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Papai, eu quero você!

A criança precisa de carinho e atenção do pai. É claro que ele também adora a companhia dela. Mas, pensando bem, há quanto tempo você não pega seu filho no colo e sente o cheiro gostoso de sua pele? Há quanto tempo não ouve suas risadas, como resposta a uma careta mais engraçada? Tudo isso costuma estar relacionado à falta de tempo. No entanto, acaba gerando uma enorme saudade, o sentimento de estar perdendo importantes experiências.

Uma organização mais efetiva da rotina diária poderá evitar que um pai amoroso tenha que escolher entre os compromissos fora de casa e uma vida mais próxima de seu filho. Com essa providência, a mamãe também deixará de ouvir o célebre: Hoje não dá, meu bem, preciso ler um monte de relatórios, cada vez que tenta mostrar a ele última gracinha da criança.

Parece contraditório. Mas a eterna sobrecarga masculina, geralmente, está ligada ao desejo de manter um lar confortável e aconchegante. O homem sabe que o desenvolvimento do filho depende muito dessas condições. E luta para proporcioná-las à família.


Primeiro, o amor

Vale lembrar, porém, que a boa alimentação ou uma casa confortável, embora essenciais, não respondem a todas as necessidades de uma criança. Ela também precisa - e quanto! - de receber carinho e atenção. E seus pais devem estar preparados para atendê-la, desde os primeiros dias de vida.

No início, é, em geral, a mãe que assume um papel mais direto junto ao recém-nascido: amamenta, dá afeto, aprende a identificar o motivo de seu choro. Cheia de cuidados, dedica a seu bebê uma boa parte do tempo. Nessas horas, conta muito para ela o apoio do parceiro. O neném, é claro, também precisa muito do afeto do pai.

A presença paterna começa a se acentuar mais na vida da criança, quando termina a fase da amamentação. A mudança, conhecida como desmame psico-afetivo, marca, em sua vida, a possibilidade de explorar novas relações além das que mantém exclusivamente com a mãe. É o momento da descoberta do outro. A abertura para o mundo.


A grande atração

Entre um ano e um ano e meio, o bebê imagina o pai grande e forte. Poderoso. Não perde a chance de mostrar a ele tudo que já consegue fazer sozinho: chutar uma bola, descer da cadeira, empilhar objetos, empurrar móveis. São situações em que a aprovação e a admiração paternas têm muito valor, pois fortalecem a confiança em si mesmo.

Sentado no chão ou às voltas também com a bola, o pai se aproxima do filho que brinca. Essa é a forma de comunicação preferida da criança. A observação e o contato emocional através das atividades lúdicas infantis permitem uma maior aproximação entre eles que, nesse jogo, descobrem-se mutuamente.

Nesse encontro, o bebê experimenta sensações diferentes das vividas com a mãe. Nada melhor, por exemplo, do que balançar sobre os joelhos do pai. Ou ver o que acontece, do alto dos seus ombros.

São novas formas de enxergar o mundo, de lidar com o próprio corpo, parte das primeiras noções de limite e autoridade recebidas dele. Mas não só: nestas atitudes de acolhimento, o pai sensível exerce fundamental função materna.



Zilda Ferreira
Consultoria: Jacirema Ferreira, psicanalista. Mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da USP




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