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Brigas e discussões. A vida do casal já não lembra, nem de leve, uma comunhão de almas, ideais e... despesas. Um dia, porém, essa rotina é quebrada com a notícia de que há um bebê a caminho. Trazendo a perspectiva de recomeço. Mas nem sempre é tão simples assim.
Quando se fala de sentimentos, é impossível pensar em fórmulas ou receitas. De qualquer jeito, o casal em crise não deve esperar que o nascimento de uma criança represente a solução para seus problemas de relacionamento. Essa expectativa não é justa nem correta, pois cabe exatamente aos pais a tarefa de construir um ambiente amoroso, onde possam gerar e viver com os filhos.
Nenhuma garantia
Provando que a presença dos pequeninos não é a garantia do tão sonhado
foram felizes para sempre, alguns também enfrentam a difícil questão:
separar ou não? E acabam partindo para a solução clássica: "Vamos continuar juntos para poupar nossas crianças."
Os filhos alegram, geram orgulho e expectativas. Contribuem mas não garantem a felicidade de uma união. Estudos comprovam, inclusive, que depois do nascimento do bebê, acontece um grande número de separações. Por que? Pela redistribuição de papéis sociais e afetivos (homem e mulher viram pai e mãe), bem como pela necessidade de novo emprego do tempo que, em boa parte, será absorvido pela criança.
Pensando na felicidade
Para quem decide manter um casamento falido, a questão é pensar se isso servirá realmente para poupar os filhos. Se, tentando livrá-los do impacto de uma separação, os pais não lhes oferecem, em contrapartida, um dia-a-dia sem a presença de amor, afetividade e respeito. Nessas horas, é importante avaliar o que será menos doloroso.
Ainda assim, sem salvar casamentos, a vinda dos filhos costuma evitar separações. Não que a presença deles tenha a função mágica de dissipar as nuvens negras da vida conjugal, geralmente produzidas por desamor e incompreensão.
Mas os parceiros em conflito (especialmente aquele que deverá ficar com a criança) reagem ao medo de roubar dela (e de si mesmos) o padrão de vida a que estão acostumados. Também há os que receiam, uma vez sozinhos, não saber educar o filho. E a maioria, sem querer, acaba escondendo, sob esses pretextos, o medo de ficar sem o afeto do parceiro.
Sofrer mas superar
Um medo muito natural. Toda separação envolve perdas bastante sofridas, inclusive de uma certa referência social. É duro mudar de bairro, sair da escola, deixar de ver diariamente os amigos, o jornaleiro tão conhecido. Resultado? Luto e uma enorme sensação de fracasso... Quem passou por tudo isso, na adolescência, tendo pais
divorciados, pode não querer que os filhos sintam os mesmos dissabores.
A outra face da separação - a dos ganhos, merece ser lembrada. Só é possível conquistar um verdadeiro espaço de afeto, quando nos liberamos para ele. Sozinhos, os-ex-parceiros podem redimensionar a vida e buscar um novo caminho para a felicidade.
Uma vez pais, sempre pais
A boa convivência do casal depende de como cada um procura alcançar os objetivos comuns, de como um dos parceiros troca ou divide com o outro. Também é imprescindível que sua relação conte com ingredientes básicos como amor, sexo e respeito. Quando os pais não se esforçam para manter essas condições, nenhum filho poderá fazer o milagre de vê-los juntos - e bem!
Quem enfrenta problemas conjugais precisa buscar ajuda. Com a orientação de especialistas, como o terapeuta de família, os casais encontrariam melhores condições para enfrentar suas dificuldades.
E aqueles que não se entendem, podem concluir que, mesmo deixando de ser parceiros - mas sempre pais - dispõem de alternativas para oferecer aos filhos um modelo de relação afetiva mais verdadeira e, portanto, mais saudável. |