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Você está na terceira semana de gestação. No útero, uma fina camada de células do embrião se dobra para dentro, formando uma espécie de cilindro: o tubo neural. Na semana seguinte, ele se fecha, dando origem ao cérebro - uma incrível máquina que alcançará 50% de seu desenvolvimento no primeiro ano do bebê. E irá trabalhar incansavelmente até o final da vida.
Gravidez sadia X Desenvolvimento cerebral
Toda a atividade cerebral intra-uterina é comandada geneticamente, mas o resultado final depende - e muito - das condições em que a gravidez se desenvolve. Entre os fatores que influem negativamente, estão: uso de drogas, cigarro ou álcool, má nutrição materna, exposições à radiação e infecções diversas.
Durante os nove meses de gestação, o cérebro do futuro bebê vai produzir muito mais neurônios (ou células nervosas) do que jamais irá usar. Quando ele nascer, já serão 100 bilhões. O novo desafio? Criar sinapses, ou seja, ligações entre estes neurônios, que irão estabilizar e permitir o funcionamento cerebral em sua totalidade. Isso acontece imediatamente e em uma velocidade fantástica.
Com um trilhão a mais de conexões estabelecidas do que o necessário, logo começa uma nova etapa: selecionar as sinapses necessárias ao aprendizado, à formação de novas sinapses e eliminar as excedentes. Todas essas vivências estimulam o desenvolvimento do cérebro e preparam o intelecto da criança.
Enquanto isso, o tronco cerebral, região que controla funções vitais, como batimentos cardíacos e respiração, encontra-se em plena atividade. E é o responsável pela vida primária desse pequeno ser.
Primeiro ano: desenvolvimento pleno
Ele agora já está com dois meses de idade. As áreas que comandam a percepção sensorial do mundo entram em ação. Seu filho passa a reagir de maneira mais instintiva aos estímulos visuais acompanhando, com os olhos, os objetos coloridos a sua volta. Também reage de forma diferente aos sons, podendo reconhecer a voz de vocês.
Aos três meses, cria o que se chama de alças sensório-motoras, relacionando seu corpo com aquilo que é capaz de ver. Um exemplo: quando olha para a própria mão e a leva até a boca. No quarto mês de vida, o córtex passa a desenvolver as conexões necessárias para a visão em profundidade.
O sexto mês marca um grande avanço na área motora. Seu filho consegue sustentar a cabeça e também se sentar. Antes de completar um ano, os centros responsáveis pela fala estarão prontos. A qualquer hora, ele dirá sua primeira palavra. Um momento mágico, especial e que vai promover uma verdadeira revolução em todo o metabolismo e na sua relação com a família.
Até os 10 anos, atividade máxima
Por volta de dois anos, o cérebro da criança realiza o dobro de sinapses (15 mil por neurônio) e consome também o dobro de energia que o de um adulto. Esse patamar vai se manter até os 10, 11 anos.
Ao completar três anos, o bebê alcança um outro nível de compreensão do mundo. E consegue representar o próprio pensamento através de rabiscos no papel. Uma conquista muito importante. Afinal, não adquiriu ainda o desenvolvimento motor pleno para expressar o que já aprendeu sensorialmente.
Até o décimo ano, o cérebro vive seu período de maior crescimento. Dali em diante, até o final da vida, eliminará as conexões mais fracas, menos utilizadas ou estimuladas, preservando aquelas mais enriquecidas pelas experiências positivas do dia-a-dia. E quanto mais amáveis, agradáveis e educativas forem essas vivências na infância, mais chances a criança terá de se transformar em um adulto saudável e feliz.
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