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Tom Jobim - Eu teria sido provavelmente um literato, se não tivesse perdido meu pai. Eu o teria seguido. Papai era um literato. Falava francês, espanhol. Inglês ele não falava, não, mas conhecia profundamente latim, grego e tudo o mais. Teria me ensinado toda essa coisa que o pai do Chico Buarque ensinou para ele. Mas não tive com meu pai o convívio de que precisava.
Esse negócio de poesia acho que nasce um pouco com a gente. A gente é poeta ou não. É um pouco uma herança, uma maneira de ver o mundo. Descobre-se Cassiano Ricardo, Alceu Wamosy, Manuel Bandeira, Gonçalves Dias, Bilac, Augusto dos Anjos. Isso foi vindo aos poucos. Tinha o meu tio Marcelo, que frequentou muito o meu pai e aprendeu com ele muita coisa de poesia, aprendeu a ler romances, Arthur Azevedo, Euclides da Cunha. Meu tio ficou com essa bagagem do Jorge Jobim.
Lembro da poesia com que eu perseguia a Helena, que não gostava do Bilac quando era menina. Eram os poemas para crianças do Bilac: "Negro com os olhos em brasa, bom, fiel e brincalhão, era a alegria da casa, o corajoso Plutão..." Eu corria atrás de Helena com essa poesia. Ela chorava porque no fim o cachorro Plutão morre. Eu sabia a poesia de cor. Bilac chegou cedo na minha vida.


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