sobre os vôos e dicas de segurança. Os vôos de longa distância, como São Paulo/Londres foram mantidos, mas a empresa advertiu sobre atrasos.


Caos em aeroportos britânicos
AE

Os aeroportos britânicos viveram pela manhã algumas cenas de caos, mas não de pânico. Trata-se do pico do verão europeu, uma das épocas mais movimentadas do ano. Todos os vôos com destino a Heathrow que ainda não haviam partido de suas origens foram suspensos. Vários vôos que partiam do Reino Unido foram cancelados. Segundo a consultoria especializada em transportes internacionais OAG, cerca de 400 mil pessoas foram afetadas pela interrupção dos vôos. Mais de 650 vôos estavam programados para decolar de Heathrow, entre os quais 76 seguiriam aos Estados Unidos.

A tarde os vôos foram retomados. Mas as autoridades alertavam que a situação não deverá ser normalizada pelo menos até amanhã. Folhetos distribuídos nos portões de entrada de Heathrow informavam que os passageiros que conseguissem embarcar não poderiam portar bagagem de mão e nenhuma substância líquida. Passaportes e objetos considerados essenciais, como óculos, medicamentos e fraldas de bebê podiam ser levadas a bordo, mas desde que colocados em sacos plásticos transparentes.


GUERRA


Russos pedem cessar-fogo de 72 horas

Agência Estado

A Rússia apresentou ontem aos membros do Conselho de Segurança da ONU o esboço de uma resolução pedindo um cessar-fogo de 72 horas entre Israel e o Hezbollah para permitir a ajuda humanitária no Líbano. O embaixador russo, Vitaly Churkin, declarou que a situação no Líbano é urgente demais para aguardar as negociações em andamento no Conselho sobre a resolução franco-americana para o fim do conflito. Churkin disse que tem o apoio do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e espera levar sua proposta à votação hoje.

Depois de semanas de impasse, anteontem à tarde os países envolvidos nas negociações para o fim da guerra no Líbano e Israel pareciam ter chegado a um entendimento sobre o texto da resolução que seria discutida hoje no Conselho. Mas à noite ainda não havia uma definição. Segundo a edição online do diário israelense Haaretz, o acordo quase acertado prevê a retirada gradual dos mais de dez mil soldados israelenses do sul do Líbano, à medida que forem chegando as tropas do Exército libanês, reforçadas pela força de observação da ONU na região, a Unifil, que tem hoje dois mil soldados.

HEZBOLLAH

Um dos mais de 150 foguetes lançados ontem pelo Hezbollah contra Israel matou uma mulher e seu filho de cinco anos na vila árabe de Deri al-Assad, no norte. Onze pessoas ficaram feridas. Outros foguetes atingiram Safed, Kiryat Shmona, Carmiel e Nahariya. Desde o começo da guerra o Hezbollah disparou mais de 3,5 mil foguetes contra Israel, matando 38 civis, dos quais 17 eram árabes, que perfazem cerca de 35% dos 2 milhões de habitantes do norte do país.


curtas
FIDEL

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse ontem que o líder cubano Fidel Castro ‘‘está travando uma grande batalha por sua vida’’. Nas outras vezes em que Chávez se referiu à doença de Fidel, ele destacava sempre que seu aliado cubano estava se recuperando da cirurgia a que se submeteu para estancar uma hemorragia intestinal.

IRAQUE

Um militante suicida detonou um cinturão explosivo atado a seu corpo perto de um dos santuários xiitas mais sagrados do Iraque ontem, provocando a morte de pelo menos 35 pessoas e ferindo 122, informou o Exército iraquiano. O militante suicidou-se no momento em que era perseguido por policiais.

SRI LANKA

As forças do governo do Sri Lanka atacaram rebeldes do Exército de LTTE (Libertação dos Tigres do Tamil Eelam) por terra e ar ontem e os insurgentes responderam em violentos confrontos que resultaram na morte de pelo menos 13 pessoas, informaram autoridades locais. Seevarathnam Puleedevan, um importante líder rebelde, afirmou que pelo menos 50 civis morreram e 200 ficaram feridos nas ações do governo.

DROGAS

A polícia paraguaia apreendeu 15 toneladas de maconha recém-colhida em um assentamento camponês do departamento de San Pedro, no centro do país. O carregamento de droga, distribuído em 1.140 sacas, foi confiscado na quarta-feira em várias casas do assentamento ‘‘Paraguay Pyahú’’ (Novo Paraguai, em guarani).



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