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Violência não é só palmada

A violência costuma estar associada a tapas, palmadas e outras formas de agressão física. Esse tipo de interpretação faz com que muitos pais garantam: Nunca vou maltratar meus filhos! É preciso, porém, que estejam atentos. Algumas atitudes, nem sempre percebidas, também podem deixar uma criança muito infeliz. E profundamente marcada. Pense bem no assunto. Desde já.


De quem são os sonhos?

O desejo de abrir caminho para a felicidade do filho é natural e compreensível. Assim como parece admirável o que a maioria dos pais faz no sentido de oferecer às suas crianças as melhores condições de realização pessoal. Mas é importante que, nesse esforço, não projetem nelas as suas próprias frustrações.

Muitas vezes, buscando prepará-las para o futuro, fazem sua inscrição em mil atividades: natação, artes plásticas, informática, escolinha disso e daquilo. Em geral, estas são as atividades preferidas do casal, sem levar em conta os reais interesses do filho.

Além de não opinar, a criança perde oportunidades de convívio espontâneo com outras de sua idade, e deixa de receber as vantagens que esse convívio poderia oferecer - como a socialização e a aprendizagem. Negada em seu direito de brincar e sobrecarregada de compromissos, ela geralmente queima o entusiasmo por atividades que, mais tarde, poderiam vir a ser úteis em sua vida.


O perigo das comparações

Ansioso para ter um campeão na família, o pai confessa: Meu sonho é ver você jogar tão bem quanto o filho do vizinho. Outras vezes, querendo estimular, a mãe diz: Fulaninho se veste sozinho. Só você não consegue. Seriam essas atitudes estimulantes? Nem sempre. As comparações geralmente fazem com que a criança se sinta desqualificada. Além de deixá-la confusa e sem condições de reconhecer o que, na verdade, pode realizar.

Alimentar esse tipo de sentimento em seu filho pode fazer com que ele, procurando reagir ao sofrimento, assuma um comportamento hostil e agressivo, especialmente em ambientes desafiadores.


Filho não é pombo-correio

Quantas vezes, por falta de boa comunicação, os pais transformam a criança em intermediário de suas disputas. São horas em que o marido (ou o ex) reclama: Sua mãe não sabe controlar as despesas. Diz a ela que eu não tenho uma fábrica de dinheiro. Também pode ser a mulher a reclamar do companheiro ou do ex: Pergunte a seu pai quando é que ele vai levar o carro para a oficina.

Muitos casais separados (atitude igualmente presente nos que vivem juntos) deslocam a criança do seu papel, empurrando-a para um lugar que não é o dela. Afinal, é desrespeitoso usá-la para agredir o parceiro ou ex-parceiro. Os adultos devem enfrentar e resolver por sua conta os bloqueios de comunicação.


Promessas nem sempre cumpridas

A menina espera a companhia do pai para o desejado programa, em que vai aprender a andar na bicicleta nova. No dia combinado, ele sai para fazer outra coisa sem dar a mínima explicação. Em outras situações, para obter da criança um bom comportamento ou uma boa nota, a mãe promete um belo presente no Natal. E nunca mais fala do assunto.

É importante não cair nessas armadilhas, que estimulam a desconfiança nos filhos. Muitas vezes, naturalmente, os projetos da família têm que ser alterados. Mas quando isso acontece, é essencial dar uma imediata explicação à criança. Dessa forma, ela não verá como mentirosas as duas pessoas mais importantes de sua vida: vocês. E mais: se sentirá respeitada e participante, além de aprender a levar a sério seus compromissos.



Zilda Ferreira
Consultoria: Márcia Modesto, psicanalista. Terapeuta familiar sistêmica




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