|
De tão iguais, muitas vezes nem os parentes mais próximos conseguem distinguir. Por isso mesmo, a tendência é tratar os gêmeos como se fossem uma única pessoa. O que pode interferir, negativamente, no desenvolvimento de suas personalidades. Aqui, alguns erros comuns.
Nada de roupas idênticas ou de cor semelhante. Cada um dos bebês deve ter seu estilo próprio, que pode muito bem ser diferente.
Muito cuidado para não trocar os nomes na hora de chamar os gêmeos. Eles se ressentem disso mais tarde, desenvolvendo um sentimento de rejeição e tentando provar que são pessoas únicas, que não podem ser confundidas.
Carinho e atenção na mesma medida para as duas crianças fazem com que elas cresçam mais seguras e autoconfiantes.
Se comprar uma roupa para um, dê um livrinho para o outro. Por que eles deveriam ter os mesmos interesses? Melhor que recebam o presente como alguma coisa muito particular.
Os gêmeos não precisam ter brinquedos iguais, já que podem (e devem) compartilhá-los. Ensine-os a trocar, desde pequenos. Mais que isso, cultive o afeto e a solidariedade entre eles.
Não coloque seus filhos para mamar ao mesmo tempo, um em cada seio. Pode até ser mais prático, mas o ideal é que o aleitamento seja feito em separado, para que as crianças se sintam mais confortáveis e desfrutem desse contato tão pessoal com a mãe.
Evite comparações do tipo: "Seu irmão é tão bonzinho e você vive aprontando!" Aliás, isso não é para fazer com nenhuma criança, especialmente as gêmeas.
No carrinho com dois assentos, varie sempre o lugar dos meninos. Quem vai na frente, um dia, senta-se atrás, no outro. Nada de privilégios.
Natação, futebol, piano, flauta, teatro. Deixe que cada um escolha o que gostaria de fazer. Se coincidir, tudo bem, mas não force a barra.
Tem uma fase de birra, sim, de empurra-empurra. Deixe que eles resolvam, sozinhos, suas questões. Claro, se o clima esquentar, entre, logo em cena.
Palavra de mãe
"Há quase três anos, soube da minha gravidez de uma maneira engraçada. Estava em Viena, na Áustria, participando de um congresso, e comecei a sentir muita azia. Tinha tomado um pouco de vinho e achei que era por isso. Mas a menstruação andava atrasada, e resolvi fazer um teste de farmácia. Em menos de um minuto, ele deu resultado positivo.
Não acreditei, de cara, até porque havia perdido um bebê dois anos antes. Liguei para minha médica e para Rafael, meu marido. Quando cheguei ao Brasil, fui direto ao consultório da obstetra. Fiz o ultra-som, mas não conseguimos ouvir os batimentos cardíacos. Passei uma semana difícil, pensando que tinha abortado novamente. No segundo exame, levei o Rafael. Em um certo momento, ele perguntou que imagem era aquela ao lado do bebê. A médica respondeu: É seu outro filho! Foi a maior surpresa.
Depois, soube pela minha mãe que a avó dela teve três casais de gêmeos. Comecei a pensar como seria legal se os bebês nascessem de parto normal. Mas um mioma externo, que surgiu junto com a gravidez, atrapalhou meus planos. Na 37ª semana de gestação, entrei em trabalho de parto e fiz a cesariana, na Casa de Saúde São José, no Rio. Eram duas meninas, Júlia, que nasceu com 2,630 kg, e Victoria, com 2,450 kg; ambas com 48 cm.
Hoje, estão com dois anos e são lindas! Temperamentos completamente diferentes, mas muito amigas. Não se vestem iguais, cada uma tem suas roupinhas, seus brinquedos. São muito ciumentas e demonstram isso quando outras crianças se aproximam de mim. No momento estou usando DIU. Penso em engravidar novamente, mas minha médica disse que tenho grandes chances de ter outros gêmeos. Imagino a loucura que não seria. Mas, se acontecer, tem que ser logo. Já pensou, aos 40 anos? Onde vou arranjar pique para cuidar de quatro?"
Adriana Hinds, 35 anos, dentista
Palavra de obstetra
"A incidência de um parto gemelar espontâneo é de aproximadamente 1/100. Mas, hoje em dia, com o advento das drogas indutoras da ovulação, a gestação múltipla é bem mais freqüente. A emoção, nesses casos, fica ainda maior pelo fato de haver um final feliz para o casal que tinha dificuldades em engravidar e conseguiu atingir seu objetivo, realizando o sonho de ter filhos e continuar a família.
A gravidez de múltiplos não pode ser considerada igual à de um só feto. É uma gestação em que as intercorrências clínicas podem acontecer com mais freqüência (diabetes e hipertensão). E também, os riscos de parto prematuro e de malformações fetais são maiores, assim como o descolamento prematuro da placenta. Por tudo isso, as orientações médicas e os cuidados em relação ao repouso devem ser seguidos rigidamente."
Dr. Carlos Dale, ginecologista e obstetra
|