|

Há mais de 30 anos o Dr. Roger Abdelmassih trabalha com reprodução humana assistida. Em 1971, tratava apenas de homens com problemas de infertilidade. Em 1980, passou a cuidar de casais. Hoje, dirige a maior clínica da América Latina especializada nesta área da medicina. Escreveu o livro,
Tudo por um bebê (Editora Globo), realizou o sonho de centenas de pessoas, entre elas, alguns famosos, como Pelé, Gretchen, Luiza Tomé, Carlos Alberto de Nóbrega, Tom Cavalcante e Gugu Liberato. No total, bem mais de 3.500 bebês.
Os casais que procuram o Dr. Roger, claro, estão ansiosos por uma gravidez, mas é só essa a preocupação? "De maneira nenhuma. As mulheres acima de 38 anos, por exemplo, em sua maioria, questionam mais sobre a possibilidade de o bebê nascer com alguma malformação. Mas sempre digo que estes riscos na fertilização
in vitro são iguais ou menores que na concepção normal. Isso porque selecionamos o óvulo e os espermatozóides antes de iniciarmos o tratamento. E, também, temos outras maneiras de verificar a saúde desta criança."
Uma das maneiras a que ele se refere é a biópsia do embrião. "O exame nos permite perceber qualquer alteração cromossômica ou genética, como a Síndrome de Down, antes mesmo de o embrião ser implantado no útero materno. Fazemos a biópsia 72 horas após a união do espermatozóide com o óvulo, quando já temos oito células. Então, selecionamos uma e examinamos o seu núcleo. A ausência desta célula não interfere no desenvolvimento do embrião", assegura Dr. Roger.
E depois, qual o procedimento? "Existem alguns métodos para diagnosticarmos esta célula. Pode ser através do FISH (Fluorescent "In Situ" Hibridization), que é um teste mais simples, porém muito eficaz. Ele detecta malformações cromossômicas, além do sexo do embrião, possibilitando a interferência sobre doenças genéticas ligadas aos cromossomas sexuais, como a hemofilia A e a distrofia muscular, transmitida apenas para crianças do sexo masculino. Os
resultados aparecem em até quatro horas. Um outro método é o PCR (Polymerase Chain Reaction), que consiste em identificar pontos que podem dar origem a doenças como a fibrose cística."
"O exame é indicado em caso de doenças hereditárias ou para mulheres com mais de 38 anos. Algumas, ainda aos 35, fazem questão do teste. É uma opção do casal", completa o Dr. Roger.
Existe um outro exame até mais eficaz: a biópsia do óvulo. "Este é considerado um grande avanço tecnológico. Avaliamos o óvulo antes mesmo de ser fecundado para saber se ele é cromossomicamente perfeito. Poucos centros no mundo fazem este tipo de exame. Mas, o objetivo é que se torne uma rotina dentro de dois anos", calcula o especialista.
As conquistas da medicina não param por aí. "Estamos sempre pesquisando e trabalhando. No momento, estudamos a biópsia do espermatozóide, mas ainda não podemos precisar quando, de fato, começaremos a colocar este procedimento em prática."
"Na verdade, será um outro grande avanço, pois ao unirmos óvulo e espermatozóide sadios teremos embriões de melhor qualidade. Poderemos, numa fertilização, transferir apenas um embrião e não dois ou três como é feito hoje em dia. Assim, vamos eliminando os riscos de gestações múltiplas. Além disso, teremos como determinar o sexo da criança. Há uma grande discussão ética em torno deste assunto, mas, penso: Se um casal tem três meninas e quer tentar um menino, por que não?".
|