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Mãe e filho: um amor único

Depois de nove meses de gestação, o bebê chega ao mundo para a aventura da vida. Ele, que no útero materno, recebia segurança, tranqüilidade e alimento, passa a conhecer o frio, a fome, luzes e ruídos intensos. Nessas horas, nada como contar com uma presença protetora.

Iniciada com a própria gravidez, a relação mãe-filho é tão profunda, que ao nascer, o neném sequer percebe que se trata de duas pessoas diferentes: confunde seu corpo com o corpo materno. Por isso, nada mais natural que ele espere - e conte - com a ajuda da mãe, para se adaptar às complicações da vida extra-uterina. 


Chegando ao mundo

O pequenino precisa se acostumar, conhecer, estabelecer relações com ela, a primeira e principal habitante de seu novo mundo. Com a mãe, também vai aprender a maneira de comunicar suas necessidades e de ser mais facilmente compreendido. Assim, à medida em que cresce, formará, lentamente, a sua própria imagem. 

Nessa fase, a ajuda de outras pessoas é sempre bem-vinda para a família. Mas deixar o bebê confortável, bem alimentado, limpinho, seguro, faz parte da função materna. Além disso, quanto mais gente lidar com a criança, em seus primeiros meses de vida, mais o mundo lhe parecerá confuso. 


E o papai?

De início, ele ainda parece um pouco à distância desse mundo mágico existente entre a parceira e o filho. Mas sua presença não tarda a ser percebida pelo pequenino. Alguns bebês, em torno dos cinco meses de idade, costumam reagir com o pai de forma diversa da que reagiriam com as demais pessoas. Mesmo assim, ainda demora um tempinho até que essa intimidade se iguale àquela que mantêm com a mãe. 


Olhando ao redor

A preferência do bebê pela mãe começa a diminuir, gradativamente, depois que ele completa o primeiro ano. Nesse período, já está construindo sua individualidade, embora ainda sem organizar as emoções. Por isso, ao reclamar atenção, usa o choro, gritos ou resmungos. Nada que preocupe os pais, mas é importante que seus apelos por segurança e acolhimento continuem sendo atendidos. 

Até os dois anos - vencidas as etapas naturais do seu desenvolvimento - o bebê começa a caminhar, mais independente e mais preparado para novos conhecimentos. E aceitará, com naturalidade, a companhia de outras pessoas. 


Os dois amores

Daí em diante, suas preferências se alternam, ora pelo pai, ora pela mãe. A companhia materna, por exemplo, será um sinônimo de quietude, enquanto a do pai pode significar movimento e excitação. 

Essas escolhas devem ser entendidas com naturalidade e sem cobranças. Indicam que o bebê encontra, em um e outro, as respostas de que necessita. Tudo depende de seu estado emocional ou de suas expectativas mais imediatas. 

Só há necessidade de uma atenção maior (em muitos casos, especializada) se, após o segundo ano de vida, a criança não entrar em sintonia com o mundo ao seu redor, devido a uma excessiva dependência da figura materna.



Zilda Ferreira
Consultoria: Dra. Suzana Vianna de Paula Neves, psicanalista




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