A leitura é o primeiro conteúdo programático desenvolvido nas aulas de filosofia. Das inúmeras disciplinas que compõem a filosofia, duas, em especial, trabalham a leitura: Metodologia do Trabalho Científico e Leitura e Produção de Textos; esta se associa ao curso de letras; aquela, à filosofia. A metodologia fornece elementos para superar as dificuldades referentes à análise, à interpretação e resumo de textos, oriundas do ato de ler equivocadamente.
Há várias pesquisas que apontam o Brasil como uma nação de “não-leitores”, ou de “leitores inaptos”. Algumas, internacionais, são taxativas: qualificam-nos como “iletrados”. Dados do Ministério da Educação, tangentes ao Ciclo 1, informam que menos de 5% das crianças das quintas séries são capazes de ler um texto. Algumas fontes jornalísticas (Folha da Tarde, da capital paulista) dizem que menos de 25% dos ultimo anistas das graduações lêem, compreendem e interpretam qualquer tipo de texto. O próprio Ministério da Educação confessa que será um imenso desafio ampliar o índice de leitura de livros no Brasil de “1,7” para “2,8” livros por habitante. Há diversas razões para se justificar o desapreço pela leitura no Brasil. Exporemos uma delas.
Muitos educadores dizem que oposto ao marasmo da leitura, a opacidade das letras e a complexidade das palavras há, por outro lado, o encanto das imagens, dos sons e efeitos que falam por si mesmos, sem nenhuma interferência subjetiva ou interpretativa. Aí reside o paradoxo: enquanto as imagens e os sons nos convergem para uma única realidade que está posta ali e que não poderá ser alterada, as “estéreis” palavras nos direcionam a um universo que ainda podemos criar, viajar, pensar, ir além; de um lado, somos meros espectadores, do outro, tornamo-nos atores-construtores de mundos, de sonhos, de fantasias, reinventores do real, do virtual.
Ler, no entanto, supõe tempo, concentração e predisposição para imaginar. Para quem não está habituado a ler e a entender um parágrafo, leia-se uma frase e busque compreender a ligação entre quem fala (o sujeito) e o que dele se fala (o predicado). Jamais avance se algo não estiver perfeitamente claro na leitura. O tempo todo pergunte: o que o parágrafo diz?, qual a relação deste parágrafo com o assunto do texto?.
Realizada a leitura de todos os parágrafos, indague sobre o que o texto quis transmitir; esta resposta nos remeterá à idéia-núcleo do texto, a tese. Enfim, ler é um desafio tal qual caminhar e nós conseguimos. Boa leitura e que você tenha uma compreensão prazerosa do texto.
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