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"Fui ver Orfeu da Conceição, no Municipal, levado pelo dono do Clube 36, um francês. A música da noite estava mudando. Ainda fazia sucesso o Fafá Lemos com o violino, no trio, com o Garoto no violão. Mas já havia uma renovação da frequência. Aloísio de Oliveira começou a me chamar a atenção para os garotos que estavam aparecendo. Foi ele quem me mostrou um disco que tinha acabado de sair. "Ouve isso aqui", ele disse. Era o 78 rotações do Chega de saudade. Quem é que está cantando? É o Joãozinho, daquele conjunto Garotos da Lua, um quinteto da minha rádio, a Tupi, que tinha um violonista muito moderno. Comecei a prestar atenção a essas novidades e o Tom estava sempre associado a elas. Cada vez eu ouvia falar mais nele. De cada fonte surgiam mais elogios - aquele garoto é demais, é um talento. Orfeu fez sucesso no Municipal e depois ficou mais um tempo no Teatro República, no Centro. Quando a peça ia virar filme, um dia fui convidado para uma conversa à parte com os realizadores franceses, o Sacha Gordine e o Marcel Camus. Eles me mostraram uma das músicas da trilha, A felicidade, do Tom e do Vinicius. Já tinham decidido que a principal seria Manhã de carnaval, mas queriam que eu fizesse uma para substituir A felicidade, talvez porque achassem melhor usar meu nome do que o do Tom, que ainda era pouco conhecido. Eu recusei, claro, mas nunca contei isso ao Tom."
Dorival Caymmi


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