O despreparo das autoridades políticas, aliado aos interesses meramente eleitoreiros e partidários, faz com que o dinheiro público escorra pelos ralos da União. A mais recente “cabeçada” foi a megaoperação da PRF (Polícia Rodoviária Federal) no Estado de São Paulo.
Pouco depois do governo estadual ter feito duras críticas à falta de apoio do governo federal no combate à criminalidade em São Paulo, a PRF montou a operação batizada de “Aliança”, com cerca de 500 policiais e 100 viaturas, empregando ainda, mais seis helicópteros.
Foram bloqueadas estradas federais na capital paulista e nas divisas com os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul. Levando-se em consideração que essa foi a maior operação da PRF em um único Estado, a operação pode ser considerada um fiasco.
Ações como esta prestam-se muito bem ao gasto do dinheiro público. É claro que, com um pouco de sorte, teríamos interceptado um carregamento de armas e munições que abasteceriam os criminosos em sua cruzada contra a sociedade no Estado de São Paulo. No entanto, como autoridades, eles deveriam contar menos com a sorte e investir mais no fator técnico.
O maior erro nessa operação evidenciou-se quando um oficial entrevistado por uma rede nacional de televisão foi perguntado se a ação da PRF estava sendo em conjunto com a Polícia Rodoviária Estadual. A resposta, até meio que irônica do policial, foi um seco e sonoro “não”.
Não gostaria de desmerecer a ação ou a competência da Polícia Rodoviária Federal, mas sim a atitude dos políticos em geral que buscam, a cada momento, agir única e exclusivamente em favor de seu prestígio próprio, e essa ação representou exatamente isso. Medidas de combate ao crime em todo o País devem ser tomadas imediatamente, sem maiores delongas, com ações conjuntas entre as polícias estaduais e federais. Não tem o menor sentido essas ações isoladas em ambos os lados, a não ser, como mencionado anteriormente, gastar o dinheiro público.
Enquanto assistimos a toda essa pirotecnia e ao “show” particular dos candidatos em seu “árduo” combate à criminalidade, nos mantemos presos em nossas casas, atrás das grades, fiéis pagadores dos impostos que deveriam retornar a nós sob a forma de infra-estrutura, educação, segurança, saúde, que serve, na verdade, para pagar as pizzas neste País. Até quando vamos tolerar isso?
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