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Meu filho não quer comer!

Primeiro, é preciso observar melhor se a criança realmente não esta comendo nada. Será que, ao contrário de pouco apetite, não é o prato que está cheio demais? Vale lembrar que criança não é adulto pequeno. Cada uma é pessoa única, com necessidades nutricionais específicas da idade e proporcionais ao seu próprio gasto de energias. Assim, o Pedrinho come mais que o Joãozinho, ficando claro que ambos têm uma saúde de ferro. 

Outra questão a ser lembrada é se a refeição recusada não acaba sendo substituída pela mamadeira. Seu filho certamente já notou que a birra na hora de comer faz surgir aquele leitinho de que tanto gosta. Daí a manter a boca fechada é um pulo. 


Costuma resolver

Experimente colocar pouca quantidade no prato de cada vez. Uma montanha de comida é, no mínimo, desestimulante, dá vontade de desistir.
Não force para que a criança coma tudo, mas, caso isto aconteça, elogie e...repita a dose. 
Evite oferecer líquidos (água ou sucos) durante as refeições. Deixe para depois ou reserve para os intervalos entre elas. Tudo para preservar o apetite.
Se a criança recusar os outros alimentos pedindo mamadeira, insista para que coma. Caso isto não aconteça, dê a mamadeira com uma quantidade de leite, cada vez menor. Quando seu filho reclamar de fome, ofereça de novo a comida.
Não permita que coma biscoitos e iogurtes em excesso nos intervalos. Opte por uma fruta que é saudável e digerida em menos tempo, o que garante a fome na hora da refeição. 


1 a 2 anos

Eles preferem brincar

A partir do primeiro ano de vida, a prioridade absoluta é se movimentar, aprender a andar sozinha, brincar. Quem disse que a criança vai largar o que está adorando fazer só por que está na hora do almoço? Uma boa idéia, então, é começar a chamá-la uns dez minutinhos antes para que conclua a brincadeira e almoce em paz, sem brigas. 

É importante que ela se adapte a esta rotina: horário certo e o seu lugar de comer. No fim de semana, é claro, pode-se abrir uma exceção para não prejudicar o programa da família. Mas, veja bem, trata-se de uma exceção. A regra é diferente.


Se a criança se mostra ativa e sua curva de crescimento (peso e altura) é normal para a idade, não há porque se preocupar. Qualquer dúvida, converse com o pediatra. E nunca dê remédios, estimulantes de apetite ou vitaminas, sem consultá-lo antes. 

O que agrada

Sabores doces; alimentos na consistência de purês; comidas com um pouco de sabor, por exemplo, um pouco de sal ou temperadinha com um pouco de cebola.

O que não faz sucesso

Verduras. (coma saladas na frente de seu filho. Os pais servem de espelho para suas crianças); legumes. (arrume o prato bem colorido); alimentos salgados, temperados demais ou com muito molho; frutas ácidas; novidades diárias no cardápio.


2 a 3 anos

Não, não e não

Seu filho vai ganhando mais independência e poder de escolha. Sabe melhor o que quer, recusa com furor o que não lhe agrada. Por volta dos dois anos, inclusive, o ritmo de desenvolvimento é menos acelerado, ocasionando, muitas vezes, uma certa perda de apetite. Além disto, ele pode estar apaixonado pela sua nova arma: a palavra “não”. Costuma utilizá-la para tudo. Tudo é “não”. Para seu consolo vale dizer que se trata de uma fase que, felizmente, vai passar. 

O que agrada

Sabores doces; macarrão, arroz e feijão; carnes em geral; alimentos temperados com pouco sal ou cebola; batata frita (faça em casa, com óleo de canola e usando este óleo somente uma vez).

O que não faz sucesso

Verduras; legumes (capriche no colorido do prato); alimentos salgados ou ácidos demais, como certas frutas


O direito dos pais

Papai e mamãe também têm todo o direito à negativa. Por exemplo, não querem que seu filho coma andando pela casa, vendo televisão ou que jogue comida no chão e para o alto. Nem se comprometem a fazer da hora das refeições um festival de mágicas, cantorias e brincadeiras. 

Se a geladeira está cheia de coisas gostosas, criança alguma morre de fome. A regra é simples. Então, nada de ansiedade, mamãe. Comer é um hábito natural, não precisa ser motivo de castigos ou prêmios. Caso o bebê sinta que você não se descabela ou perde e controle quando ele se recusa a limpar o prato tudo fica mais fácil de resolver.

Deixando de chamar sua atenção e de manipular os horários e cardápios pelo poder de uma boquinha fechada, aos poucos ele se transformará. Talvez não seja um grande gourmet, mas uma pessoa que se alimenta bem e moderadamente. E esta é uma rotina saudável para toda uma vida.



Sylvia Leal
Consultoria: Dra Paula Stockler, pediatra. Mestre em Saúde




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