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Quando operar a garganta

Antigamente, retirar as amígdalas era uma cirurgia de rotina. Hoje, os médicos só recomendam em último caso. Afinal por que eliminar uma arma tão importante na defesa da saúde?


Tropa de choque

As amígdalas funcionam como uma espécie de barreira contra as infecções que entram pelo nariz e pela boca. E como trabalham! Conseguem, por exemplo, evitar uma pneumonia, ao impedirem que a bactéria, já instalada na garganta, alcance o caminho do pulmão. No caso da criança, para auxiliar seu sistema imunológico ainda não totalmente desenvolvido, permanecem em alerta constante.

Ao sofrerem o ataque dos vírus e bactérias, ficam mais avermelhadas e muito doloridas. A inflamação característica de uma amigdalite causa alteração na voz, dificuldade de engolir, febre, além de provocar o aparecimento de gânglios, placas brancas e pontos de pus.


Quando é preciso operar

Dependendo de sua origem – viral ou bacteriana – o pediatra recomenda apenas repouso e antitérmicos ou antibióticos específicos. Hoje, discute-se muito a conveniência da cirurgia que até então era um procedimento corriqueiro. E embora não exista uma idade certa para operar, recomenda-se esperar os dois anos. Com uma importante função protetora do organismo, as amígdalas só devem ser extraídas quando:
 A quantidade de pus é tanta que chega a impedir a ação do antibiótico.
 Durante a infecção, elas aumentam de volume a ponto de bloquear a passagem do ar. Sem conseguir respirar pelo nariz e nem engolir direito, a criança passa a inspirar e expirar pela boca. A dificuldade pode levar à apnéia, um distúrbio do sono que causa falta de ar, engasgo e que, ao acontecer, deve ser logo comunicado ao pediatra.
 Os episódios de amigdalites se repetem com muita freqüência, de seis a sete vezes por ano. E mesmo com o uso de antibióticos, os gânglios linfáticos no pescoço, na região da garganta, continuam aumentados e salientes.
 A criança apresenta um abcesso nas amígdalas, um quadro de amigdalite hemorrágica ou e há suspeita de tumor na região.


Cirurgia: simples e rápida

Se o médico optou pela cirurgia, mantenha a calma e converse com seu filho. Conte sobre a anestesia, a operação, os remédios que ele vai precisar tomar, a semana sem brincadeiras mais agitadas. Não esconda que pode doer um pouco, mas, em compensação, depois haverá sorvete à vontade. Acima de tudo, demonstre confiança e muita tranqüilidade.

Ao mesmo tempo, não deixe de informar ao cirurgião possíveis alergias que a criança tenha apresentado ou se existem casos na família de sensibilidade a anestésicos. Esclareça todas as suas dúvidas, inclusive sobre o jejum de comida e bebida que será preciso fazer antes da operação.

A cirurgia é simples, normalmente com anestesia geral. Na volta ao quarto, quando passar o efeito do anestésico, seu filho pode sentir um pouco de dor no ouvido e na garganta, e uma certa dificuldade para engolir. Incentive-o a tomar bastante líquido – sopas frias, sucos e sorvetes – evitando sabores cítricos, como laranja e limão. E nada de alimentos quentes, pois o calor no local pode causar hemorragia.


Pronta para recomeçar

Talvez ocorra um pequeno sangramento, já que alguns vasinhos tiveram que ser cortados. Não se assuste! Para evitar que piore, explique à criança que ela deve falar o mínimo possível nessa primeira fase pós-operatória. Os coágulos e tecidos em decomposição no interior da boca provocam um pouco de mau hálito. Pode ser resolvido com bochechos utilizando soluções antissépticas. Os médicos recomendam evitar os gargarejos, que prejudicam o processo de cicatrização.

Logo vão aparecer os primeiros sinais de cicatrização: uma crosta esbranquiçada no lugar onde estavam as amígdalas, em seguida uma casquinha, e pronto! Em mais ou menos sete dias, a criança estará liberada para voltar à escola, mas não para as aulas de educação física ou atividades que exijam muita movimentação. A recuperação completa só acontecerá duas ou três semanas depois.



Regina Protasio
Consultoria: Dr. Ricardo Testa, otorrinolaringologista. Professor de Otorrinolaringologia Pediátrica da Escola Paulista de Medicina/SP




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