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O sonho de todos nós, sem dúvida, é ter um filho que esbanje saúde, viva adaptado socialmente e cresça responsável por si mesmo, preocupado com o outro e com o mundo em que vive. Não há nada a se reprovar nesta expectativa positiva dos pais, quando eles desejam o melhor e se esforçam para garantir isso à sua prole.
O risco está em pensar que o filho não adoecerá jamais - nem gripes vai ter! - não enfrentará desvios em seu desenvolvimento, nem certas dificuldades no processo de socialização e aprendizagem. Nós bem queríamos que fosse assim, mas não é. Só que tais obstáculos são naturais e não significam, necessariamente, a tão temida falta de vitalidade.
Questão de ritmo
Se a criança demora um pouco a falar ou se parece ter estacionado em uma etapa do andar, se volta a fazer xixi na cama, depois de já haver parado, nada disso, por si só, representa uma complicação mais séria. Cada uma tem seu ritmo próprio, que deve ser respeitado. Há aquelas mais dispostas a ganhar precocemente uma autonomia no caminhar e outras que são tagarelas e querem conversar desde cedo.
Além das habilidades individuais específicas para cada área, há ainda que se levar em conta as experiências oferecidas pelo meio. Por exemplo, em casa de pais que vivem ao ar livre e adoram esportes, é provável que o bebê engatinhe, ande, suba escadas e corra mais cedo. Já em famílias onde há livros por toda a parte e as pessoas cultivam um permanente bate-papo, ele pode se destacar pela facilidade com que assimila e reproduz sons e, depois, palavras.
O importante é percebermos que não há padrões rígidos, evitando também as comparações com o filho da vizinha e os primos, que sempre parecem mais bem nutridos
(olhe só como o fulaninho come, meu filho não mama direito...) e sabichões (ele já diz umas dez palavras, o Lucas mal diz mamã...).
Vencendo desafios
Adultos negativos - pais, professores, terapeutas - que não acreditam na superação acabam se tornando prejudiciais. Muitas crianças trazem aos consultórios a história de uma determinada dificuldade e o conseqüente clima de descrédito que encontraram na escola. Mais tarde, este descrédito pode se transformar em um sério problema de aprendizagem.
Saúde tem conceito amplo. Que não exclui as diferenças. Na tentativa de defini-la, talvez se possa falar na busca de um ponto de equilíbrio. Exemplo? Uma criança portadora de deficiência auditiva que convive com suas limitações, desenvolvendo-se ao máximo dentro delas, que se sente amada, estimulada a prosseguir, tem amigos, freqüenta a escola, se diverte, brinca... Quem disse que não vive equilibradamente e bem? E que não é feliz? O mesmo se poderia dizer das que têm diabetes ou síndrome de Down: por que estariam impedidas de levar a vida de uma forma saudável?
Ensinar os filhos a conhecerem seu corpo, a cuidarem dele com carinho, identificando as coisas que o agridem. Hoje, o amendoim, o chocolate. Amanhã pode ser o cigarro e o álcool. Por que deixar para a adolescência? Comece logo, enquanto são pequenos. Busque o melhor para eles, mas ensine-os, também, a se sentirem responsáveis pelo que não é mais visto como uma dádiva e, sim, como uma decisão - ter saúde. |