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As dores que ele sente

De um simples tombo a uma doença grave. Em algum momento da vida, todos nós sentimos dor. Com nossos filhos não é diferente, nem um pouco. Fica difícil manter a tranqüilidade quando a criança se contorce, se queixa ou chora por causa de um mal-estar qualquer. Mas, afinal, que outra forma teria para expressar tudo o que sente? Ela não sabe o que está acontecendo, mas percebe que algo não vai bem, que há problemas. E quer se ver livre deles o mais rápido possível. Com a sua ajuda.


Ignorar ou morrer de pena

Ajude, procurando manter o equilíbrio. Como? Não ficando insensível ao pedido de socorro. Epa, menino manhoso! Ele está querendo é colo! Cuidado, você também se engana. Uma forma de chamar a atenção dos pais? Pode ser, porém fiquem atentos para notar se a queixa e o choro aflito não estariam sinalizando realmente que a cabeça dói, a febre está subindo ou há um corte no pé. Seu filho, que ainda não usa as palavras, pode estar lhe dizendo isso a seu modo, com a linguagem que já domina. E, mesmo aquelas crianças que simulam doenças para chamar a atenção dos pais, um dia podem estar doentes de verdade.

O contrário também costuma ser negativo: supervalorizar o sofrimento. O quadro é mais ou menos este: a criança adoece, sente uma dor e a família só falta sufocá-la de preocupações e mimos. Todos oferecem chás e sucos um atrás do outro, colocam o termômetro de quinze em quinze minutos, prometem uma boneca nova, agasalham demais, insistem em repetir a história preferida. Já pensou em como tudo isso deve irritar o doente?


Vou comprar uma boneca

Trazer de volta aquele sorriso gostoso é tudo o que desejamos. Daí os brinquedos que compramos para ver se o doentinho se alegra e esquece o desconforto que sente. Manifestação de carinho? Claro que sim. Mas – cuidado! – caso se torne um hábito, a criança pode relacionar doença com presentes. E algumas chegam a usar o adoecer como forma de ganhar a boneca anunciada na tevê ou o carrinho importado que a mamãe sempre se negou a dar.

Marcinha, cinco anos, descobriu um jeito de não ir para a escola quando estava sem vontade: queixava-se de uma forte dor na barriga. Uma vez, chegou a pintar o corpo com uma caneta hidrocor para fingir que estava com catapora. A doença era a forma de dobrar a vontade dos pais, fazendo valer a sua.


Conversa de gente grande

Como agir nas horas em que a criança tem uma febre altíssima ou sente uma dor forte? Primeiro, é bom lembrar que a medicina dispõe de muitos recursos para amenizar dores, curar infecções e afastar as complicações do período pós-operatório. Confie no pediatra, fique de olho nas doses e nos horários da receita. Dê o remédio no tempo indicado, não suspenda mesmo que desapareçam os sintomas.

Faça a sua parte e não perca a calma. Ele precisa agora ter por perto uma pessoa querida, capaz de lhe dar apoio e transmitir segurança. Se você se desespera, seu filho percebe, e fica mais inseguro, ainda, neste momento difícil. Isto pode aumentar o choro e até mesmo piorar a dor. O que suaviza tudo é pensar que as crianças têm uma incrível capacidade de recuperação. Rapidamente, o doentinho estará bem de novo e fazendo artes pela casa.

 


Sylvia Leal
Consultoria: Dra. Paula Stockler, pediatra. Mestre em Saúde




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