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Tudo ia às mil maravilhas. Seu filho merecia repetidos elogios pela independência conquistada. De repente, tudo mudou. Ele se recusa a dormir sem que alguém fique ao lado, segurando sua mão até que pegue no sono. Ou, depois de ter deixado as fraldas, voltou a fazer xixi na cama. Será que esqueceu o que já sabia? Desaprendeu?
Voltando atrás
O aprendizado é uma escalada que não exclui certas regressões. Esse passinho para trás é esperado e normal. O processo de desenvolvimento está longe de ser uma linha reta e contínua. Ao contrário, mais parece um caminho sinuoso e acidentado, cheio de idas e vindas.
E apesar de imaginarmos a infância como uma fase cor de rosa, ela envolve enormes inseguranças, medos, fantasias. Desafios tanto físicos, quanto emocionais. E, de vez em quando, a única maneira de suportar a pressão é recuar, como que buscando tranqüilidade e proteção, em atitudes já conhecidas.
Nós, adultos
Pensa que estamos livres disto? Pois agimos igualmente. Experimentando sensações ou situações desagradáveis, tendemos a nos refugiar em um passado emocional, quando éramos mais felizes e nos sentíamos mais confortáveis. Note como, em um ambiente tenso de trabalho, no qual ninguém sabe como agir, sempre aparece alguém disposto a contar uma piada. Para não falar que, estando tristes, costumamos adotar inconscientemente a posição fetal. Quer mais?
Acontece que, nem sempre, as crianças conseguem ficar no processo rememorativo, imaginário. Por serem mais concretas, elas revivem estes momentos, também a nível corporal. Adotam atitudes e comportamentos próprios desta época já vivida e, saudosamente, lembrada.
Bons motivos
Brigas constantes entre os pais, a chegada de um irmãozinho, mudança de casa ou de escola, afastamento de uma pessoa querida, atividades cansativas ou mal programadas, um clima de nervosismo no ar... Como vemos, muitas podem ser as causas, capazes de desencadear comportamentos imaturos. Na faixa dos dois anos, inclusive, este quadro parece se agravar. Afinal, é quando o bebê começa a ampliar seu universo, freqüentando a creche e a pracinha, por exemplo.
Perdas e ganhos
Diante da idéia de que seu filho regrediu (o que tem sabor de algo velho, antigo e abandonado), procure constatar se alguma coisa o agride, observe os fatores desconhecidos ou estressantes, com os quais está tendo que lidar.
Vale lembrar que o crescimento traz ganhos imensos. E perdas. Comer sozinho é ótimo. Mas e pensar que, com isso, provavelmente, ele teria menos a companhia gostosa da mamãe ou do papai, brincando e dando comidinha na boca? Esta independência pode ser sentida como um risco. Faz com que muitos continuem querendo agir como bebês frágeis e dependentes.
Com muito amor
É claro que há necessidade de redobrar a atenção. Paciência, igualmente em dobro. Se os pais passam o tempo todo reclamando, se queixando, repreendendo os deslizes, pode ficar ainda mais difícil superar esta fase.
Agressividade - bater ou morder - nem pensar. Mas não há tanto problema, quando se faz xixi na cama de novo ou só se dorme de luz acesa, não é mesmo? Até porque, daqui a pouco, com amor e muito carinho, tudo estará de volta ao normal. |