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Bons ou maus, os exemplos vêm de casa

Maquiada, de salto alto e agindo como se fosse gente grande. Quando questionada, a menininha, de três anos, responde: "Mamãe, quero ser igual a você". Certamente, não é só na vaidade que a mãe serve de referência. Tanto ela quanto o pai são exemplos permanentes, educam no silêncio, através de seus posicionamentos e atitudes diante da vida. E isto tem mais credibilidade do que as próprias palavras.


Espelho meu

É claro, o exemplo pode ser bom ou ruim. Um pai, que ingere grande quantidade de bebida alcoólica, ou uma mãe que fuma exageradamente tendem a ser imitados. No caso do álcool, os filhos têm cerca de 40% de chances de adquirir o mesmo hábito, segundo pesquisa norte-americana recente.

Mas, e aqueles pais que bebem, de vez em quando, só para relaxar no final de um dia de trabalho? É como se dissessem "você está vendo o que faço quando estou cansado? Bebo uma dose de uísque, só para relaxar". E a mãe que, quando está nervosa, fuma um cigarro para acalmar? Como poderão, mais tarde, cobrar do filho que pare de fumar ou beber, quando estiver cansado ou nervoso?

Às vezes, esta cópia, se dá ao contrário, de forma espelhada. Por exemplo, a mãe certinha que tem uma filha cheia de piercings. Explicação? O adolescente precisa diferenciar-se descobrir quem é, e, para isso, recorre a atitudes e comportamentos completamente opostos aos que vivencia em casa.


É possível negociar, sim

O maior agente socializador é mesmo a família. Em seguida, a mídia, e não mais a escola, como se pensava. Se a criança vê um uma mulher dançando de forma sensual na tevê pode querer imitar. O que fazer? Tudo, menos estimular a cópia deste modelo, numa adesão silenciosa. Os pais devem filtrar o que considerem aceitável ou não, segundo seus valores. E aí, criticar e até vetar, se for o caso.

Outra situação: sua filha quer uma sandália de plástico, muito cara para o tipo e material. Mas ela vem acompanhada de um batom, e isso, sim, atraiu a vontade da menina. A todo instante, a propaganda aparece na TV. Experimente dar um outro modelo, parecido, só que mais resistente, com um batom também. Assim você estará agradando (a criança vai receber os dois presentes, do mesmo jeito) e não estará desperdiçando dinheiro.


Marcando posição

Que fique bem clara a sua posição. Como? Vamos exemplificar: em uma festinha infantil, alguns adultos dançavam, ao lado dos filhos, músicas de forte apelo erótico. Os que se recusaram a entrar no salão sinalizaram uma mensagem diferente para a criança. E o exemplo é ainda mais forte, caso expliquem o porquê desta atitude.

Educar dá trabalho, mas é prazeroso ver que conseguimos gerar cidadãos responsáveis por seus direitos e deveres na sociedade. Pais humanos, reais, falíveis, porém engajados e comprometidos com a educação de seus filhos. Não basta só amar, é preciso ter compromisso e responsabilidade para educar adequadamente, priorizando virtudes e valores morais tão esquecidos nos dias de hoje.



Lilian Luz
Consultoria: Dra. Cristina Milanez Werner. Mestre em Psicologia Clínica e especialista em Terapia Familiar Sistêmica




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