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Dentinhos chegando

Gengivas inchadas, vermelhas, muita dor e coceira. A salivação aumenta e o neném começa a babar. O movimento de sugar, durante a amamentação, ou mesmo mais tarde, quando ele já se alimenta usando a colher, torna a região da boca mais sensível e dolorida. Tanto desconforto deixa o bebê irritado, manhoso, sem vontade de comer.

Atenção!
Nessa fase, o bebê tenta morder tudo o que vê pela frente e está sempre esfregando as mãos nas gengivas para aliviar sintomas tão desagradáveis. Ofereça a ele um mordedor de borracha. Guardado no freezer, se conserva gelado, funcionando como verdadeiro anestésico contra a dor.


Um time de 20

Os dentes de leite ou decíduos nascem aos pares, obedecendo, normalmente, a uma determinada ordem. Começam pelos incisivos centrais inferiores, aos cinco, seis meses. Logo depois, chegam os incisivos centrais superiores e, em torno dos oito, nove meses, surgem os incisivos laterais inferiores e superiores.

Os primeiros molares nascem por volta de um ano; os caninos entre 16 e 18 meses e os segundos molares aos dois anos e meio. Até os três anos, a dentição estará completa: dez dentinhos em cada arcada. Os prazos é que podem variar de criança para criança, sendo que algumas terão os primeiros incisivos aos três meses, e outras somente aos 11.

Atenção!
A amamentação, fundamental até os seis meses de vida, fornece os estímulos neurais para o crescimento ósseo das mandíbulas. Além disso, favorece o padrão normal de deglutição e força a criança a respirar pelo nariz, impedindo a má oclusão (arcadas muito pronunciadas).


Limpos e saudáveis

Antes mesmo de os dentinhos nascerem, os pais devem fazer a higiene da boca do neném. Podem usar uma gaze umedecida em água filtrada ou soro fisiológico. Nas farmácias, já existem dedeiras de gaze que facilitam esta tarefa.

Quando surge a dentição, a limpeza passa a ser feita com uma escova própria, privilegiando a região do dente próxima à gengiva – colo de dente –, onde se forma a placa bacteriana, que dá origem à cárie.

Durante o sono, a salivação diminui, criando um ambiente favorável à ação das bactérias. Por isso, a higiene bucal, antes de dormir, não deve ser esquecida. Mesmo para os bebês amamentados no seio.


Antes que o mal aconteça

A dentição temporária é importantíssima na formação da permanente, que se desenvolve próximo às raízes da primeira. Portanto, qualquer infecção nos dentes de leite pode atingir o desenvolvimento dos definitivos.

A perda prematura de um deles também causa o deslocamento dos demais, reduzindo o espaço para nascer o permanente. Imprensado, ele desponta fora do lugar, deixa a arcada defeituosa e, mais tarde, vai exigir o uso de aparelhos corretivos.

Atenção!
Para garantir a saúde bucal, os cuidados começam ainda na gestação. A partir do quarto mês, com o paladar em formação, o feto adquire os hábitos alimentares de sua mãe. Se ela for uma voraz consumidora de doces, ele certamente seguirá o mesmo caminho. Ou seja, mais um forte candidato à cárie.


Sem açúcar, com afeto

A grande vilã é a sacarose, um tipo de açúcar contido nas balas, nos refrigerantes, biscoitos, bolos e doces em geral. Favorece o desenvolvimento das chamadas bactérias cariogênicas, que aderem ao dente, contribuindo para a desmineralização de sua superfície. Daí, a importância de se evitar o consumo excessivo destes alimentos, não adoçar sucos e vitaminas e privilegiar as frutas na sobremesa.

Mas nem só de açúcar vive esta infecção. Classificada como contagiosa, pode ser transmitida pelos pais ou por outras pessoas que lidam com a criança. O simples ato de provar a comida do bebê ou soprá-la já é o suficiente para provocar o contágio.

Um motivo mais que forte, portanto, para a família cuidar da saúde de dentes e gengivas, prevenindo o aparecimento de cáries e doenças específicas. Como? Mantendo a higiene correta e visitando o odontologista de seis em seis meses.

 


Regina Protasio
Consultoria: Dra. Selma Hinds, odontopediatra




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