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Como a vovó mudou!

Quietinha, de óculos, em sua cadeira de balanço, ela faz um interminável tricô. Será mesmo, assim? Claro que não. A imagem tradicional da avó saiu, quase completamente, do nosso cotidiano. Em seu lugar, surge a de uma mulher mais participante, dinâmica, cidadã. E o amor pelos netos? Este, sim, continua o mesmo.


Dupla jornada

Atendendo às exigências dos novos tempos, vovó passou a juventude nas fábricas, nas salas de aula, nas repartições públicas. Além do papel de mãe e dona-de-casa, começou a contribuir também para o progresso do país.

Para ela, valeu o desafio de renunciar à segurança do lar e enfrentar o mundo, cumprir uma jornada dupla de trabalho, ser competente nas atividades, até então, dominadas pelos homens: a vovó começou a ouvir falar em independência e liberdade. E renovou suas expectativas em relação ao futuro.


Lugar na agenda

Hoje, essa conquista parece simples. Mas reflete uma mudança nas tradições. Há pouco tempo, o dia-a-dia da avó ainda girava apenas em torno de filhos e netos. Com a certeza de que sua vida não teria maiores novidades, chegava a dizer: estou esperando minha hora.

A mulher moderna corta essa. Nada contra o tricô, é claro. No entanto, há muito mais para fazer. Atualmente, apesar do apego à família, anota em uma agenda cheia de compromissos: ida ao médico, reunião com amigos, cabeleireiro, ginástica, curso de inglês, de informática...E muito mais.


Viva a organização!

Com um saudável roteiro de atividades pessoais, é natural que o tempo tenha que ser bem dosado. A avó aprende, por exemplo, a dar um sinal vermelho quando os filhos deixam as crianças em sua casa - às vezes acompanhadas pelos amiguinhos - justamente na hora em que ela própria desejava se divertir.

A conquista deste estilo de vida - mais estrela e menos satélite - deu à mulher madura o direito de namorar, casar e até descasar, sem provocar espanto. Ligada nos acontecimentos diários, ela participa de atividades sociais e mantém, com segurança e competência, o trabalho no escritório, no hospital, no palco, no tribunal.


Um amor eterno

Apesar de uma nova visão de mundo, muitas vovós continuam sendo o porto seguro dos netos, permitindo, assim, que as filhas trabalhem. Além disso, acompanham tudo o que eles fazem, com prazer e desprendimento. E não deixam, claro, de exercer sua influência sobre as crianças.

Quantas vezes, ajudam a resolver problemas: apanham a Luciana na creche, dão conselhos ao Paulinho, pagam o dentista da Aline. A diferença é que esse carinho eterno, sempre com gosto de quero-mais, vem agora temperado de mais felicidade.

Afinal, a avó moderna é um ser em plenitude, que valoriza a informação, a realização pessoal, a cidadania. E cuida mais de si. Atenta à saúde, permanentemente de olho na beleza, sabe quando procurar o médico ou recorrer ao cirurgião plástico.


É pura sedução

Dona deste novo estilo, conserva, entretanto, um jeito mágico de lidar com as crianças. Deseducadora assumida (verdade ou mito?) seduz o neto com gulodices antes do jantar. Mas quem disse que não é prática e sabe apelar para as vantagens oferecidas por uma ótima confeitaria?

Como termina essa história? Não se sabe. A perspectiva de mais vida e saúde que a Genética abre para a humanidade é a melhor possível. As vovós do futuro vão continuar quebrando tradições. Só há uma exigência: devem manter seu charme inconfundível.



Zilda Ferreira
Consultoria: Márcia Modesto, psicanalista. Terapeuta familiar sistêmica




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