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Revista Manchete
Por Jayme Negreiros
12 de novembro de 1953


Tom. Musical até na alcunha. Seu nome: Antônio Carlos Jobim. Nascido carioca, desde menino, Tom se curvou diante da música. E não adiantaram seus esforços (e dos outros também) para que se formasse em arquitetura (deixou a Faculdade no 1° ano). Então, passou aos estudos clássicos de piano com o professor Tomás Teran, que lecionou a Arnaldo Estrela e Alimonda, inclusive. A boemia tomaria conta de Tom, mais tarde. E, rasgadamente, Tom deu o braço à noite e saiu com ela por aí, fugindo do dia, eternamente, foi dentro da noite que conheci Tom. Ali no Posto 5, hoje um bar medíocre. Foi dentro da noite que ouvi os primeiros acordes de Tom, tentando se pegar ao moderno, procurando fugir ao clássico, somente se utilizando desse estilo para compor e orquestrar, para emitir sensibilidade. E a gente ficava em volta de Tom, acompanhando-se por uisque e mulher, ouvindo, até que o sol entrasse e viesse dizer "bom dia" com o seu calor. Os bares do Rio, todinhos, conheceram Tom. E a Rádio Clube mais tarde. Lyrio Panicalli depois, com quem Tom aperfeiçoou, seus conhecimentos musicais. Hoje, Tom é casado (mulher e filho lindos), boêmio, orquestra para edições e toca piano para todos. Com Billy Blanco, está escrevendo a "Sinfonia do Rio de Janeiro", coisa paralela a "Um americano em Paris" de Gershwin. Dick Farney. Os Namorados, As Moreninhas, Lyrio Panicalli e sua orquestra pretendem colocar na cera, e outras figuras encenar "Sinfonia do Rio de Janeiro". Só ouvindo mesmo, porque contando por escrito não tem graça nem soa. O sol, o mar e a montanha do Rio estão nos versos e na música de Tom e Billy Blanco. A noite apresentá-lo-á a vocês.


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