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Para o pai, uma balinha antes do almoço não faz tanto mal. Já a mãe, não quer ceder. Nada de doces antes das refeições, de jeito nenhum. No meio desse impasse, a criança fica sem saber ao certo como agir. Nos pequenos detalhes do dia-a-dia podem surgir muitas divergências na forma de educar o filho.
Com o passar dos anos, essas divergências tendem a aumentar: em que escola ele vai estudar, que idioma é prioridade, fazer natação ou vôlei, ficar de olho nos desenhos que ele vê ou deixá-lo livre para escolher.
"Quando o casal convive há algum tempo, existe uma linha mestra que define os valores ou a ética familiar, aquilo que é realmente importante. As divergências mais graves são mais raras o que importa é manter a coerência entre os pais quanto às regras para a educação da criança", diz a psicóloga Lourdes Brunini, autora do livro
Como Entender e Criar o Seu Filho para a Vida (Áurea Editora).
Filhos de pais separados
E quando o assunto é educação dos filhos, as divergências podem ser maiores entre os casais separados. Por isso, aumenta a necessidade de conversarem e avaliarem, de comum acordo, o que é melhor para a criança. Afinal, eles deixaram de ser marido e mulher, mas serão sempre os pais. Contrariar regras já estabelecidas pode prejudicar a criança. Ou seja, na medida do possível, o que vale na casa do pai, deve valer, também, na da mãe. Para que ela não ache que um é o bonzinho e o outro, o vilão.
Para filhos frutos de relacionamentos passageiros, a história pode mudar um pouco. Como não houve um tempo de convivência dos pais, a sintonia com relação à educação fica comprometida. "Nesses casos, geralmente, prevalecem os valores de quem cria."
Conversando, a gente se entende
Em qualquer situação, no entanto, o fundamental é os pais manterem o diálogo e, diante de um impasse causado por uma pergunta ou solicitação do filho, dizer sem medo.
"Eu e o papai vamos conversar e decidir o que fazer. O que não pode é começar uma discussão ou cada um dizer uma coisa, e pronto. Quando isso acontece, a criança fica com a impressão que
pode, mas nem tanto; que é, mas não muito. Com o passar do tempo, as discordâncias geram instabilidade, alteração de humor e medo de lidar com o mundo externo. Os pais têm que ter equilíbrio suficiente para não fazer de um desentendimento uma tragédia."
O importante também, diz a psicóloga, é deixar claro para o filho que tanto o pai quanto a mãe são responsáveis por ele, e que decidem, juntos, o que deverá ser feito.
O outro ponto de vista
Mas será que esse desencontro de opiniões é tão ruim quanto parece? "Nem sempre. Às vezes, as diferenças podem contribuir para a educação dos filhos. Eles aprendem a importância do diálogo, por exemplo. Passam a saber, também, que as pessoas, por mais envolvidas que sejam, são únicas, têm opiniões próprias, e que é necessário saber respeitar o outro; que o relacionamento é tão feito de carinho, quanto de mágoa."
Quem é mais exigente: ele ou ela?
"O pai de hoje é muito diferente", diz a Dra. Brunini. O motivo? "A mãe está sobrecarregada em função do trabalho. Além disso, tem que cuidar da casa, dos filhos e se cobra muito com tudo. O limite do melhor, hoje, é mais testado. Ela tem que ser competente em todas as áreas. Com isso, está com menos flexibilidade para ceder."
"O sentido de valor não depende só da família. Se ela não for estruturada o bastante para socializar a criança, colocar o limite, o mundo o fará, e de uma maneira mais dolorosa", conclui a psicóloga.
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