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Alimentação, genética, exercícios físicos, o que influi mais diretamente no crescimento das crianças? Em conversa com Topbaby, a Dra. Izabel Calland Bezerra, professora de Endocrinologia Pediátrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, esclarece as principais dúvidas de mães e pais.
TopBaby Que fatores mais influenciam o crescimento?
Dra. Izabel São muitos, mas o principal é a nutrição. Alimentação adequada = crescimento adequado. Um mínimo necessário de calorias, em refeições balanceadas, já garante um desenvolvimento satisfatório.
TopBaby O que seria uma alimentação equilibrada?
Dra. Izabel Uma dieta composta de frutas, legumes e carnes frescas, usando-se sal e açúcar com moderação. Nos fins de semana, não há nenhum problema em se substituir o jantar por um sanduíche, por exemplo.
TopBaby Alimentação equilibrada é alimentação supervariada?
Dra. Izabel Não necessariamente. Grandes variações e a preocupação em não repetir pratos são válidas quando o bebê começa a experimentar alimentos pastosos. Depois, ele próprio passa a fazer suas escolhas. Os pais podem e devem insistir no que as crianças gostam mais.
TopBaby Qual a importância da genética na altura?
Dra. Izabel É tão importante quanto a alimentação. Normalmente projetamos a altura da criança fazendo uma média entre a do pai e a da mãe. Mas, existe a influência genética de gerações anteriores também. Mesmo assim, de modo geral, adultos baixos têm filhos de baixa estatura. A boa nutrição não reverte a genética, mas influi positivamente no crescimento.
TopBaby As crianças de hoje estão mais altas. O que mudou?
Dra. Izabel Existe, realmente, uma mudança no patamar da altura, que varia, mais ou menos, de duas em duas gerações. Há um crescimento gradativo, a cada uma delas, e isso se deve basicamente à melhoria das condições sociais.
TopBaby Quando uma criança precisa de tratamento para crescer?
Dra. Izabel As tabelas de curvas de crescimento fornecem uma média, com variações, para cima e para baixo. O mais importante é que a criança cresça, a cada mês, como a maioria das de sua idade. Por exemplo: duas meninas de três anos, uma com 85 cm, e outra com 1m. Se ambas estão ganhando quatro centímetros, a cada seis meses, não há motivo para preocupações.
TopBaby Como o pediatra pode ajudar no crescimento?
Dra. Izabel Primeiro, verificar se existe algum desequilíbrio nutricional, seja por subnutrição ou pela ingestão de comidas inadequadas, como refeições muito gordurosas. Depois, pesquisar possíveis distúrbios do metabolismo, que possam afetar a capacidade de digerir e absorver gorduras, hidratos de carbono e proteínas. Por causa disso, a criança perde peso, reduzindo sua velocidade de crescimento.
TopBaby Existem outras causas?
Dra. Izabel Sim. Crianças com distúrbios hormonais entram na puberdade mais cedo. Com isso, o tempo de crescimento é abreviado, e ela tende a ficar mais baixinha. Se o problema for endócrino, tenta-se a reposição hormonal.
TopBaby Este tratamento não tem efeitos colaterais?
Dra. Izabel Tem e, por isso, deve ser usado com muito critério. Com a reposição, rapidamente a criança ganha alguns centímetros. Só que, ao mesmo tempo em que a medicação acelera o crescimento, causa, mais precocemente, também, sua interrupção. Assim, seu filho corre o risco de ficar baixinho mesmo que, em determinado momento, tenha espichado mais. Além disso, o hormônio do crescimento influencia o metabolismo do açúcar no sangue, alterando a taxa de glicose. E tem outro agravante ainda: pode causar distúrbios nas glândulas supra-renais.
TopBaby É verdade que se duplicarmos a altura de um bebê com dois anos, teremos sua altura final?
Dra. Izabel Isso é um mito. Existem muitas variáveis no meio do caminho. Aos dois anos, o bebê passa por estirões de crescimento. A entrada, mais cedo ou mais tarde, na puberdade, também irá influenciar na altura.
TopBaby Existem realmente as "dores do crescimento"?
Dra. Izabel Existem e são muito comuns, principalmente na faixa dos seis anos. Em geral, aparecem na região anterior da perna e são atribuídas ao crescimento rápido do osso. Como ele é coberto por uma membrana enervada, extremamente sensível, seu estiramento incomoda à criança. Não é uma dor forte e desaparece com analgésico.
TopBaby Se a criança se queixar deste tipo de dor, o que fazer?
Dra. Izabel Procurar o pediatra para uma avaliação. Provavelmente, o diagnóstico será estirão do crescimento. Se a dor se repetir com freqüência, vale uma investigação mais detalhada.
TopBaby Exercícios físicos favorecem o crescimento?
Dra. Izabel Praticando atividades físicas, a criança tem mais apetite, come melhor, o que é um ótimo caminho para um desenvolvimento saudável. Mas os exercícios em si não produzem hormônios que estimulem o crescimento.
TopBaby O que dizer a uma mãe que reclama porque o filho come pouco?
Dra. Izabel Esta é uma queixa muito comum e, muitas vezes, improcedente. Normalmente, depois de uma avaliação clinica, verificamos que a criança está com o peso e a altura compatíveis com a idade. Mas se os pais não concordam com isso, fica muito difícil convencê-los. Para uma mãe aflita, eu diria que o importante não é crescer sempre, mas manter o ritmo do crescimento.
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