|
No recém-nascido, não dá mesmo para perceber: afinal, ele permanece a maior parte do tempo deitado no berço ou no carrinho. Alguns meses depois, é fácil reparar que suas orelhinhas são afastadas do crânio- de abano- como é conhecida esta anomalia.
Deixe a vaidade de lado, por enquanto, e não pense em submetê-lo ao castigo de ficar, dia e noite, com uma touca ou esparadrapo apertando a cabeça. Isso não resolve, já que a orelha possui estrutura elástica. Dobrada em um sentido, ao se tirar a touca, ela tende a voltar à posição inicial.
Atenção!
Somente nas primeiras semanas de vida, as orelhas são modeláveis e podem ser corrigidas, parcial ou totalmente, com a ajuda do bisturi. Apenas em alguns casos, no entanto, isso é possível. Vale conversar com o cirurgião plástico de sua confiança.
No momento certo
Quer dizer que, se o problema não for resolvido no primeiro mês, a solução é esperar? Mas até quando? E você logo imagina seu filho indo para a escola e se sentindo humilhado diante dos apelidos implacáveis: dumbo, açucareiro, orelhão. O ideal seria evitar seqüelas emocionais, corrigindo o quanto antes. Só que há necessidade de esperar um pouco. Isto é, até que a orelha acabe de se formar, o que acontece por volta dos sete anos. Basta dizer que aos três anos atingiu apenas 85% do seu desenvolvimento.
Até lá, ajuda muito quando os pais não se preocupam em esconder o que os incomoda, sob gorros ou penteados especiais. Quanto mais naturalidade, melhor. Se a criança revelar qualquer ansiedade (sua capacidade de percepção é bastante aguçada), nada substitui uma conversa franca e verdadeira. Não faça mistério mas dê a certeza de que tudo se resolverá bem, no momento certo.
Fuja também de uma atitude perigosa que é a de tentar compensá-la, satisfazendo todas as suas vontades, por mais absurdas que sejam. Mimos e proteção exagerada só contribuirão para que ela se veja como diferente de verdade.
É bom saber
TopBaby - O que causa as orelhas de abano?
Dr. Mauro - A orelha é uma estrutura cartilaginosa. Ao nascer, algumas pessoas apresentam a indefinição de uma destas dobras da cartilagem, o que projeta a orelha para a frente, em formato de concha, afastando-a excessivamente do crânio. Em outros casos, este defeito, é decorrente do próprio aumento da concha da orelha.
TopBaby - É mais comum em meninos ou em meninas, em uma ou nas duas orelhas?
Dr. Mauro - Sabemos que o abano ocorre um pouco mais em meninas e que pode surgir em uma só ou nas duas orelhas, o que é bem mais comum.
TopBaby - A posição do bebê no útero tem alguma influência?
Dr. Mauro - Não foi descoberta ainda a origem das orelhas de abano, mas é possível afirmar que, nem a posição do feto no útero, nem qualquer dificuldade na hora do parto são responsáveis. Trata-se de uma malformação de caráter hereditário, em geral, havendo vários casos na mesma família e todos com características muito semelhantes.
TopBaby - Em que consiste a cirurgia para correção?
Dr. Mauro - Utiliza-se a técnica do enfraquecimento da cartilagem, obtida com um instrumento chamado raspa. Enfraquecida, ela se torna maleável e dobra-se para trás. O desafio para o cirurgião, entretanto, está em tornar as orelhas simétricas, de contornos suaves e regulares. A cirurgia é realizada na parte posterior, o que faz com que a cicatriz fique escondida e praticamente invisível.
TopBaby - Ela é rápida?
Dr. Mauro - É rápida, sem dúvida, e indolor. A criança fica acordada todo o tempo, sob anestesia local, e vai para casa, logo em seguida, com um curativo apenas.
TopBaby - O resultado é definitivo ou o abano pode voltar?
Dr. Mauro - Em 95% dos pacientes, a correção é definitiva. Nos demais, a cartilagem é menos elástica, o que facilita a recidiva. Nada impede, no entanto, que a operação seja refeita.
TopBaby - É indispensável mesmo que se espere até os sete anos para operar?
Dr. Mauro - Recomenda-se que sim. Nesta idade, a orelha já está formada e a criança se mostra bastante motivada a se ver livre do que a perturba. Coincide com o início da fase escolar, justamente quando se torna alvo de comentários e apelidos pejorativos. De qualquer forma, procure conversar com o médico de sua confiança sobre o momento certo de operar seu filho. E, dentro das possibilidades, faça isso o mais rápido possível.
|