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1. The girl from Ipanema | 2. Amor em paz | 3. Água de beber | 4. Dreamer | 5. Favela | 6. Insensatez | 7. Corcovado | 8. One note samba | 9. Meditation | 10. Jazz'n samba | 11. Chega de saudade | 12. Desafinado

Gravado para o selo Verve nos estúdios nova-iorquinos da A & R, em 9 e 10 de maio de 1963, Antonio Carlos Jobim - The Composer of Desafinado Plays, foi o primeiro disco de Tom como solista. Por não se sentir seguro escrevendo arranjos para músicos que não conhecia, pediu ao produtor Creed Taylor que lhe providenciasse um arranjador americano. O candidato dos seus sonhos - e de todo o pessoal da Bossa Nova - era, naturalmente, Nelson Riddle, o genial arranjador de Frank Sinatra na Capitol. Mas apenas sonhar com Riddle era o máximo a que Tom achava ter direito àquela altura de sua carreira, tanto que nem o mencionou nas conversas preliminares com Taylor. Em vez de um maestro americano, ganhou um alemão chamado Claus Ogerman. E não gostou nada. "Esse cara vai transformar a minha música em marcha de banda prussiana", queixou-se a Taylor, que, conhecendo bem Ogerman, manteve a escolha.

Nascido na Polônia, em 1930, Ogerman ganhou fama de alemão depois de se estabelecer em Munique, onde estudou música, tocou piano na suingada orquestra de Kurt Edelhagen (uma espécie de Ted Heath teutônico) e na banda mais moderninha de Max Greger. Mesmo sob o nazismo conseguiu manter-se ligado ao jazz e ao pop americanos, o que explica a facilidade com que se enturmou na indústria de discos de Nova York e Los Angeles. Seu primeiro patrão na América, para onde emigrou em 1959, foi justamente Creed Taylor, e seus primeiros clientes, Johnny Hodges, Donald Byrd, Jimmy Smith, Cal Tjader e Bill Evans. Tom não demorou mais de meia hora para descobrir que não estava diante de um maestro de banda prussia-na, mas de um músico sensível, delicado, e tão requintado quanto se podia esperar de um discípulo confesso de Nelson Riddle. O entrosamento entre os dois foi ime-diato e total. Pareciam velhos parceiros, gêmeos estilísticos, sobretudo na linha melódica e nos contrapontos.

Embora sempre aberto a qualquer sugestão de Tom, Ogerman fez o que lhe cabia: determinou o peso da orquestra, escolheu os instrumentos, valorizando as cordas e sossegando os metais. Os músicos arregimentados pelo "Prussiano" (o apelido, dado por Tom, pegou) eram de primeira, com destaque para o trombone de Jimmy Cleveland e a flauta de Leo Wright. Por exi-gência de Tom, a única que ele fez, o baterista era um brasileiro, Édson Machado. O piano ficou com o próprio Tom e também o violão, em playback. No repertório, uma dúzia de obras-primas da primeira dentição da Bossa Nova: "Garota de Ipanema", "Amor em paz" ("Once I Loved") - erroneamente identificada como "O morro" no LP original - "Água de beber", "Vivo sonhando" ("Dreamer"), "O morro não tem vez" ("Favela"), "Insensatez" ("How Insensitive"), "Corcovado", "Samba de uma nota só" ("One Note Samba"), "Meditação" ("Meditation"), "Só danço samba" ("Jazz Samba"), "Chega de saudade" e "Desafinado".

Nas páginas da mais importante revista de jazz dos Estados Unidos, Down Beat, o crítico Pete Welding caiu de joelhos. "Se o movimento da Bossa Nova tivesse produzido apenas este disco, já estaria plenamente justificado", escreveu ele, lamentando não ter mais do que cinco estrelas, a cotação máxima da revista, para lhe dar. Welding não foi o único crítico americano a encantar-se com "a graça ardente e luminosa", "o lirismo nada meloso", a "alegria flutuante" e a "radiante beleza melódica" do LP, que só seria lançado no Brasil em fevereiro de 1964, pela Elenco e com o título de Antonio Carlos Jobim.