Domingo, 30 de Julho de 2006
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MAL

Abuso de álcool


MOACIR COSTA

O álcool é uma droga socialmente aceita, que pode ser encontrada ou consumida em qualquer esquina. Seu uso é muitas vezes justificado como meio de atenuar as frustrações e valorizar as conquistas. É um vício, porém, que causa enormes prejuízos à saúde e à economia do País, porque, além das implicações exclusivamente psicológicas, provoca mortes por doenças hepáticas e acidentes de trânsito e de trabalho.

A dependência ocorre às vezes de forma silenciosa, sem que a própria pessoa se dê conta. O uso constante e com gradativo aumento da dosagem, muitas vezes sequer registrado pela vítima, é o caminho certo para a dependência física e psicológica. Muitos bebedores crônicos não se consideram dependentes, porque conseguem manter a fachada de competência profissional - para citar um exemplo. Até mesmo mantém cargos de destaque em empresas.

São criaturas que na saída do trabalho costumam passar algumas horas tomando aperitivos, a pretexto de relaxar ou se divertir com os amigos. Há gente que mantém um minibar no escritório para oferecer algo a clientes. Na verdade, é para si que fazem o estoque, de maneira a não correr o risco de abstinência.

O resultado dessa conduta, que nunca dispensa o happy hour, é que a criatura volta para casa sempre tarde e sem condições de ter um bate-papo agradável com a família. Deixa de ser um parceiro medianamente satisfatório; abre mão da convivência saudável com os filhos. Ao contrário, chega em estado de semi sonolência, não raro com alto nível de irritação e chatice escancarada.

Quando se trata de um homem, o precário envolvimento afetivo com a mulher, característico desse tipo de conduta, contribui para uma redução drástica do desejo sexual. Às vezes as tentativas de relação acabam em fracasso, principalmente quando ele já passou dos 40 anos. Embora durante muito tempo houvesse mais alcoólicos masculinos, com a entrada da mulher no mercado de trabalho e aumento de suas responsabilidades, ela também demonstra um grau crescente de comprometimento do seu prazer sexual devido o abuso de bebidas alcoólicas.

O comportamento dos bebedores dependentes costuma revelar, a observadores atentos, sinais de tristeza ou mesmo depressão. A bebida é usada para torná-los artificialmente mais corajosos ou tranqüilos, mas o resultado é que não conseguem enfrentar seus problemas. Analise suas atitudes corajosamente. Perceba se está usando o álcool de forma constante. Daí para o consumo abusivo é apenas uma questão de tempo, porque o hábito está formado. Trate de parar enquanto é tempo de evitar que isso tenha reflexos em sua vida amorosa, em sua família.

Se perceber que está, de fato, exagerando, além de abrir o diálogo a respeito, em casa, procure ajuda médica e psicológica. Saiba que há tratamentos bastante eficazes para ajudar a superar o problema e retomar uma vida sexual gratificante. Acredite: nada como estar de “cara limpa”, bem articulado, para aproveitar ao máximo os grandes e reais prazeres da vida.

Moacir Costa é médico psicoterapeuta e autor do livro “Sem Drama na Kama” -Editora Prestígio/Ediouro


QUALIDADE DE VIDA

A importância da criatividade


MARIA INÊS FELIPPE

São poucas idéias que nascem perfeitas, sempre é preciso adequá-las, assim como em criatividade não existem erros e sim ensaios”.

Criatividade e qualidade de vida. Temas são interessantes no contexto atual, em cada vez mais temos que ser criativos para termos uma razoável qualidade de vida.

Quando digo qualidade de vida não estou somente referindo-me a alimentação e prática de esportes, ou seja, a saúde física, mas também a saúde mental. Cada vez mais temos que ser criativos no mundo de transformação, devemos buscar novas formas de aumentar nossa renda, garantir e conquistar a empregabilidade, tentar solucionar de problemas do dia-a-dia, criar e desenvolver novos produtos, apostar em formas diferentes de atender clientes.

A criatividade possibilita contribuir socialmente neste mundo de transformações, criando novos produtos, serviços, gerando empregos. As empresas devem buscar não somente e sobrevivência, mas também sua expansão. Sendo, assim, a criatividade é fundamental e para tal o ambiente de trabalho e a liderança deverá ser favorável para a criação.

A gente sonha em acordar devagarinho, espreguiçar com cautela, curtindo os movimentos, tomar um banho e sentir a água correndo pelo corpo, colocar a roupa que gosta, sentir-se bem, ler o jornal, tomar um café gostoso, pegar o ônibus que chegou logo, ir sentado, apreciar o trajeto, pensar na vida, ver as pessoas.

Ambiente excessivamente rígido, os funcionários não se sentirão animados a defender novas idéias. Obviamente que nem sempre temos um ambiente propício para a criatividade, mas nos programas de treinamento temos identificado uma certa abertura por parte das pessoas para propiciar este ambiente mais favorável.

Geralmente tratamos da criatividade pessoal, pois acreditamos que a maior barreira que as pessoas possuem em relação ao tema faz parte da sua forma de pensar, de seus modelos mentais e que muitas vezes nós mesmos bloqueamos a nossa própria criatividade. Algum, considerando-se pouco ou nada criativos, e percebemos que a iniciativa e a criação depende exclusivamente de uma predisposição puramente pessoal.

Nos programas sempre questiono: quanto tempo faz que você não muda os quadros da paredes da sua casa? Não digo comprar, mas colocar em outro lugar ou outra posição? E sua cama no seu quarto? E sua forma de dormir? O percurso para o trabalho? São questões que fazem refletir e que o ato de criar depende exclusivamente da pessoa e não necessariamente de fatores externos.

A criatividade possibilita viver melhor, perceber os acontecimentos de forma diferente, buscar soluções para seus problemas, tanto de ordem pessoal como profissional.

Convidamos as pessoas a destruírem mentalmente os procedimentos do dia-a-dia, nosso roteiro, nossa forma de fazer as coisas, de viver e estimulando a buscarem novas respostas, sempre no plural.

Temos sempre que pensar em fazer de maneira diferente, melhorar seus negócios, agregando valor a organização. Estamos na era do robotismo, dos descartáveis, uniformização na era do ter e não ser e isso não vejo como tão favorável para o ser humano.

Por isso é muito importante treinar a criatividade. Ela é um comportamento totalmente aprendido; todos são criativos, só que por questões educacionais, familiares e empresariais as pessoas deixam de ser. Assim como fazemos academia de ginástica, exercitando o corpo, temos que estimular o cérebro identificando problemas, erros; e consequentemente criando soluções.

Praticar o uso da criatividade eleva a produção, abaixa custos e aumenta a satisfação do cliente e auto-estima do trabalhador. Mas para isso temos que pensar em programas orientados a resultados e não somente à geração de idéias. É importante trabalhar, além da geração de idéias, classificação, mensuração, a decisão na implantação, avaliação e reformulação.

Quando a empresa investe em programas de treinamentos, o retorno é garantido, desde que sejam bem elaborados. Quando isso acontece, as pessoas evoluem e consequentemente a empresa melhora se souber aproveitar. Para isso não devemos desconsiderar a importância dos processos de liderança como agente facilitadores do processo criativo.

Participei de um trabalho numa empresa, onde o negócio principal é lançamento de produtos, campanha publicitária, etc. Era incrível. Durante as reuniões os participantes apresentavam várias idéias inovadoras, fantásticas, mas, na hora de implantá-las, sempre acabavam repetindo a receita, campanha anterior.

Cabe ressaltar que são poucas as idéias que nascem perfeitas, sempre é preciso adequar, assim como em criatividade não existe erros e sim ensaios.

Cada vez mais os dois temas “Qualidade de Vida” e “Criatividade” estão entrelaçados e não consigo identificar quem nasceu primeiro, como o ovo e a galinha.

Recentemente participei de um programa “Qualidade de Vida” realizado na empresa Festo de Automação, em que desenvolvi um módulo no Programa “Criatividade e Qualidade de Vida”. A empresa resolveu investir nesse programa porque acredita que melhorando a qualidade de vida dos colaboradores, também melhoram o desenvolvimento das atividades e o relacionamentos interpessoais.

Através de atividades de controle mental, criatividade pessoal e aulas de artesanato, a Festo vem inovando, proporcionando ao funcionário aprender tecnicamente sobre criatividade, correlacionando com o seu dia-a-dia tanto na vida pessoal como organizacional.

Nos processo de criação todos são importantes e nos treinamentos é importante trabalharmos com os personagens da criação, respeitando e desenvolvendo suas diferenças individuais.

O que o trabalho diferenciou-se no mercado?

1- Quando falamos de Qualidade de Vida, na sua grande maioria, as empresas preocupam-se com a saúde física do trabalhador, promovendo ginástica laboral, controle alimentar, etc. Percebo que a Festo inovou trazendo atividades voltadas à saúde mental do trabalhador e não somente a física. Durante o programa de criatividade associada ao artesanato, teatro, as pessoas foram descobrindo-se como pessoa, seus potenciais, e acima de tudo capazes de criar, transformar, reciclar, desenvolver, etc.

2- Outro aspecto é a ousadia dos profissionais de RH em implantar um trabalho desta categoria numa empresa de cultura alemã.

Como o mercado está reagindo em relação ao tema?

Os dirigentes das empresas estão chegando a conclusão de que seus funcionários merecem viver melhor. Prova disso é o investimento em iniciativa, como temos observado, para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores e seus familiares, assim como a procura de programas de treinamentos.

Estudos apontam que investir em funcionários possibilitam resultados extremamente positivo no desempenho das atividades profissionais e consequentemente no progresso da empresa.

Oferecer informações quanto a alimentação correta, a prática de esportes, ginásticas, campanha anti-tabagismo, drogas, stress, criatividade pessoal, programas destes tipos são responsáveis pela diminuição do tur-nover, absenteísmo, e aumento da produtividade, melhoria de relacionamento e na vida pessoal e profissional dos integrantes da organização.

O objetivo maior é oferecer uma vida melhor para seus colaboradores e ao mesmo tempo motivá-los na realização de suas tarefas, assim como criar novas formas de trabalho.

Os programas possibilitam uma abertura para o progresso, e aquele que não busca a melhoria não se renova, desarticula-se do contexto e dificilmente se adapta as novas situações facilmente.

Tratar do tema criatividade nas empresas é um assunto importante, cuidadoso, pois temos que pensar em criatividade pessoal e empresa BernhardMod simultaneamente. Cabe ressaltar que um passo inicial é o desbloqueios dos modelos mentais, que são os pressupostos e visões do mundo profundamente internalizados e que influenciam no nosso comportamento e decisões.

Nestes trabalhos aprendemos a voltar o olhar sobre nós mesmos e a descobrir nossa visão do mundo e mantê-la sob análise constante para não cairmos na mesmice de sempre.

Maria Inês Felippe é psicóloga e especialista em administração de recursos humanos



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