|
O primeiro ano de vida é marcado por uma explosão de sensações: o bebê começa a andar, falar, comer sozinho. Guiado pelos sentidos, mexe, sobe, desce, puxa, empurra, coloca tudo na boca. Sente-se, naturalmente, o dono do mundo. Mas falta-lhe a noção de perigo para atender, sem riscos, a todos os estímulos.
Sempre de olho
Nessas horas, papai e mamãe estão por perto. Atentos, explicam ao filho, por exemplo, que o forno queima sua mãozinha, que ele pode cair e machucar a cabeça. Com estas atitudes, começam a definir limites, fundamentais na vida dele. Com o tempo, os interesses mudam, mas não a necessidade que a criança tem de pesquisar. E é a mesma curiosidade que a leva a testar as possibilidades do corpo, a capacidade de resistência dos pais, a própria capacidade de acertar. Isso ocorre porque, a cada dia, ela precisa descobrir mais e mais.
É natural que vocês nem sempre estejam preparados para lidar com muitas dessas pesquisas. Mas há o risco de cercearem as iniciativas e até a criatividade dos filhos. O que - embora indesejado - é preferível à total liberação de certos atos infantis. Os especialistas comparam esse cuidado à mesma atitude diante de um carro sem freios: é preciso evitar que perca o controle. As crianças precisam, portanto, de orientação, limites e permissão nas diversas fases do seu desenvolvimento, para aprenderem a lidar com elas.
Sem receitas
A dificuldade aumenta diante da certeza de que não existem fórmulas exatas para educar. Como todas as pessoas, cada filho é único e diferente: um mais tímido e acomodado, outro mais ousado e transgressor. Um precisa de mais estímulos, outro de mais controle. O essencial é que essas diferenças sejam sempre consideradas, pois uma única medida pode atingir o alvo errado.
Tal atenção se justifica, especialmente, por que a criança costuma sentir uma grande insegurança diante do desconhecido. Os pais precisam entender e aceitar muito bem esse sentimento. Assim, evitarão precipitar decisões e limites que ela ainda não tem condições de superar. Se o filho não quer fazer o passeio da escola, é importante animá-lo, dizer como ele vai se divertir, porém sem obrigá-lo a ir e nem mostrando qualquer desapontamento diante da outra decisão.
Em cada situação
Outra exigência é começar na hora certa. Um bebê de poucos meses pode morder o outro sem perceber que está machucando. Mas precisa ser advertido para que, aos dois anos, não use a mesma mordida diante de uma insatisfação momentânea, e assim, sucessivamente, por outros motivos.
Para evitar essa e outras formas inadequadas de comunicação, a criança deve aprender, desde muito cedo, o que representam os limites.
Ao aprender a respeitar o brinquedo do amiguinho, seu filho se prepara para seguir as regras sociais e
viver em coletividade. Neste sentido, conta muito o pensamento comum do casal.
Se, no entanto, vocês discordarem, devem evitar discussões diante da criança, para que um não desautorize o outro. Numa sociedade, em que novos valores ainda não substituíram totalmente os antigos, os pontos de vista de cada família precisam, sempre mais, de firmeza e coerência.
|