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Ele é incapaz de pensar no outro. Tira o brinquedo da mão do amiguinho, sem a menor cerimônia. Os pais se aborrecem diante desse comportamento, aparentemente contrário aos padrões de solidariedade e desapego material que tanto defendem. Podem ficar despreocupados. Esta etapa, que se inicia na vida uterina, quando o bebê luta pela própria sobrevivência, costuma persistir até os três ou quatro anos. Depois, é outra história.
No início, tudo bem
Sempre há quem pergunte: a quem esta criança puxou? É claro, papai e mamãe querem ajudá-la a ser mais generosa. Fiquem tranqüilos, por enquanto. Como já dissemos, antes dos quatro anos não há motivo para alarme. Trata-se de um egocentrismo natural nesta fase e passageiro.
A entrada na pré-escola representa um grande passo no sentido da socialização. Entre outras coisas, seu filho aprenderá a partilhar direitos, como a atenção da professora e o uso de materiais. Também enfrentará deveres, como os horários das atividades ou o compromisso de não sujar o chão. Sem a exclusividade, antes garantida pela família, percebe que, para ser aceito nesse novo universo, deve fazer trocas e respeitar limites. E começa a entender que dividir não é perder, mas um meio de multiplicar brinquedos e amigos.
Até lá, haja paciência! E uma dica: vá ensinando que o valor de objetos e pessoas é bem diferente e que, por medo de perder um brinquedo, pode perder um amigo. Aos poucos a criança irá entender o sentido de suas palavras.
E se acontece o contrário?
O ideal é encaminha-la para um certo equilíbrio entre dar e receber. Por exemplo, desejando atenção ou afeto, a criança se propõe constantemente a ceder a merenda ou o carrinho preferido. Isso pode demonstrar uma falta de valorização do que lhe pertence.
Vale considerar ainda que alguns objetos costumam ter um grande valor afetivo, como o ursinho preferido ou a boneca feita pela vovó. Por isso, não devem ser repassados ao amiguinho, sem que se avalie o risco de perdê-los.
A criança ainda precisa de explicações claras e firmes, como: papai teve que trabalhar muito para lhe dar esse brinquedo e não vai comprar outro... Pouco a pouco, ela irá diferenciando, sem culpas, o que é ou não
emprestável.
Nada como o exemplo
O comportamento da família também conta muito. Quantas vezes, em nome da camaradagem, a mamãe obriga o bebê a entregar um brinquedo ao amiguinho, esquecida de que acabou de dizer
não à amiga que lhe pediu um CD emprestado. Também existem papais que, sob qualquer pretexto, negam o uso do computador ao filho mais velho, dizendo apenas:
não mexe, que é meu.
O exemplo talvez seja a maior arma dos pais, no sentido de ajudarem o filho a se tornar a pessoa solidária que todos querem ter em casa.
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