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Pediatra: disponível noite e dia?

O bebê está com pintinhas por todo o corpo ou tem febre alta. Os pais, claro, entram em crise. Socorro! Quero falar com o pediatra! Algumas situações justificam o telefonema, que pode interromper um jantar ou tirar o médico da cama. Mas será sempre assim, ou muita gente liga no meio da noite, quando bem poderia esperar pelo dia seguinte? Vale ouvir o que eles têm a dizer.


TopBaby – É importante que o pediatra possa ser encontrado dia e noite?
Dr. Paulo – A dedicação deve ser plena. No entanto, nenhum profissional, inclusive o pediatra, está disponível 24 horas por dia. É necessário montar um esquema de apoio, envolvendo um médico substituto.

Dra. Paula – É fundamental que ele seja facilmente encontrado em situações de emergência. Sobretudo para esclarecer as dúvidas mais urgentes. Se não puder atender, de imediato, o médico deverá retornar a ligação, tão rápido quanto possível.


TopBaby – O número do celular deve constar do receituário?
Dr. Paulo – No meu receituário, coloco os telefones dos consultórios e o Bip. Acho que o celular é de uso privativo do médico. E deve ser utilizado em situações especiais, não as de rotina.

Dra. Paula – Além dos números do consultório, acho necessário constar um telefone onde se encontre facilmente o médico: Bip, celular ou, até mesmo, o da residência.


TopBaby – Há muitas ligações aflitas, sem motivos reais?
Dr. Paulo – Cerca de 50% tratam de dúvidas que, acho, deveriam ser anotadas para a próxima consulta de rotina.

Dra. Paula – Na minha experiência, na maioria das vezes, os telefonemas são relevantes. Se há razão, ou não, que justifique ligar para o pediatra de madrugada, é uma decisão que compete aos pais.


TopBaby – Os homens costumam ligar tanto quanto as mulheres?
Dr. Paulo – Apenas 10% das vezes, os telefonemas vêm dos homens. Mas, acredite, pais ansiosos são mais difíceis de lidar do que mães ansiosas.

Dra. Paula – Em geral, esta é uma tarefa das mães. A exceção fica com os pais separados. Se estão com os filhos, sempre ligam e, na maioria dos casos, fazem questão de comparecer às consultas.


TopBaby – Que emergências justificariam procurar o pediatra às três horas da manhã?
Dr. Paulo – Telefonemas de madrugada se justificam em situações específicas, como febre muito alta (acima de 39º), que não cedem com o antitérmico habitual, vômitos incontroláveis, convulsão, dor de ouvido, etc. Quando alguém me liga e não há razão para isso, procuro atender com toda calma e, no dia seguinte, converso sobre a real necessidade de uma ligação de madrugada.

Dra. Paula – Se os pais ligam para o pediatra, de madrugada, é porque alguma coisa está acontecendo com a criança, naquele momento, e eles não sabem como agir. Compreendo a atitude e procuro orientar da melhor forma.


TopBaby – Acordar o médico ou decidir por conta própria se dar ou não remédio?
Dr. Paulo – Na dúvida, melhor ligar para o pediatra. Desde que a situação justifique, é claro. Acima de tudo, deve prevalecer o bom senso.

Dra. Paula – Acho melhor ligar. Iniciativas por conta própria podem adiar o contato com o médico e, conseqüentemente, o tratamento da criança.


TopBaby – Pediatra tem direito a férias? Como se organizar para alguns dias de ausência?
Dr. Paulo – Férias são sagradas para qualquer profissional. Precisamos, isto sim, é ter um colega substituto, de confiança que, aos poucos, vá se tornando conhecido dos pais.

Dra. Paula – O direito não é só a férias, como também a viagens para congressos, por exemplo. Pessoalmente, procuro me ausentar por curtos períodos, coincidindo com os meses de férias escolares, já que a grande maioria dos meus clientes viaja também. Sempre deixo um colega, da minha confiança, para atender as emergências em meu lugar.



Maria Amélia de Oliveira
Consultoria: Dr. Paulo Roberto Lopes, pediatra. Médico da Unidade Materno-Infantil do Hospital dos Servidores/RJ e Dra. Paula Stockler, pediatra. Mestre em Saúde




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