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Capa do DVD "Jobim Sinfônico" DVD "Jobim Sinfônico"  (volta)

O projeto pretende revelar o lado menos conhecido do compositor ­ o Jobim Sinfônico. Inspirado pela música dos grandes mestres e apaixonado pela música erudita, Tom norteou assim praticamente toda a sua obra mesmo nas canções mais populares. Dedicar-se à música de câmara era um dos grandes sonhos de sua vida, sempre interrompido pelo sucesso da revolução musical que causou, não só no Brasil, mas principalmente no exterior.

Tom começou com uns 14 anos, estudando piano e teoria, depois harmonia e composição, com o compositor e musicólogo alemão Hans Joachim Koellreutter, o introdutor no Brasil do dodecafonismo e do movimento "Música Viva". Pretendia seguir a carreira de concertista. Estudou harmonia e composição com o compositor e regente Paulo Silva e com o pianista Tomás Gutiérrez de Téran. Como exercício, compunha valsas, mazurcas e prelúdios, que batizou de "prelúdios gasta-papel".

Mas seria estudando piano com a célebre professora D. Lúcia Branco, também professora de Nelson Freire, que Tom aprofundaria seus estudos dos clássicos (Bach, Beethoven, Chopin, Ravel, Debussy e Villa-Lobos) e descobriria sua vocação para compor. Assim, influenciado por Liszt e Chopin, Tom compôs, aos 18 anos, uma valsa clássica, que considerava a sua primeira real composição. Muitos anos depois, com letra de Chico Buarque, ela se chamaria "Imagina", (...) mas foi ainda sem título que apresentou-a, em primeira audição, à professora. Ela não só aprovou o que ouvira como incentivou seu aluno a investir mais em seu talento para fazer música do que numa carreira de concertista, previamente limitada pela pouca abertura de suas mãos. Com o "polegar preso", sem poder dar uma oitava, Tom jamais seria um grande pianista clássico, sentenciou Lucia Branco. (Sérgio Augusto, "Cancioneiro Jobim").

Mas seria em Villa-Lobos e no amor pelo Brasil que Tom iria encontrar a grande influência para seu trabalho, na tênue linha divisória entre o erudito e o popular.

O projeto Jobim Sinfônico foi criado a partir de uma pesquisa realizada no Instituto Antonio Carlos Jobim onde se encontram as partituras e arranjos originais manuscritos por Tom, Claus Ogerman, Nelson Riddle e Eumir Deodato, em alguns casos adaptadas e ampliadas para grande orquestra sinfônica por Paulo Jobim e Mario Adnet.

Além de um novo registro de peças como "Orfeu da Conceição" e "Brasília ­ Sinfonia da Alvorada" foram gravadas duas obras inéditas.

A primeira é "Prelúdio", escrito em 1956, dedicado a seu amigo e também aluno de D. Lúcia Branco, o professor de piano Evandro Ribeiro Rosa. A outra é "Lenda", dedicada a seu pai, Jorge Jobim, que foi encomendada ao compositor, então com 28 anos, por Radamés Gnatalli, outra grande admiração, para ser tocada na Rádio Nacional, mas que nunca foi gravada.