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Ele está todo amarelinho!

No segundo ou terceiro dia de vida, o rostinho dele começa a ficar amarelado e a parte branca dos olhos também. Seu bebê está com icterícia, uma doença causada pelo excesso de bilirrubina no sangue. Esta substância, de cor amarela, é produzida pelos glóbulos vermelhos e processada no fígado. Os recém-nascidos, especialmente os prematuros, com o metabolismo ainda em fase de adaptação, têm dificuldade de eliminá-la e ela se acumula no organismo.


Dois tipos

Existem dois tipos de icterícia: a fisiológica e a patológica. No primeiro caso, mais comum, o amarelão não se alastra pelo corpo inteiro e costuma regredir em 10 dias. Já a patológica acontece quando há incompatibilidade sangüínea entre mãe e filho. Por exemplo, ela tem Rh negativo e ele, positivo. Ainda na gravidez, os anticorpos da mulher se misturam ao sangue da criança, através da placenta. Pode acontecer, também, e mais freqüentemente, na hora do parto, provocando uma anemia séria, com destruição dos glóbulos vermelhos e produção acelerada de bilirrubina.


Pode complicar

Em situações extremas, a icterícia pode estar associada a doenças do sangue, ou congênitas, como o hipotireoidismo e, ainda, a infecções no fígado (hepatite). Nas três hipóteses, as taxas de bilirrubina chegam a níveis extremos, que resultam em um amarelado intenso por todo o corpo.

Se estas formas mais graves da doença não forem logo tratadas, há riscos de seqüelas como a surdez, dificuldades na fala, na coordenação motora e danos a vários órgãos, principalmente ao cérebro.


Tratamento: em casa ou no hospital

Ao constatar os sintomas, o médico vai pedir uma dosagem da bilirrubina. E, dependendo do resultado, outros exames mais específicos. Alguns pediatras indicam apenas o banho de sol para combater a doença. Mas a grande maioria opta pelo tratamento no próprio hospital.

Sem roupa e com os olhos protegidos por uma venda, o bebê faz uma seção de fototerapia ou banho de luz. Fica deitado no berço ou mesmo na incubadora, sob um aparelho com lâmpadas azuladas. Esta luz deve alterar a estrutura da bilirrubina para facilitar sua eliminação pelo fígado.

Depois de 48 horas, mesmo constatando que a tonalidade da pele voltou ao normal, repete o teste de dosagem. Tudo bem? Seu filho está liberado. A transfusão ou substituição do sangue só está recomendada quando as taxas se mantêm exageradamente altas, podendo comprometer o sistema nervoso central da criança.



Regina Protasio
Consultoria: Dr. Paulo Roberto Lopes, pediatra. Médico da Unidade Materno-Infantil do Hospital dos Servidores/RJ




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