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Seu filho vai à pracinha todos os dias, se encontra sempre com as mesmas crianças e parece ficar à vontade ao lado delas. Você quer saber: sinal de amizade? "Na realidade, amizade envolve afeto, troca na relação e isso só vai aparecer por volta dos seis ou sete anos. Antes, o que surge é um certo suporte para futuras relações afetivas de amizade", explica Elisabeth Salgado, psicopedagoga e terapeuta familiar.
No começo, só a mamãe
Até o terceiro mês de vida o recém-nascido não tem consciência da existência de outras pessoas. Ele ainda não se entende como alguém separado da mãe. A partir dessa idade, já começa a perceber mamãe e papai. Com um aninho, observa outras crianças, mas não interage. Apenas brincam lado a lado. Aos dois anos, sabe que está rodeada de outras crianças, mas não se interessa muito por elas e sim pelo que elas podem oferecer, como um brinquedo, por exemplo. É uma fase bastante egocêntrica.
Aos quatro anos, dá para notar que brincam juntas, embora ainda não exista uma troca. Incentive seu filho a convidar amiguinhos da escola ou da pracinha para brincar em casa. Ele aprenderá mais rapidamente a compartilhar. Com seis anos, sim, a criança está pronta para aceitar regras de convivência. É hora de fazer amigos de verdade.
Não se pode esquecer o que ocorreu até aqui. Os primeiros anos de vida são importantíssimos, pois é nessa fase que o bebê vai aprendendo como ser amigo, por isso é fundamental estar sempre rodeado de crianças de sua idade. Quanto mais cedo esse contato, melhor. Filhos únicos podem ter maior dificuldade de relacionamento. Depende dos pais colocá-lo em contato com outras crianças.
O exemplo dos pais
Quando se fala de amizade a palavra-chave é acolhimento. "A criança tem que se sentir pertencendo ao grupo, aceita pelos pais, avós, babá, creche. A premissa é seu eu não sou aceito, como posso aceitar o outro?. E essa aceitação vem de longe. Desde o útero o bebê tem que se sentir desejado, querido. É como uma semente que um dia vai germinar.
E o papel dos pais vai muito além disto. Afinal, os filhos se espelham na relação que o pai e a mãe têm entre si e absorvem se ela é amistosa, se há ou não uma boa comunicação entre os dois. " É difícil a criança ser diferente do exemplo de seus pais." Diz a Dra.Elisabeth.
Para ser um bom amigo é preciso ter limites e saber lidar com as diferenças. Cabe aos pais ensinar aos filhos mais esta lição: não discriminar ninguém. Os amiguinhos podem ser diferentes; gordinhos, altos, baixos, terem um sinal na pele, usarem óculos... Em situações de conflito os pais devem agir como mediadores, levando o filho a se colocar no lugar da outra criança.
Duas frases são bem-vindas: "o amiguinho vai ficar tão feliz se você emprestar sua bola" ou "hoje você é o super-herói, mas amanhã é a vez dele". "Como podemos perceber, a família um papel fundamental na construção da amizade", diz Dra. Elisabeth.
A difícil divisão
De início, o mais difícil é dividir, os brinquedos ou mesmo a atenção da mãe. Outra questão complicada é quando a criança cresce um pouquinho e percebe que o outro é diferente dela, inclusive, com vontades próprias. Temos que ajudá-la a compreender isso, aceitar e até a ceder, muitas vezes. É importante também que se torne autoconfiante, o que se consegue deixando, desde pequenina, que ela tente resolver os seus problemas sozinha.
E se a criança preferir ficar isolada com seu brinquedo, mesmo estando rodeada de amigos? "A necessidade de interagir varia de criança para criança. Algumas são tímidas ou têm dificuldade de relacionamento. Essa é uma característica que pode acompanhá-la para o resto da vida. Os pais têm de estar atentos e respeitar o desejo do filho de, em certos momentos, ficar só. O relacionar-se com os outros não deve ser uma obrigação. Deve nascer, isto sim, do desejo e da auto-confiança da criança em sentir que é bom estar junto das demais", diz Dra. Elisabeth.
Quer saber mais?
Uma boa dica é o livro As regras da amizade, da consultora em aprendizagem Natalie Madorsky Elman e da psicoterapeuta Eileen Kennedy-moore (Editora M.Books). Baseadas em pesquisas e estudos clínicos elas descreveram alguns tipos de crianças com problemas de amizade: a tímida, a de alma sensível, a vulnerável, a sonhadora, a líder e assim por diante.
Natalie e Eileen alertam para a importância dos pais trabalharem a personalidade do filho em vez de ir contra ela. "Trata-se de crianças normais e inteligentes que ainda lutam para ser aceitas. Mas que não entendem ou não reconhecem o comportamento dos demais. Dessa forma, um estilo apropriado de orientação pode fazer com que se sintam mais capazes, à vontade e confiantes de que podem construir e manter relacionamentos plenos", concluem.
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