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Hérnia: a cirurgia nem sempre pode esperar

A hérnia inguinal se caracteriza por uma falha na parede do abdômen, na altura da região das virilhas. Através dela podem passar estruturas da cavidade abdominal como o intestino e o ovário. Na criança, normalmente, tem origem congênita, sendo mais freqüente em meninos e também nos bebês prematuros.


Identifique os sintomas

Não é difícil identificar a hérnia. Com seu menino de pé, sem roupa, e durante a troca de fraldas, observe uma alteração de volume (abaulamento) na virilha, em um ou nos dois lados que, em certos casos, se estende até a bolsa escrotal. Não costuma causar dor, mas deixa os bebês meio chorosos e sujeitos a crises de vômitos.

A situação se agrava quando o intestino entra por essa abertura da parede abdominal e fica preso, caracterizando uma hérnia encarcerada. Ocorre um comprometimento da circulação sangüínea no local e nos testículos, provocando fortes dores e obstrução intestinal. A criança tem que ser operada com urgência. Em casos mais graves, pode ameaçar a vitalidade dos testículos.

Para confirmar o encarceramento, faça o seguinte teste: mande seu filho tossir e verifique se a hérnia aumenta e diminui de volume, conforme o movimento. Se este volume se mantiver inalterado, não perca tempo e avise imediatamente o pediatra.


Sem medo da cirurgia

A hérnia inguinal não regride e, mesmo não estando encarcerada, deve ser removida, o quanto antes. O procedimento demora em torno de três horas entre a chegada ao hospital, a conversa com o anestesista e a cirurgia em si. Se não houver complicações, o bebê vai para casa no mesmo dia.

As crianças mais novas, em geral, apresentam o problema nos dois lados das virilhas. Nas maiores, costuma acontecer apenas em um deles, o que, dependendo do caso e do pediatra, pode levar ao adiamento da operação. Os nenéns prematuros estão mais sujeitos à hérnia, pela própria condição de imaturidade da parede digestiva. Também eles são encaminhados à cirurgia, tão logo deixam o berçário.


Vida normal, dois dias depois

Ao chegar à casa de saúde, o bebê faz um hemograma para pesquisa de anemia e testes de coagulação. Os pais devem informar se ele é alérgico a alguma substância específica e se já houve casos, na família, de acidentes com anestésicos. 

Utiliza-se a anestesia geral, inalável ou injetável, na dose necessária para o tempo da cirurgia. Normalmente, a criança chega ao quarto, já acordada. A operação consiste em vedar a abertura da hérnia; a não ser quando existe encarceramento e é preciso retirar o órgão afetado.

Na sutura, usa-se uma cola biológica substituindo os pontos. Em uma semana ou um pouco mais, ela cai, espontaneamente. Seu filho pode tomar banho no mesmo dia a até andar. E, 48 horas depois do procedimento cirúrgico, volta à vida normal.


Na região do umbigo

A hérnia umbilical normalmente está associada a uma malformação congênita, mas pode também aparecer um pouco mais tarde. Trata-se de uma abertura na musculatura da região do umbigo, que expõe gorduras e o intestino.

Ao contrário do que acontece com a hérnia inguinal, neste caso, os pediatras costumam esperar um pouco até que ela se feche espontaneamente, sem cirurgia. A menos quando há um volume excessivo na região ou riscos de encarceramento. O procedimento cirúrgico é muito simples, mas pode incluir uma plástica, se o médico achar, esteticamente, importante.



Regina Protasio
Consultoria: Dr. Maurício Macedo, cirurgião pediátrico do Hospital Israelita Albert Einstein/SP




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