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Gravidez / Família



Sexo, com muito prazer

Medo de machucar o bebê, um sentimento de plenitude tal, que o companheiro fica em segundo plano diante da mulher e o neném que carrega dentro de si. No extremo oposto, aquelas que experimentam um aumento da libido como nunca em suas vidas. Como se o fato de se sentirem férteis representasse um elo a mais, ligando-as ao parceiro e atiçando o desejo.

E a diversidade não pára por aí. Algumas grávidas oscilam entre querer sexo a toda hora e, em alguns momentos, nem querer ouvir falar no assunto. Há, ainda, as que se sentem bastante sensuais nos primeiros meses e, depois, esfriam quase que por completo.

Se tudo está bem e a gravidez saudável, não há qualquer motivo para o casal se afastar. A não ser nos casos em que a gestação vira um álibi para um afastamento que já vinha acontecendo. E, simplesmente, o casal pára de fazer amor.


Rejeição X Atração

Os homens também demonstram reações contraditórias. Muitos garantem que experimentam uma atração maior pelo corpo da companheira, como se, a gravidez a fizesse desabrochar, de fato, como mulher. Outros, assumem uma atitude contemplativa, como se estivessem diante de um ser sagrado. Outros, ainda, mencionam uma estranha sensação: como se houvesse uma terceira pessoa participando do ato sexual.

Alguns deles ficam tão ansiosos com as novas responsabilidades, o medo diante do parto e os preparativos para a chegada do neném, que e deixam o sexo para segundo plano. Há, também, os que sentem ciúmes do bebê que ainda nem nasceu (em geral porque a mulher fica tão ligada no filho que acaba quase que excluindo o marido de sua vida).


Desconfortos: são normais

A realidade mudou, sim, e cabe aos dois aprender a contornar eventuais desconfortos desta fase. É importante, porém, que a mulher não perca a auto-estima, que continue se sentindo desejada, apesar das mudanças em seu corpo: muitos quilos a mais, seios volumosos, quadris tão largos. E a barriga. Tudo transitório e, por isso mesmo, mais fácil de aceitar e entender.

O primeiro trimestre (por causa dos enjôos e vômitos) e o último (pelo cansaço, peso da barriga, dores nas costas, proximidade do parto) são os mais complicados. Já entre o quarto e o sexto mês, fase de maior estabilidade na gestação, o sexo flui também mais naturalmente.


Melhores posições

Há casais, inclusive, que falam sobre uma intensa atividade sexual nesta época. Um dos segredos é procurar posições mais confortáveis, de acordo com o crescimento da barriga. Deitados de lado ou com a mulher por cima são as mais indicadas, principalmente no final da gravidez, até porque não pressionam o bebê. O último mês requer um certo cuidado: o esforço físico e o orgasmo podem desencadear o trabalho de parto, antes da hora.


Outras formas de amar

Pode ser que a mulher não esteja disposta, todas as vezes que seu companheiro solicitar. E deve respeitar esse sentimento e não ir contra sua vontade. Alternativas? Descobrir, junto com ele, outras formas de satisfazê-lo, também prazerosas para ela. Não há mandamentos, fórmulas, regras fixas. Cada casal encontrará a sua linguagem, uma freqüência e uma maneira própria de viver os encontros de amor.

É bom lembrar que a sexualidade humana é sempre uma experiência sujeita a mutações, sensível aos humores do momento, imprevisível, variável, incerta. E isso vale para todos e não só para os grávidos


Conversar, sempre

Falar, falar e falar, sem dúvida, a melhor solução. Expondo seus medos, desejos e inseguranças, fica mais fácil entender o outro. Naturalmente, a relação sexual na gravidez perde em erotismo, mas ganha em carinho, romantismo, ternura. Como se vocês dois trocassem o transar pelo fazer amor. Nenhum problema. Depois do parto, tudo volta ao que era antes. Muitas vezes, melhor ainda.


O sexo fica proibido nestes casos:

Sangramentos vaginais Na maioria das vezes, não envolvem riscos, mas é bom conversar com seu médico.
Placenta baixa O obstetra pode aconselhar uma abstinência sexual temporária.
Contrações antes da hora Acontece, em geral, no segundo trimestre. Através de um exame, o médico avalia se o colo do útero está dilatado por uma laceração prévia, o que causa uma sensação de peso no períneo, entre outros sintomas. Neste caso, opta por fechá-lo artificialmente (cerclagem), recomendando abstinência em período a ser definido por ele.
Trabalho de parto prematuro Se perceber esta ameaça em torno do sétimo ou do oitavo mês, o obstetra pode pedir exames para certificar-se da ocorrência de contrações. E, neste caso, vai aconselhar a interrupção das relações sexuais até o nascimento do bebê.





Sylvia Leal e Lilian Luz
Consultoria: Dr. Décio Alves, ginecologista e obstetra, e Dra. Cristina Milanez Werner, Mestre em Psicologia Clínica e Especialista em Terapia Familiar Sistêmica




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