Ouça Tom JobimContatoCréditos/Copyright

| volta |

Tom Jobim - Eu fui algumas vezes à casa do Villa-Lobos, pela mão de Leo Perachi, que era meu professor. O Villa, antes de morrer, pegou o Leo Perachi para escrever as suas músicas. Ele era filho de mãe australiana e pai italiano, um maestro de excelente formação, em qualquer lugar do mundo. Você pegava um livro na casa dele e só tinha música escrita. Em vez de palavra, era partitura o tempo todo. Leo não gostava de letra, letra ele lia no jornal. Villa era moleque, fazia sempre uma molecagem. Quando estreou o Orfeu da Conceição, ele estava vendo aquilo tudo, morava ao lado do Municipal. Eu perguntei se conhecia o Orfeu da Conceição. Villa disse que sim e começou: "Conceição, eu me lembro muito bem...", citando o sucesso do Cauby Peixoto. Villa sabia de tudo, inclusive ele falou com o Cláudio Santoro: "Olha, eu estou partindo, mas os dois que podem me seguir, um é você, o outro é o Tom Jobim. Cuidado com o Tom na canção de câmara, ele sabe escrever, é um perigo".
| volta |