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O que pouco tempo atrás parecia impossível, agora é real, bem real. Aumentou, e muito, o número de pessoas que recorrem às clínicas de reprodução assistida para escolher o sexo do bebê.
"Geralmente são casais que têm só meninos ou só meninas, ou, ainda, aqueles que fazem questão de que o primogênito seja do sexo masculino, o que é uma grande parte", diz o Dr. Isaac Yadid, especialista em reprodução humana e diretor da clínica Huntington, no Rio.
"Cerca de 5% dos casais fazem um tratamento de fertilização exclusivamente para escolher o sexo do bebê, o que é possível. No entanto, a legislação brasileira proíbe essa prática. Por isso cada vez mais pessoas procuram o tratamento em outros países."
O outro lado da questão
Alguns especialistas são completamente contra essa busca desenfreada pelo bebê ideal. "Daqui a pouco os casais vão querer escolher a cor do cabelo, dos olhos. A escolha do sexo é basicamente uma questão de preconceito. Não há qualquer razão lógica que justifique a realização indiscriminada da técnica. Essas coisas são questionáveis do ponto de vista ético", dispara Dr. Ricardo Baruffi, ginecologista do Centro Reprodução Humana Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto/ SP.
Segundo ele: "O Conselho Federal de Medicina, que norteia as ações dos médicos, diz que as técnicas de fertilização devem ser aplicadas somente em casais com dificuldade para engravidar. A sexagem, no entanto, não seria eticamente permitida. Sou a favor apenas quando há uma indicação médica. Situações em que existem na família doenças diretamente relacionadas ao sexo do bebê, como a hemofilia."
Como é feito
Para quem já vai se submeter a uma inseminação artificial, existe o método de seleção pelo sêmen. O espermatozóide é colhido e centrifugado. O cromossomo X (menina), mais pesado, fica no fundo. O Y (menino), mais leve, fica na superfície. "A partir daí, é só escolher o sexo e inseminar a mãe. A margem de acerto deste procedimento é de 75%", explica a Dra. Cláudia Ribeiro, embriologista da Clínica Huntington.
A outra técnica é para quem vai fazer uma fertilização in vitro. Os óvulos são retirados e fertilizados. No terceiro dia, remove-se uma célula de cada embrião para a biópsia. Com isso, é possível descobrir se é X ou Y. A margem de acerto é de, praticamente, 100%.
Esse procedimento, no entanto, oferece risco de perder o embrião. "É uma probabilidade pequena, mas existe. Quando abrimos o embrião, ele pode não ir adiante", diz o Dr. Isaac. "As técnicas estão mudando e acredito que dentro de um, dois anos, será totalmente segura a realização da técnica de biópsia embrionária pré-implantação", avalia o especialista.
"A maioria dos casais faz a biópsia somente para descobrir possíveis anomalias que o futuro bebê poderá ter, como a Síndrome de Down e a fibrose cística. Com isso, acaba tendo informações sobre o sexo da criança. Algumas dessas anomalias têm relação com o sexo do bebê, como, por exemplo, a hemofilia, que está relacionada ao cromossomo Y. Nesse caso, optamos por não transferir o embrião", conclui o Dr. Isaac.
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