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Doenças que pintam e coçam

Sintomas parecidos, doenças diferentes. E, também o tratamento e a gravidade. Ao perceber manchas e bolhas no corpo do bebê, acompanhadas ou não de febre, fique atenta, observe e não deixe de comunicar ao pediatra. Dependendo do diagnóstico, pode ser preciso entrar em ação imediatamente.


Aqui, o que é preciso saber sobre estas doenças:



Sarampo

Doença infecciosa grave, de origem viral e fácil contaminação.

De olho nestes sinais – pontilhados vermelhos grandes, levemente elevados, coceira, prostração, febre alta e persistente, catarro e, quase sempre, conjuntivite e fotofobia (hipersensibilidade à luz).

Incubação – cerca de dez dias. É possível antecipar o diagnóstico: aparecem manchinhas arroxeadas na mucosa da bochecha, antes mesmo da erupção cutânea.

Complicações – o excesso de catarro é capaz de comprometer o sistema respiratório, causando bronquite, pneumonia ou otite média. Esta, se não for logo tratada, pode evoluir para uma perda auditiva ou surdez total. Nos casos mais graves, o vírus entra no sistema nervoso, levando a uma encefalite.

Tem vacina
Tomar aos nove meses, com reforço aos 15, faz o risco cair para menos de um por cento.


Varicela ou Catapora

Doença de origem viral. Extremamente contagiosa, é transmitida tanto por via aérea como por contato corporal.

De olho nestes sinais – pequenas bolhas, com líquido dentro, contornadas por um halo avermelhado. Lembram uma pequena queimadura de cigarro e se concentram mais no tronco e no abdômen. Coçam, mas não chegam a sangrar. Entre oito e dez dias, formam crostas e somem. De acordo com o número de lesões, a febre pode ser mais ou menos elevada. Mas desaparece logo que surgem as casquinhas. Nessa fase, também, não há mais perigo de contágio.

Incubação – de 12 a 21 dias, sendo que no começo provoca um leve mal-estar.

Complicações – ao coçar as lesões, a criança pode desenvolver impetigo ou escarlatina. Para evitar, mantenha suas unhas bem cortadas e lave-as com soluções anti-sépticas.

Tem vacina
A partir de um ano.


Atenção!

A catapora, contraída no primeiro trimestre da gravidez, causa malformações congênitas; no final da gestação contagia o próprio feto, fazendo com que ele já nasça portador do vírus.



Rubéola

Doença infecciosa, facilmente transmissível, e de origem viral. Perigosa na gravidez.

De olho nestes sinais – manchas rosadas, menos evidentes que as do sarampo, mas que, em certos casos, tomam conta do corpo em questão de horas. Freqüentemente, surgem gânglios inchados na nuca, no pescoço e atrás das orelhas. Costumam provocar dores em todo o corpo, semelhantes à da gripe. A febre, de modo geral, é baixa, e uma semana depois, a criança já está pronta para retomar suas atividades normais.

Incubação – duas a três semanas.

Complicações – são raras. A não ser durante o primeiro trimestre da gravidez, quando pode causar malformações cardíacas, lesões oculares, surdez, baixo peso, hepatite ou problemas ósseos no feto. Por isso mesmo, todas as mulheres em idade fértil devem ser vacinadas cerca de seis meses antes de engravidarem.

Tem vacina
É a MMR, que age também contra o sarampo e a caxumba. Administrada aos 15 meses, garante 90% de imunização. Reforço aos quatro e aos seis anos.



Impetigo

Lesão na pele provocada por bactérias do grupo estreptococo e estafilococo. A contaminação se dá através do contato corporal. Ao coçar as regiões afetadas, a criança espalha o impetigo por todo o corpo.

De olho nestes sinais – nos bebês, pequenas bolhas, extremamente dolorosas e com líquido purulento; nas crianças maiores, feridas espalhadas pelas pernas. Costumam deixar cicatrizes circulares, de cor escura, difíceis de desaparecer. Dependendo da extensão do quadro, pode haver febre alta.

Incubação – entre dois e cinco dias.

Complicações – se não tratado a tempo e de forma correta, o impetigo pode causar desde uma nefrite, a febre reumática e problemas cardíacos. Em situações extremas, leva à septicemia, com risco de vida.

Não há como prevenir
É necessário manter as unhas da criança curtas e limpas, principalmente durante o tempo de ação da doença. Tratamento à base de antibióticos.



Eritema Infeccioso

Moléstia rara, de caráter epidêmico e origem viral. Atinge principalmente crianças entre dois e 12 anos, e não provoca febre.

De olho nestes sinais – grandes manchas vermelhas no rosto, com desenho semelhante ao de uma asa de borboleta. Depois, mais arredondadas e confluentes, como se fossem redes, descem para os membros e as nádegas. Normalmente não se espalham pelo tórax ou na barriga.

Incubação – de uma a duas semanas.

Não há como prevenir
E nem tratamento específico. Após uma semana, as manchas desaparecem.



Roséola ou Exantema Súbito

Doença extremamente contagiosa, de origem viral, comum entre crianças de seis meses a três anos.

De olho nestes sinais – febre alta e resistente, com duração de três a quatro dias. Depois, a temperatura volta ao normal, mas surgem manchas vermelhas generalizadas, que desaparecem em dois dias.

Incubação – de sete a 17 dias.

Não há como prevenir
Os pediatras recomendam o uso de antitérmicos, pois a rápida elevação da temperatura pode levar à convulsão febril.



Escarlatina

Doença infecciosa, de origem bacteriana, ligada ao estreptococo B. Extremamente contagiosa, é transmitida através do contato direto – pessoa para pessoa – ou indireto – roupas e objetos, pois a bactéria responsável vive muito tempo fora do organismo humano.

De olho nestes sinais – febre de até 41º, calafrios, vômitos, dores fortes de garganta e cabeça. Logo, surge um pontilhado vermelho-amarelado, semelhante a um conjunto de cabeças de alfinete, tornando a pele áspera e de cor escarlate. Apenas as regiões do queixo e palato costumam ser poupadas. A língua fica muito seca e avermelhada, e aparecem pequenas elevações nas papilas. Depois de seis dias, a erupção começa a regredir e a pele descama, como em uma queimadura solar.

Incubação – dois a quatro dias ou, no máximo, uma semana.

Complicações – se não tiver o tratamento adequado, pode evoluir para uma nefrite, causar febre reumática ou problemas cardíacos. Em casos mais graves, leva à septicemia, com risco de vida.

Não há como prevenir
Para combater a escarlatina, os médicos receitam antibióticos à base de penicilina, e antitérmicos, por causa da febre alta.



Regina Protasio
Consultoria: Dr. Paulo Roberto Lopes, pediatra. Médico da Unidade Materno-Infantil do Hospital dos Servidores/RJ




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