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Começando a falar

Você mal consegue acreditar: pela primeira vez, o bebê disse mamãe. Ou terá sido papai? Não importa, a novidade é maravilhosa. Prepare-se. Com o aumento do vocabulário e a evolução da linguagem, seu filho terá a inteligência cada vez mais estimulada e promete outras novidades, igualmente emocionantes.

A fala é produzida pela interrupção do ar que sai dos pulmões, com os movimentos dos lábios, da língua e do palato mole. Para isso, são necessários um aparelho fonador normal e uma boa audição. O ambiente familiar favorável e os estímulos adequados, desde os primeiros dias de vida, também ajudam bastante.


Pequenos grandes detalhes

O que fazer? Conversar muito com o neném, olhando-o de frente e pronunciando devagar e corretamente cada palavra. Ou seja, nada de mamã, mas mamãe; em vez de papá, papai! Evite, ainda, abusar dos diminutivos e do estilo tatibitate. São cuidados importantes, porque é através do que ouve em casa que a criança formará a fala e a linguagem (bases para a alfabetização). As informações recebidas na creche e na pracinha influenciam bem menos.


Caminhos da comunicação

Os primeiros sons que produzimos, na fase pré-linguística, são chamados de vocalização (três primeiros meses), consonantização (entre os três e seis meses) e silabação (dos seis aos nove meses). Começa pelos balbucios, aparentemente sem sentido, passa por expressões como , , quê, , chegando, finalmente, ao papá e mamá, com que os bebês encantam toda a família. A participação dos pais, como incentivadores e modelos, continua indispensável.

Por volta de seis meses, a criança começa a vocalizar e, se usa chupeta, deve restringi-la à hora de dormir, para ter tempo e chances de exercitar bem a fala. Quando devidamente estimulada, chegará aos quatro anos dominando todos os sons da língua (os fonemas) e apresentando uma boa comunicação verbal.


Pode atrapalhar

Alguns fatores podem dificultar o aprendizado da fala, impedindo sua evolução normal. Como as lesões auditivas, que interferem no conhecimento e na reprodução dos fonemas. Ou certas alterações no cérebro, prejudiciais à organização da codificação (fala a ser emitida) ou da decodificação (compreensão da fala ouvida).

O retardo mental, com freqüência, é acompanhado por problemas da fala: a criança se isola, age do modo inflexível, repete movimentos, parece não ouvir bem. Vale lembrar, no entanto, que um bebê sem problemas também pode começar a falar mais tarde. Por isso, sempre que houver alguma dúvida, é melhor procurar o pediatra, o otorrino ou o fonoaudiólogo.


Primeiras avaliações

Observe as reações de seu filho e confira se ele tem qualquer tipo de dificuldade na comunicação:
Entregue um brinquedo a ele e peça, sem gestos e em tom normal: Dá para a mamãe?
Pergunte: Quem é o neném?
Mostre uma foto ou desenho e sugira que aponte figuras conhecidas.

Estes testes não valem, claro, para comparar o desenvolvimento dele ao de outras crianças da mesma idade. Cada uma tem seu ritmo próprio, o que justifica que algumas falem, engatinhem ou andem mais cedo que outras.



Zilda Ferreira
Consultoria: Dr. Márcio Vasconcelos, neuropediatra




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