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SANGUESSUGA
Chefe da máfia afirma que governo pagou caro
Segundo Vedoin, ambulâncias do Samu custaram R$ 122,5 mil, mas podiam vendê-las por R$ 100 mil
Expedito Filho e - Sônia Filgueiras/AE - Brasília (DF)
 Jungmann acompanhou o depoimento de Darci Vedoin |
O chefe da máfia das ambulâncias, Darci Vedoin, afirmou que o Ministério da Saúde pagou mais caro pela ambulâncias que comprou para montar o Samu (Serviço Móvel de Urgência). O programa, lançado no final de 2003, inclui ambulâncias e médicos para atendimento de emergência em diversos pontos do território nacional. Segundo Darci Vedoin, o ministério pagou R$ 122,5 mil para cada uma das ambulâncias. Ele afirmou que seria capaz de entregar o mesmo produto por R$ 100 mil.
‘‘Eu pego esse mesmo carro, se a senhora me der R$ 100 mil, eu monto, eu tenho lucro para pagar os meus funcionários, para pagar imposto, para pagar ICMS, para pagar Imposto de Renda, para mandar um motorista em cada cidade deste Brasil pagando combustível e deixando ele três dias para poder receber da prefeitura’’, disse ele durante um depoimento reservado a sete integrantes da CPI em Cuiabá no início do mês. Darci respondia a uma pergunta da deputada Vanessa Graziotin.
Vedoin usou o exemplo da licitação para rebater a acusação de prática de superfaturamento que pesa contra ele e outros empresários do esquema. ‘‘Onde está o superfaturamento?’, perguntou. Segundo o empresário, a licitação para a compra das ambulâncias foi vencida por três fábricas grandes e afirmou que o programa tirou espaço das pequenas empresas nesse mercado. Assim como fez Luiz Antônio Vedoin em seu depoimento à Justiça, Darci Vedoin (pai de Luiz Antônio) também contou aos parlamentares a abordagem de intermediários do candidato a deputado federal pelo PT do Ceará e integrante do diretório nacional do partido, José Aírton Cirilo.
Os Vedoin afirmam terem pago R$ 800 mil a José Airton e seus intermediários em troca de supostas gestões feitas por ele junto ao Ministério da Saúde para a liberação de recursos referentes a 130 ambulâncias já entregues pela empresa, que estavam retidos. Segundo ele, os dois intermediários de Cirilo chegaram a ir a Cuiabá, com passagens pagas pela Planam, para ver as instalações da empresa. ‘‘Qual é o papel do José Aírton nessa questão?’, perguntou o vice-presidente da CPI, Raul Jungmann. ‘‘A amizade dele com o Humberto Costa (primeiro ministro da Saúde do governo Lula)’.
Costa informa que conhece Cirilo em decorrência das relações partidárias e nunca discutiu com ele sobre o assunto. Ressalvando que não tinha provas, Vedoin forneceu à CPI o nome de outras quatro empresas que também atuam no mesmo ramo em que a Planam trabalhava, ou seja, na compra de veículo - inclusive ambulâncias - com recursos de emendas possivelmente em troca do pagamento de propina. Segundo ele, a concorrência cresceu em 2003 e, por isso, o volume de negócios da Planam começou a cair. Ele afirmou, ainda, que os deputados ‘‘em 90% dos casos’’, pediam propina.
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Veículo é propaganda política
Folhapress
Ambulâncias compradas por meio de emendas parlamentares servem principalmente para fazer propaganda política, já que chegam às cidades de forma aleatória e sem o planejamento proposto pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Essa é a opinião do professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e ex-secretário de Saúde da cidade, José Sebastião dos Santos.
Segundo ele, a distribuição de ambulâncias é uma forma cara e pouco eficiente de realizar a política de saúde, que só persiste por conta da pressão política. Em vez de organizar as unidades básicas e implantar o Programa de Saúde da Família, diz o professor, muitos prefeitos preferem comprar ambulâncias. Em sua opinião, isso ocorre porque, para deputados e vereadores, é sempre útil politicamente levar mais ambulâncias para as cidades.
rebocoterapia
Elas são uma espécie de ‘‘propaganda ambulante’’. ‘‘Rebocoterapia’’ é o apelido dado por ele e outros estudiosos da área à opção pela compra de unidades móveis por municípios que mal têm postos de saúde. Ele afirma que algumas cidades ‘‘fazem de conta’’ que atendem às pessoas transportando pacientes para cidades maiores.
‘‘É um absurdo uma cidade de 6 mil habitantes ter UTI móvel’’, exemplifica Santos, que estima ser exagerada a atual proporção de ambulâncias por habitante da maior parte do país. Uma portaria do Ministério da Saúde estabelece que cada unidade móvel deve atender de 100 mil a 150 mil habitantes.
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EXPORTAÇÕES
Empresas abrem mão da rentabilidade
Renata Veríssimo (AE) - Brasília (DF)
A maior parte das empresas exportadoras abriu mão de rentabilidade para continuar no mercado, apesar do dólar barato. Reduzindo seus preços, elas conseguiram manter o volume de exportações no ano passado. Mas o cenário é mais para sobrevivência do que expansão. Elas não pretendem contratar novos funcionários tão cedo. Essas são as principais conclusões de uma pesquisa realizada em maio pela Agência de Promoção às Exportações (Apex-Brasil) com 32 entidades setoriais.
A pesquisa investigou como as empresas estão sobrevivendo ao câmbio desfavorável. O levantamento mostra que alguns setores, como café, frutas, camarões e carne bovina, pretendem aumentar as exportações por meio da abertura de novos mercados e, em alguns casos, com a eliminação de restrições sanitárias impostas por alguns países aos produtos brasileiros. Porém, problemas como a febre aftosa (que ataca bovinos, suínos, ovinos e caprinos), a doença de Newcastle (que ataca aves) e a ferrugem asiática (que ataca a soja) tornam essa aposta arriscada. A União Européia, recentemente, deu sinais de que pretende restringir a compra de vários produtos, de mel a ovos, por causa de problemas sanitários. Há setores, porém, que não vão conseguir driblar o dólar barato. Setores mais fortemente afetados pelo câmbio, como calçados, móveis e têxteis, estão prevendo queda nas exportações.
Esses setores, segundo a Apex, além da redução do volume exportado, ainda tiveram dificuldades para negociar reajustes de preços. Para sobreviver no mercado internacional, algumas empresas estão mudando a estratégia de venda, procurando exportar produtos mais sofisticados e, portanto, ganhando em valores e não em volume. O presidente da Apex, Juan Quirós, disse que a agência reduziu os recursos para promoção de produtos que competem com os chineses e intensificou as ações para agregar valor aos produtos e procurar nichos de mercado.
‘‘Nós estamos fazendo um projeto de móveis de alto design tendo como referência a Itália e a Espanha porque, se o empresário focar móveis como os que a China faz, vai perder mercado. Então, muitas vezes, é melhor recuar, mudar e levar um produto melhor para não confrontar a concorrência’’, explicou Quirós. Segundo ele, com exceção dos setores de calçados, móveis e têxteis, muitas empresas têm procurado o apoio da Apex para ingressar ou intensificar sua presença internacional. As empresas que participam dos projetos da Apex representam 68% da pauta de exportação brasileira. ‘‘A Apex apoiou quase metade do total de empresas exportadoras em 2005’’, disse Quirós.
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Pequenas são mais afetadas
AE
A pesquisa da Apex identificou ainda que as empresas de pequeno porte são as mais afetadas pela valorização do real. Com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a Apex constatou que, das 4.038 empresas que deixaram o mercado externo no ano passado, 82% exportavam até US$ 100 mil por ano. Somente 7% (283 empresas) exportaram de forma contínua, entre 1997 e 2004. As demais tentaram o mercado internacional em 2004 e desistiram no ano seguinte.
‘‘São nestes 7% que, de fato, tivemos uma perda real, porque quando exporta continuamente e sai é porque perdeu mercado.’’
Mais da metade (2.304) das empresas que pararam de exportar eram indústrias, principalmente dos setores de calçados e couro, têxteis e vestuário, móveis, máquinas e equipamentos. Uma grande parte também era tradings, empresas responsáveis por intermediar as vendas. Todas apontaram como causa a perda de rentabilidade por causa do câmbio.
Quirós acredita que a redução da base exportadora é temporária, de ajuste às novas condições do mercado internacional. ‘‘O câmbio ainda é um referencial importante, mas o mais importante é que as empresas estão entendendo que isso é temporário e um processo natural de ajuste. Estou convencido de que o Brasil vai aumentar sua base exportadora.’’ Segundo ele, 3.185 empresas começaram a exportar em 2005, o que significa uma redução líquida da base exportadora de 853 empresas.
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Sindicato envia carta a Luiz Marinho pedindo uma ação do governo
Rodrigo Morais/AE - Rio de Janeiro (RJ)
 Sindicato enviou carta a Marinho a respeito das 5,5 mil demissões |
O Sindicato Nacional dos Aeroviários enviou carta ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, na qual solicita uma ação do governo no caso dos funcionários da Varig que estão com salários atrasados. A situação se agravou com o anúncio da demissão de 5,5 mil empregados, sem garantias sobre o pagamento das rescisões trabalhistas, estimadas em R$ 170 milhões.
Na terça-feira, os sindicatos de aeroviários e o Sindicato Nacional dos Aeronautas participarão de uma reunião com representantes da Varig e do Ministério Público do Trabalho para discutir as demissões. ‘‘Enviamos uma correspondência dramática para o ministro Marinho, na quinta-feira, mostrando para ele que o caos está instalado. Pedimos a intervenção do ministro para que a Varig pague as homologações no ato’’, disse a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino. ‘‘As pessoas estão sem dinheiro. Todo mundo já esgotou suas reservas.’’
Selma calcula que, apenas em salários atrasados, a Varig já deve R$ 71 milhões, relativos a parcelas de abril (R$ 3 milhões) e maio (R$ 8 milhões), além das folhas integrais de junho e julho (R$ 60 milhões, somadas). Para minimizar o problema, Selma defende que a quitação de dívidas da empresa deve ser feita em primeiro lugar para os trabalhadores. ‘‘A Varig em recuperação deve ter uma renda mensal em torno de R$ 20 milhões, divididos entre as três classes de credores. Queremos que os credores do governo sejam colocados em segundo plano. A prioridade tem que ser para os trabalhadores, até porque vão ficar desempregados’’, disse ela.
Selma defende também que a Varig só demita na proporção em que tenha capacidade de pagar o que deve aos funcionários. ‘‘As homologações têm de ser pagas na hora’’, disse a sindicalista. Nos aeroportos, os transtornos para os passageiros continuam. O casal Denis Ricardo da Cunha Costa e Cinara Nunes da Costa, ambos de 33 anos, tentava embarcar para Rio Branco, no Acre, onde mora, desde a quinta-feira. Eles chegaram ao Rio para passar férias com a passagem de volta comprada, mas a Varig cancelou os vôos e não encontram vagas em outras companhias.
‘‘Estamos gastando dinheiro e perdendo dias de trabalho. Temos que vir todos os dias ao aeroporto. Gastamos com hotel, refeições e táxi. Se eu voltar amanhã e não tiver como embarcar, vou comprar outra passagem e depois tentar resolver na Justiça’’, disse ele.
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AVES
Ribeirão Preto abre guerra ao pombos que ficam em praça central
Jorge Soufen Jr/Folhapress - Ribeirão Preto
Começou a guerra de Ribeirão Preto contra os pombos. Foram cerca de dez anos de discussões, reclamações da população, pressão do Ministério Público Estadual e questionamentos da Câmara para que a prefeitura, finalmente, desse início aos primeiros testes práticos para expulsar as aves da Praça das Bandeiras, que fica em frente à Catedral Metropolitana de São Sebastião. O primeiro passo começou na segunda, com a poda de árvores da praça.
O cronograma, elaborado por uma comissão presidida pelo vereador Gilberto Abreu (PV), prevê experimentos - o mais eficaz deverá ser escolhido. O primeiro teste, que começa em agosto, prevê a aplicação de um extrato de uva que provoca irritação no trato respiratório das aves. A chefe do escritório do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Eliana Velocci, aguarda parecer para liberar esse experimento, que utiliza um repelente químico.
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