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É tempo de dengue!

O tempo quente, mesmo depois do verão, traz a dengue de volta, preocupando a população e aumentando, consideravelmente, as estatísticas dos órgãos oficiais de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 80 milhões de pessoas são contaminadas, anualmente, pelo vírus da doença. Prevenir não basta: o aedes aegypt está no ar, e precisa de atenção permanente.


Um pequeno grande inimigo

O nome dele já é nosso velho conhecido: aedes aegypt, um mosquito de coloração marrom ou preta, rajado de branco, e medindo menos que um centímetro. Mas, altamente perigoso: ele é o transmissor da dengue, uma doença de origem virótica, que se alastra com maior freqüência no verão. Isso porque as altas temperaturas aliadas às chuvas típicas da estação favorecem a proliferação mais rápida do inseto, que se desenvolve em locais de água limpa e parada.


Somente a fêmea

Ela é a única transmissora da doença. Ao picar alguém infectado, adquire o vírus, que leva de oito a 12 dias para se desenvolver em seu corpo. A partir daí, é capaz de infectar, em 45 dias de vida, 300 pessoas em média. Para se reproduzir, procura locais escuros ou sombreados com água cristalina, onde deposita seus ovos, que nestas condições ideais, rapidamente tornam-se novos transmissores em potencial da dengue.


Atenção!
Não existe contágio direto (pessoa para pessoa) nem através de água ou alimento. Somente a picada do aedes aegypt causa a doença, que se manifesta entre três e 15 dias depois da contaminação.


Dois tipos, quatro vírus

A chamada dengue clássica corresponde, em geral, à primeira vez que se contrai a doença. Em uma segunda contaminação, o risco maior é para a hemorrágica, mais grave e que pode ser fatal. Já os vírus são quatro: I, II, III e IV, sendo que este último ainda não foi detectado no Brasil.


Como identificar

No começo, pode parecer uma gripe forte: febre alta, dor de cabeça (atrás dos olhos), no abdômen, no corpo, nas articulações e nos músculos, náuseas, vômitos, falta de apetite, cansaço. Mas, também, diarréia, manchas vermelhas na pele de todo o corpo, exceto nas palmas das mãos e pés, caracterizam a dengue clássica.


No bebê, outros sintomas

Ao contrário dos adultos, nos bebês a doença não causa dores musculares, olhos vermelhos ou reação à luz. Ele tem febre (oito a dez dias) e fica com a pele coberta de pintinhas vermelhas ou manchas arroxeadas. Em geral, o médico recomenda a internação, enquanto são feitos testes de sangue e urina. E até que saia o resultado da sorologia para dengue (em geral, depois de sete dias), a criança deve ser acompanhada de perto.

A alta hospitalar só vai acontecer quando desaparecerem as manchinhas no corpo e o número de leucócitos chegar ao nível satisfatório. O tratamento continua em casa, seguindo a orientação do pediatra. Caso haja perda de peso, será compensada com o soro, que hidrata e repõem os nutrientes necessários.

Em dez dias, com cuidados e muita atenção, seu filho poderá sair da crise. Mas na fase de recuperação, não o leve a lugares abafados, muito fechados: apesar da melhora, seu organismo ainda não atingiu total capacidade de defesa.


Proteja o quarto dele

Telas protetoras nas janelas e na porta do quarto, cortinados no berço, fechados 24 horas por dia e lavados a cada dois dias, para não acumular poeira. Também espirais ou vaporizadores elétricos principalmente ao amanhecer e no final da tarde. Acredita-se que o mosquito da dengue ataque mais nas primeiras horas da manhã e à tardinha, mas não convém arriscar. Se o pediatra liberar, passe repelentes específicos em todo o corpo do seu filho, reaplicando após o banho.


Grávidas e mamães, ao primeiro sinal...

Procure seu médico. Ele vai pedir um exame de sangue, para verificar a quantidade de plaquetas, já que a possível destruição desses elementos e dos glóbulos brancos (ou leucócitos) diminui as defesas do organismo. Em certos casos, a mulher grávida pode até passar por uma transfusão, para manter a capacidade de coagulação sangüínea. Já quem estiver amamentando não precisa se preocupar nem suspender o aleitamento. A doença não é transmitida pelo leite, somente através do mosquito.


Muito líquido e repouso absoluto

Não existem vacinas e nem antivirais para combater a dengue. Descansar e tomar bastante líquido, para evitar a desidratação, são as principais recomendações médicas neste caso. Contra a febre e o mal-estar geral, pode-se utilizar, desde que prescritos pelo médico, os antitérmicos e analgésicos à base de ibuprofeno, paracetamol e dipirona; nunca o ácido acetilsalicílico, que interfere no processo de coagulação, podendo causar hemorragias.


Dica
Alguns obstetras (consulte o seu) recomendam a ingestão do Complexo B, que altera o cheiro da pele e ajuda a manter insetos à distância. Substâncias como a citronela e a andiroba, utilizadas em cremes corporais ou em velas aromáticas, também podem afastar os insetos.

E se for hemorrágica?

A forma hemorrágica é a mais severa da doença. Por isso, o doente deve ficar internado, em observação, para identificar eventuais sinais de choque, como as mãos e os pés pálidos ou arroxeados, dificuldade de respiração e pressão baixa, devido à perda de sangue.

Atenção!
Quem sofre de alguma cardiopatia, tem asma, diabetes, anemia, bronquite crônica, enfisema e hipertensão arterial pode ter seu estado de saúde agravado pela dengue e corre risco maior de contrair a forma hemorrágica.



Em casa bem cuidada, dengue não entra

Está provado: em 90% das infestações, o foco do mosquito está dentro de casa mesmo. Para que não aconteça:

 Jogue no lixo, dentro de sacos plásticos, latas, garrafas, tampinhas de garrafas, potes, casca de ovos, embalagens plásticas, copos descartáveis e outros objetos sem uso que possam acumular água.
 Se tiver que guardar pneus, escolha um local seco e coberto, protegidos de chuva.
 Mantenha fechados latões, poços, cisternas, caixas d'água e outros depósitos de água para consumo. Se não tiverem tampa, vede com tela fina.
 Não cultive plantas em jarros com água. Use vasos com terra e coloque areia nos pratinhos que ficam embaixo.
 Evite o cultivo de bromélias, que acumulam muita água.
 Trate as piscinas com bastante cloro e limpe-as uma vez por semana.
 Mantenha calhas limpas e desentupidas, removendo folhas e materiais que possam impedir o escoamento da água.
 Limpe bem o reservatório de água externo da geladeira (fica embaixo), assim como as bandejas de ar condicionado e os suportes de garrafão de água mineral.
 Lagos, cascatas e espelho d'água decorativos devem ser mantidos limpos. Quanto aos aquários, a vantagem é que os peixes se incumbem de comer as larvas dos mosquitos.
 Em muros com cacos de vidro, coloque areia, para não acumularem a água da chuva.
 Verifique se há entupimento em ralos do banheiro, da cozinha, sauna e ducha. Neste caso, conserte imediatamente.Aqueles que forem pouco usados devem ficar tampados.
 Mantenha fechada a tampa do vaso sanitário. Em banheiros pouco usados, não deixe de acionar a descarga mais de uma vez por dia, para movimentar a água.
 Lave, pelo menos duas vezes por semana, com bucha, sabão e água corrente, os potes de água de animais domésticos.
 Durante a passagem do carro-fumacê, abra as janelas e portas das casas e apartamentos, para deixar entrar a fumaça do produto inseticida.



Danielle Mora
Consultoria: Paulo Roberto Lopes, pediatra. Médico da Unidade Materno-Infantil do Hospital dos Servidores/RJ




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