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1. Wave | 2. The red blouse | 3. Look to the sky | 4. Batidinha | 5. Triste | 6. Mojave | 7. Diálogo | 8. Lamento | 9. Antigua | 10. Capitain Bacardi


Parcialmente criado em Los Angeles, mas gravado na Costa Leste, nos estúdios Rudy Van Gelder (Englewood Cliffs, Nova Jersey), em 11, 23, 24 de maio e 15 de junho de 1967, novamente para Creed Taylor, Wave foi o quarto LP solo americano de Tom e o terceiro com arranjos de Claus Ogerman.

Meio jazzístico no seu improviso, nem por isso deixou de ser um de seus discos mais essencialmente cariocas, na verdade um preito amoroso ao Rio, à sua paisagem, às suas águas e céus azuis, à bonomia dos seus habitantes, ao ensolarado e edênico ambiente onde Tom passou a infância e a adolescência, nadando e pescando entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e a praia de Ipanema. Um disco marcado pela intensa saudade que, na América, Tom sentia de sua cidade, dos bares em que conversava fiado com Vinicius e outros parceiros só de papo, pachorra e chope. Até dos primeiros tempos da Bossa Nova ele sentia falta, a tal ponto que numa das faixas, "Blusa vermelha" ("The Red Blouse"), perfeita trilha musical para um travelling à beira-mar, enxerta notas de "Só danço samba", "Fotografia", e cita alguns acordes de "Rio" e "O barquinho", dois clássicos da fase sal-sol-sul da Bossa Nova, assinados pela dupla Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Em outra, "Batidinha", homenageou a singular batida de violão de Rosinha de Valença, que aprendera com a própria violonista.

Dando título ao disco, um tema que não sugere ondas e ondulações apenas no título, mas que de outras coisas passaria a tratar quando, com letra em português, ganhou o subtítulo de "Vou te contar", única contribuição de Chico Buarque, que se sentiu inibido para escrever os demais versos que Tom lhe encomendara. Acompanhado por uma orquestra com 13 violinos, quatro cellos, dois trombones, três flautas, uma trompa, um parceiro de Miles Davis no baixo (Ron Carter) e a bateria dividida entre os brasileiros Dom Um Romão e Claudio Sion e o americano Bobby Rosengarden, Tom tocou piano ou violão em nove das dez faixas. Abriu uma exceção em "Antigua", abrasileirada visão de uma ilha do Caribe, quando pela primeira e última vez aventurou-se a dedilhar um cravo.

Em meio a composições então meio esquecidas, como "Olha pro céu" ("Look to the Sky"), que Lana Bittencourt lançara sete anos antes, e um tema de Orfeu da Conceição, "Lamento", repontam mais quatro novidades: "Triste", "Mojave", "Diálogo" e "Capitão Bacardi". Metafórico samba bossa nova sobre o medo de voar, apaixonar-se e vice-versa, "Triste" foi composto, com letra e tudo ("Tua beleza é um avião…"), em apenas uma tarde. "Mojave" é uma saltitante valsa, em compasso 6/8, inspirada pela forte impressão que o homônimo deserto de Nevada deixara em Tom. Executada por duas flautas baixas e com algumas notas roubadas a "Bonita", é uma das raras faixas em que não se ouve um solo do trombonista Urbie Green, que em "Diálogo" deleita-se num dueto com a flauta baixa de Romeo Penque, e em "Capitão Bacardi" ajuda a apimentar, no melhor estilo Raul de Barros, um samba rasgado (com cuíca e tudo), que Tom compôs em homenagem ao cunhado Paulo, primeiro marido de Helena Jobim, mais conhecido como Paulo Bacardi.