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Três em cada dez crianças têm um amigo imaginário. Com ele, brincam, conversam, se divertem, brigam, contam suas alegrias e tristezas. Na maioria dos casos, escolhem um boneco, um bichinho de pelúcia, um travesseiro,um cobertor, uma fraldinha, mas, também, podem eleger algo ou alguém invisível (um personagem de histórias infantis, um menino ou uma menina, que recebe um nome próprio e por ele é chamado).
Este novo amigo logo se torna tão presente e importante para a criança que dorme ao seu lado na cama, ganha lugar marcado na mesa de jantar, no carro, acompanha a família nos passeios e viagens. Quantas vezes os adultos não tiveram que tomar cuidado para não sentar em cima dele no sofá da sala?
Quando ele aparece?
Entre dois anos e quatro anos de idade, fadas, duendes, anjos e tantos outros personagens fazem parte do mundo encantado das crianças: momento perfeito para a entrada em cena de um amigo imaginário. Mais tarde, lá pelos cinco, seis anos, começando a escola, os amigos de verdade vão substituí-lo e ele ficará como uma gostosa lembrança de um tempo muito feliz.
Alguns pais se assustam com este comportamento dos filhos; sem perceber que é a forma como conseguem lidar com sua imaginação rica em sonhos e fantasias. Através do faz-de-conta, exercitam livremente a criatividade, vontade, autoridade; compartilham segredos, podem dar ordens aos amigos imaginários, como não dariam aos amigos reais, aos irmãos e mesmo aos adultos com quem convivem. Mais vantagens: eles não revidam, na hora da briga, não reclamam, não mexem nos brinquedos, são fiéis e disponíveis vinte e quatro horas por dia.
Nas horas difíceis
Em geral, aparecem em situações de estresse e ansiedade, como mudança de casa, de escola, chegada de um irmãozinho, separação dos pais, perda de alguém querido ou outras, que transformam a sua rotina. É com o amigo imaginário que o seu filho vai dividir seu medo, sua insegurança e apreensão, mesmo, inclusive, que confidencie estes sentimentos a vocês.
Preocupante? Não. Ao contrário, funciona como um canal de escape para a criança liberar diferentes sentimentos e até substituir, por um determinado tempo, alguém que ela perdeu. Segundo os especialistas, o recurso é um sinal de inteligência e sensibilidade mais apuradas e não de fraqueza como pode parecer, à primeira vista.
Pais atentos
Observar seu filho conversando com um personagem tão importante para ele, ouvir o que diz, ficar atento aos seus gestos e atitudes, certamente, vai ajudar a descobrir que temores, aflições e conflitos habitam sua imaginação. E, assim, aproximar vocês e reforçar, ainda mais, o vínculo familiar.
Não é o caso de achar que está na hora de engravidar novamente para que o irmãozinho substitua o amigo imaginário. O efeito pode ser contrário. Muitas crianças, justamente após a chegada do novo bebê, é que sentem necessidade de inventar este personagem com quem não vão precisar dividir nada, muito menos o afeto dos pais.
Melhor a fazer
Tratar o assunto com naturalidade e respeito, e entrar no jogo, quando for solicitado.
De vez em quando, perguntar à criança se, de fato, acredita na existência deste amigo, com todas as características que descreve. Se a resposta for afirmativa, não tente desmenti-lo. Ele sabe que não é real.
Ao encontrar seu filho conversando, animadamente, com alguém que você não vê ou com algum brinquedinho, converse também, mas sem exageros. Aproveite para perguntar do que ele gosta, do que não gosta, do que tem medo, o que o faz triste ou feliz. E deixe seu filho responder, como se estivesse falando no lugar do amigo.
Atenção!
Em geral, os irmãos mais velhos têm dificuldade em aceitar e entrar na brincadeira. Pior, ficam rindo e caçoando do pequeno, o que só reforça seu apego à fantasia. Fique atenta e, se necessário, converse com eles.
Melhor evitar
Sentar no lugar dele à mesa; não responder a uma pergunta que faça; fingir que ele não existe. Só vai afastar seu filho de vocês e fortalecer o vínculo com o personagem que ele criou.
Não use o amigo para obrigar a criança a comer, dormir na hora combinada ou para convencê-la de qualquer coisa que ela relute em fazer. A reação pode ser proibir o amigo de falar com vocês.
Dirigir-se diretamente ao personagem, a não ser por intermédio da criança e, assim mesmo, quando ela solicitar. Ou seja, aceite o faz-de-conta, mas não o estimule.
Levar em conta quando ele
Preferir, constantemente, a companhia do amigo de mentirinha aos de verdade ou a própria família.
Incluir este personagem em todas as brincadeiras e rotinas de sua vida.
Passar horas isolado, brincando sozinho, mesmo quando está em grupo.
Acreditar que tem superpoderes e se colocar em situações de risco.
Até quando?
Por volta dos seis anos, o amigo imaginário vai sendo deixado de lado, ou antes ainda, quanto mais a criança se relacionar com outras crianças da sua idade. Aquelas que freqüentam creches, maternais e escolinhas desde cedo, tendem a se despedir mais cedo ou não chegam a criar esta fantasia por muito tempo.
Atenção!
Não deixe passar muito. Se, depois dos sete, oito anos, seu filho continuar a fantasia, converse com o pediatra, que pode indicar um psicólogo para ajudá-lo a vencer esta etapa tão importante no seu desenvolvimento.
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