Domingo, 30 de Julho de 2006
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VERÃO


Paris proíbe nudismo, top-less e uso de tanga nas praias do Rio Sena

EFE - Paris (FRA)

A Prefeitura de Paris decretou a proibição do nudismo, do top-less e até do uso de tangas nas margens do Rio Sena, transformadas durante o verão em ‘‘praias’’ para os moradores da capital pegarem sol e praticarem diversas atividades recreativas. O decreto municipal, cujo conteúdo foi publicado hoje pelo jornal Le Parisien, diz que no espaço conhecido como Praias de Paris ‘‘o comportamento do público deve estar de acordo com os bons costumes, a tranqüilidade, a segurança e a ordem pública’’.

O vereador encarregado da área de esportes, Pascal Cherki, justificou a norma dizendo que ‘‘era necessário um regulamento interior’’ para o complexo que há cinco anos ocupa as margens do Sena no verão. ‘‘Por medida de segurança’’, disse, o Conselho decidiu proibir as exposições ‘‘indecentes’’. A infração das normas pode ser punida com multa de 38 euros. Mas por enquanto ninguém foi multado e só foram feitas advertências.


CONFLITO


Em Israel, trabalhadores e empresários são ameaçados

Medo paralisa atividades comerciais e industriais em Tiberíades


Daniela Kresch/AE - Tel-Aviv (ISR)

Ali Haider/EFE
Edifício fortaleza do Hezbollah foi bombardeado pela força aérea israelense, no sul do Líbano
O conflito com o Líbano começa a pesar no bolso dos israelenses. Desde o começo dos confrontos, há mais de duas semanas, grandes e pequenas empresas baseadas no norte do país -região atingida por bombardeios da guerrilha xiita Hezbollah- encontram dificuldades para funcionar normalmente. Muitas fecharam por falta de trabalhadores. Ou produzem menos do que em tempos de paz, já que os funcionários que se arriscam em comparecem têm correr para abrigos antiaéreos várias vezes por dia, toda vez que soa a sirene de alerta.

PAGAR CONTAS

A crise também aflige o comércio. Dvora Cohen, dona de uma pequena mercearia na cidade de Tiberíades, não sabe como fará para pagar todas as contas. Desde que a cidade, às margens do Mar da Galiléia, começou a ser bombardeada pelo Hezbollah, ela manteve a loja praticamente fechada. Nos poucos momentos de calmaria, quando sai do abrigo antiaéreo, ela reabre a mercearia, mas quase não vende nada. Acaba passando o tempo telefonando a credores para pedir um adiamento nos prazos de pagamento.

‘‘Estou muito estressada. Ninguém compra nada e os produtos começam a perder o prazo de validade. Estou tentando devolver mercadoria’’, conta a microempresária, que conta com a ajuda do filho de 17 anos para manter a mercearia limpa. O maior medo dos trabalhadores é o de uma onda de demissões. Firmas ameaçam demitir em massa ou, na melhor da hipóteses, atrasar o pagamento dos salários. Milhares de pessoas entraram em contato com a Histadrut, a confederação dos sindicatos israelenses, reclamando da pressão dos empregadores para que compareçam ao trabalho, apesar dos bombardeios.

O apelo deu certo, pelo menos por agora. Na quinta-feira passada, representantes do governo, da Histadrut e da indústria chegaram a um acordo provisório. O governo vai pagar os salários do mês de julho de todos os trabalhadores com carteira assinada de cidades qualificadas de ‘‘zona de conflito’’, nas quais a orientação do exército é que toda a população se refugie em abrigos antiaéreos. Isso inclui Haifa, a terceira maior cidade do país, que fica a mais de 30 km da fronteira com o Líbano. Os empregadores, por sua vez, também receberão indenizações e isenções no pagamento de taxas federais.

AGOSTO

Se conflito com o Hezbollah entrar por agosto adentro, no entanto, tudo voltará à estaca zero. Na região de Haifa, mais de 55% das 1,8 mil fábricas que empregam pelo menos cinco pessoas estão com as portas fechadas. A crise fez com que o Banco Central de Israel aumentasse em 0,25 pontos os juros básicos da economia, na tentativa de manter investimentos estrangeiros no país. O PIB (Produto Interno Bruto) do país, que, segundo estimativas, cresceria até 5,5% em 2006, deverá crescer só 4%. Isso se a guerra não continuar por muito tempo. Até agora, o prejuízo só para o setor industrial já ultrapassou a cifra de US$ 90 milhões, segundo estimativas da Confederação das Indústrias de Israel. No setor hoteleiro, a perda estimada é de US$ 30 milhões.


Crianças do Líbano carregam trauma de guerra
AE

Mohamed Messaro/EFE
Crianças libanesas guardam visões de mortes e destruições
Mais uma vez, as crianças do Líbano estão sendo obrigadas a ver o que não deveriam: visões de morte e destruição que podem marcá-las para o resto da vida. São sobreviventes. Um terço dos libaneses mortos até agora pelos ataques israelenses é de crianças, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Especialistas advertem que o conflito está criando um trauma psicológico difícil de carregar. ‘‘Não dá para fugir do som das bombas’’, afirma Nadine Maalouf, psicóloga infantil que tem trabalhado com crianças traumatizadas nas últimas semanas. A violência é velha conhecida dos libaneses, que sofreram uma guerra civil entre 1975 e 1990, além da invasão israelense de 1982. Os homens e mulheres que passaram por todos esses conflitos na infância tinham a ilusão que seus filhos estariam livres das imagens de horrores que eles testemunharam. Agora, tudo se repete.

A jovem Noor el-Hoda Sherri, de 11 anos, conta que seu coração ficou apertado quando ouviu os sons de um avião bombardeando o subúrbio de Haret Hreik, em Beirute, onde vive. ‘‘Eu pensei, ‘é isso, vamos morrer, este é o nosso destino’. Pensei que Deus estava me punindo por todas as coisas que fiz de errado’’, disse a garota, listando bobagens infantis como ter mentido para a mãe ou empurrado a irmã caçula. Ali Kalash, 14, viu o prédio de apartamentos onde vivia com a família ser destruído por um bombardeio. Agora, refugia-se no mesmo abrigo subterrâneo que Noor el-Hoda. ‘‘Pensei que todos iríamos morrer’’, lembra.

Em visita a Beirute, no último domingo, o chefe da ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland, estimou que um terço dos mortos no conflito é de crianças do Líbano. Pelo menos 443 pessoas, a maioria civis, foram confirmadas mortas no Líbano desde o início dos ataques israelenses, iniciados depois que o Hezbollah seqüestrou dois soldados de Israel, no dia 12.

Do lado israelense, o número de mortos é 52, incluindo 19 civis, três deles crianças árabe-israelenses. Centenas de milhares de libaneses foram obrigados a deixar suas casas, fugindo para abrigos em escolas, parques e estacionamentos subterrâneos. Os que tiveram suas casas bombardeadas levarão anos para reconstrui-las, e as crianças serão obrigadas a crescer em diferentes dos que estavam acostumadas.

A psicóloga Nadine Maalouf prevê que os efeitos do trauma serão mais fortes após a guerra, quando as crianças não poderão voltar para suas casas destruídas, perdendo seus ‘‘pontos de referência’’ como amigos, locais de brincadeiras e até mesmo a loja onde costumavam comprar sorvete.


ESCORPIÃO


Veneno sintético combate tumores cerebrais

Agência EFE - Washington (EUA)

Cientistas dos Estados Unidos usaram com sucesso veneno sintético de escorpião para inserir iodo radioativo e reduzir os tumores cerebrais chamados gliomas, afirma um estudo divulgado na sexta-feira pela revista Journal of Clinical Oncology.

Após a primeira fase de testes clínicos, o método demonstrou ser seguro e não afetar os tecidos que circundam os tumores, afirmam os cientistas. O principal ingrediente do veneno é o TM-601, uma versão sintética do peptídio que existe no veneno do inseto identificado como ‘‘escorpião gigante amarelo israelense’’, assinalam os cientistas no relatório.

O TM-601 adere às células do tumor cerebral e tem a capacidade de atravessar a barreira que impede que a maioria das substâncias cheguem ao tecido cerebral através do fluxo sanguíneo. ‘‘Utilizamos o TM-601 como veículo para transportar iodo às células do tumor, e já há indícios de que ele também pode interromper o crescimento das células dos tumores’’, assinalou Adam Mamelak, do Instituto de Neurocirurgia do Centro Médico Monte Sinai.

O neurocirurgião acrescentou que, se novos estudos confirmarem estas características, a substância poderia ser usada em outros tratamentos, como a quimioterapia. Mamelak explicou que a capacidade do TM-601 de impedir o crescimento do câncer poderia ajudar a reduzir a dose de quimioterapia necessária para obter um efeito terapêutico.

PROLIFERAÇÃO

Os tumores cerebrais são extremamente agressivos e mortais, e apenas 8% dos pacientes sobrevivem dois anos depois do diagnóstico. Até que se realize uma intervenção cirúrgica para extirpar o glioma, as células cancerígenas continuam sua proliferação no cérebro.

Nos Estados Unidos, este tipo de câncer afeta a cada ano cerca de 17 mil pessoas.



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