Sábado, 25 de Agosto de 2007
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Walter BartelsMemória


Walter Bartels

Talvez Getúlio Dornelles Vargas tenha sido o político que melhor personificou a figura de um populista no sentido mais geral e amplo da palavra, tanto para o bem, como para o mal.

Dominou o País durante décadas, sempre levando uma mensagem de que realmente era o “pai dos pobres”, e mais do que isto, pregando que a única salvação do Brasil passava obrigatoriamente por ele.

Criou entre outras coisas a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), baseada no fascismo de Mussolini. Tentou dar ao Rio de Janeiro o status de cidade cosmopolita. Criou a Petrobras e barganhou com os EUA a criação de usinas de aço em troca do apoio do Brasil a posições políticas e econômicas dos americanos.

Morreu como todos nós sabemos. De forma violenta. Suicídio em pleno Palácio no Rio de Janeiro. Diz em sua carta-testamento que “forças ocultas” o levaram a este gesto extremo, mesma frase usada décadas depois por Jânio Quadros e cunhou uma frase que até hoje é repetida e copiada por políticos em maus lençóis: “deixo a vida (política) para entrar na história”.

Incentivou a indústria da comunicação em nosso País, ainda incipiente na época, estando sempre cercado por artistas de rádio.

Teve sua figura caracterizada milhares de vezes em forma de sátira. Foi descrito, elogiado e ridicularizado em centenas de músicas. Sempre viu e ouviu tudo isto dando gargalhadas.

Um político que por certo não teria lugar na política de hoje, mas que a seu tempo foi tudo. Teve a maior consagração pública quando de sua morte. Literalmente o País parou para chorar sua partida. A maioria pesarosa, mas alguns tinham a certeza radiante. “Deixo a vida para entrar para a história”.

JULGAMENTO

Assisti a trechos do início do que deveria ser o julgamento dos envolvidos pelo mensalão. Relator do TSF ofereceu a oportunidade de se encaminhar denúncias contra os 40 envolvidos no caso. Alguns ministros aceitaram este parecer, já outros ofereceram tantas reservas, ponderações e observações sobre a leitura do relatório, que só faltou declarar seu voto contra.

Tenho a impressão de que a culpa maior vai acabar recaindo sobre o banco que fez os empréstimos, e diga-se de passagem, não recebeu por eles. O banco vai ser acusado de “gestão temerária” e outros jargões do campo jurídico, mas não haverá uma devida pressão e apreciação do que realmente os políticos fizeram e na verdade, são eles que devem ser julgados e não o banco. Se o banco emprestou mal, ele que arque com isto.

A questão primeira e principal é saber por que o banco emprestou mal seu dinheiro a Marcos Valério e a quem este beneficiou com este dinheiro. Respondida esta pergunta, por certo muitos políticos serão cassados, enquanto o banco vai continuar amargando o papagaio dependurado.



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