Um tempo para se adaptar
Os recém nascidos dormem a maior parte do tempo: 16 a 17 horas. Mas, desde tão pequenos, eles já expressam o seu jeito de ser. Há os agitadinhos, que dormem cerca de 14 horas, e os tranqüilões, que precisam de 20 horas de sono. Não pense que se trata de uma perda de tempo. A natureza é sábia: estes momentos de repouso contribuem para o amadurecimento do cérebro.
Por que, às vezes, ele desperta?
Porque as fraldas estão molhadas e para pedir o seio, o que costuma ocorrer de três em três ou de quatro em quatro horas. Estes intervalos não são fixos e os horários em que o neném sente fome também variam de um dia para o outro. Nas primeiras semanas ele pode, inclusive, trocar o dia pela noite, conservando os hábitos de sono que tinha no útero, onde é sempre escuro. Calma! Com o tempo, irá aprendendo as diferenças. Trata-se de uma fase de conhecimento e organização, que dura pouco.
Controle a sua ansiedade!
Por maior que seja a vontade de mostrá-lo às visitas, não acorde seu filho. Evite fazer isto também para trocar a fralda, dar o seio ou verificar se tudo está bem. Mantenha sua ansiedade sob controle.

Como ajudá-lo a distinguir o dia da noite?
Um dos sinais que o bebê pode captar é a alternância do claro e escuro. Ao cuidar dele durante a noite, faça-o quase em silêncio, com o mínimo de gestos e sob a luz bem fraquinha de um abajur. Durante o dia, não economize o riso e os estímulos. O quarto não deve ficar com as cortinas fechadas e em completa escuridão. Com estas "pistas" o pequenino certamente vai descobrindo a diferença.
O choro do final da tarde
Seis da tarde. O bebê chora, fica impaciente e agitado. Mamãe acaricia, papai embala e...nada! Este quadro é bastante típico e ocorre a partir do segundo mês de vida. Fique feliz, ele indica que o ritmo dia/noite do sono começa a funcionar melhor.
Posso colocar o berço no nosso quarto?
Nas primeiras semanas é onde ele fica melhor. Pode dormir no berço ou no carrinho. Assim, pertinho dos pais, se sente mais seguro e, é claro, vocês também. Funciona mais do que a babá eletrônica, que apenas amplifica o som do quarto vizinho. E tem outra vantagem: o bebê está sempre perto da mãe, o que facilita a amamentação.
Não faça
Deixar o neném, por alguns dias, na casa dos tios ou avós. Nos dois primeiros meses, esta separação deve ser evitada, a não ser que seja absolutamente indispensável. Entre outras coisas, ele está se acostumando em seu cantinho e organizando sua rotina de sono.
Superalimentá-lo. Ficar com o bebê no peito a toda hora ou por muito tempo para evitar que chore à noite não resolve. O resultado é que ele regurgita muito com o excesso e... perde o sono.
Dar ouvidos a tudo que os outros dizem. Criança deve dormir na sua cama desde que nasce, chorar nunca fez mal a ninguém, é assim que se fica manhoso, etc. Siga o seu coração. Pegue no colo, cante um pouquinho, acaricie, embale-o no berço até que adormeça. Vocês, papai e mamãe, é que sabem entender seu filho.
Dia e noite: entrando no ritmo
Como o bebê se desenvolveu em poucas semanas. Quantas mudanças! Mas a vida da mamãe também apresenta novidades, como a volta ao trabalho. Ambos devem estar se adaptando à nova rotina.
As conquistas do momento
O dia tão sonhado em que ele vai dormir oito ou nove horas à noite está chegando. Mas, ainda falta um pouco para chegar lá. Tenha calma e aproveite as conquistas desta fase: seu filho dorme e acorda mais ou menos no mesmo horário, na maioria das vezes. Seu ritmo de sono já não fica sujeito apenas à fome e vai se ajustando ao ambiente, tranqüilo ou não, da casa. Outro sinal de crescimento: o bebê consegue esperar um pouco, sem choro, até que a mãe se prepare para amamentá-lo.
O dorme-e-acorda de todos eles
Já não se trata do sono quase contínuo das primeiras semanas. Nosso herói ainda dorme bastante: 15 de cada 24 horas. Mas, agora, pode acordar bem ativo por volta das sete da manhã. Depois de se distrair um pouco, cochila de novo. Um novo despertar, vem o banho, a comidinha e lá está ele dormindo a sono solto. Alguns não dispensam ainda um cochilo rápido lá pelo final da tarde, depois do passeio.
Dos três aos seis meses, em geral, acontece assim. Até que, aos poucos, aumenta o tempo de vigília e vai diminuindo o de sono. A partir dos oito ou nove meses, pode desaparecer, também, o hábito de dormir no final da tarde. Por volta de um ano, a maioria dos bebês conserva a rotina de dormir pela manhã e depois do almoço.
E se continua trocando o dia pela noite?
Em geral, a partir dos quatro meses, considera-se que o relógio biológico da criança está em pleno funcionamento. Logo, sabe distinguir o dia da noite, apesar das sonecas diurnas. Se com vocês não acontece assim, é sinal de que algo precisa ser ajustado. Vamos tentar?
Reduza, ao máximo, as atividades da casa. Nada de TV com volume alto, conversas em voz alta, agitação.
Vá apagando as luzes, enquanto leva seu filho para o quarto. Depois que ele dormir, você acende de novo, ajusta o som da TV, etc.
O bebê dorme no seu próprio quarto. Em condições normais, não há razão para manter seu berço no quarto dos pais.
De dia, cortinas abertas, boa luminosidade. À noite, nada de luz forte. Apenas a luz suave de um abajur na hora de atendê-lo.
Crie um ambiente de calma, coloque-o no berço, converse, cante baixinho, toque no corpinho de seu filho com suavidade. O sono chegará logo e...do jeito certo!
Não interrompa bruscamente as mamadas noturnas, mas tente espaçá-las. E tenha a certeza de que o motivo do choro é mesmo a fome, antes de tirá-lo do berço e oferecer o seio.
Um bom sono para toda a família
Estamos a caminho de uma nova e grande! conquista: noites sossegadas, em que papai e mamãe também podem recuperar as energias necessárias para enfrentar o dia seguinte. Nada mais merecido. Crie as condições, incentive o bebê a construir um ritmo próprio de atividade e descanso, a ir se tornando independente. Assim, estará contribuindo para o seu pleno desenvolvimento.
A noite inteira, mas quando?
No final desta fase, por volta dos seis meses, os bebês podem dispensar o alimento noturno, o seio ou as mamadeiras. Muitas outras causas costumam ser responsáveis pela resistência na hora de dormir e pelo choro das madrugadas. Por exemplo, excesso de estímulos à noite quando os pais chegam do trabalho, a entrada na creche, a troca de babá, etc.
Finalmente, ele dorme a noite inteira
Uma energia que transborda, o temperamento se exterioriza. A todo momento, o bebê testa os pais, que precisam deixar claro certos limites. Ele ainda acorda no meio da noite, sim. Mas os motivos agora são mais sutis do que fraldas molhadas ou fome. Os dentinhos surgem trazendo desconforto, o nariz está entupido, chegam os primeiros medos, um desejo de companhia...
Será que estamos habituando mal nossa criança?
Faça o teste:
O bebê é colocado para dormir na sua caminha? Ponto para você. Se só adormece no colo, melhor é mudar este hábito.
O bebê não precisa de muito colo ou cantoria para pegar no sono? Ótimo. Ou só dorme se for embalado no colo, com a mamãe andando de um lado para o outro? Neste caso, é hora de parar.
O bebê suporta bem quando você se afasta por alguns instantes? Se ele começa imediatamente a gritar e perde o sono é sinal de que algo anda errado.
O que acontece a cada mês
6 meses
Uma soneca pela manhã e, às vezes, outra rápida no finalzinho da tarde, depois de muito movimento. Fora, é claro, o descanso sagrado após o almoço. A rotina aos seis meses costuma ser esta. Junte-se a noite inteira e o bebê dorme cerca de 15 horas a cada período de 24.
9 meses a 12 meses
Desaparece o sono do final de tarde, aumenta o tempo da depois do almoço. Parece que mudou pouco, mas isto é de grande importância na aquisição de uma ótima rotina de descanso noturno.
Organizando as sonecas do dia
Se o bebê dorme por longos períodos ou se dorme muitas vezes durante todo o dia certamente isto poderá influir em sua dificuldade de ter sono à noite. Neste caso, ele tende a manter o ritmo dorme-e-acorda também naquelas horas que o sono deveria ser mais contínuo e reparador. Organize melhor o horário de suas sonecas e ofereça os estímulos necessários para que permaneça acordado e ativo no restante do tempo.
O soninho na volta da creche
Sobretudo no início, é comum o bebê chegar cansado no final da tarde, depois da creche, precisando de um bom sono. Deixe que ele durma uma meia hora, no máximo. Desta forma, é claro, só dormirá à noite depois da hora habitual.
Isso, certamente, acontecerá, de vez em quando. Mas caso vire hábito, experimente conversar com o pessoal da creche para ver como está organizada a rotina de atividade/descanso do bebê. Talvez ela possa ser reajustada para não interferir nos horários noturnos.
A difícil idade do Não estou com sono!
Uma criança esperta e independente que fala, caminha por conta própria, desafia a autoridade e tem consciência de seu corpo. Obstinado e voluntarioso, seu filho responde a tudo com um não e percebe que pode impor suas vontades aos pais. E mais: não tolera ser contrariado. Tudo isso, é claro, influi na hora de dormir. Uma das maiores manifestações de rebeldia é, justamente, a recusa de ir para a cama.
A partir dos 18 meses, se intensificam os medos de bruxas, lobos e fantasmas, o que prejudica também a qualidade do sono.
Cama não é castigo
Evite dizer à criança coisas como: Se continuar fazendo bobagens, vai já para a cama. Em lugar desta imagem tão negativa, mostre o quanto dormir é prazeroso e ajuda a ter disposição para as brincadeiras do dia seguinte.
Quanto tempo ele dorme?
Em média, 12 a 13 horas por noite. Até cerca de 18 meses, os cochilos do dia costumam ser durante a manhã e depois do almoço. A partir desta idade e até os 4 ou 5 anos, a maioria conserva somente a rotina da sesta após o almoço.
Não vale interromper a brincadeira
Vamos à cena: seu filho está no meio de uma boa brincadeira. Você avisa que é hora de dormir. Caso ele recuse, categoricamente, o melhor é negociar com energia. Está bem. Mais 15 minutos e é hora de ir para a cama. A partir daí, use de energia.
Vale lembrar, entretanto, que os pais chegam do trabalho, à noite, cheios de saudades e com vontade de brincar. Isto excita as crianças. Brinque com seu filho, mate as saudades, mas estipule um horário para que ele vá dormir.
Para não interromper, bruscamente, a brincadeira com ele, vá diminuindo o ritmo, escolha uma música suave, mostre que a noite chegou, que todos, inclusive você, estão com sono.
Um gostoso ritual
Um clima gostoso, um ambiente calmo e a presença querida dos pais facilitam o adormecer. Um pouquinho de água, uma historinha curta e muito carinho: quem resiste? Apenas evite histórias de lutas e de bruxas, por exemplo, que podem gerar pesadelos.
No início da vida, muitas vezes é necessário este momento de passagem entre a atividade social e uma certa solidão de dormir sozinho.