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Gravidez / Parto



Sem medo da anestesia

TopBaby – Quais os tipos de anestesia mais comuns para o parto?
Dr. Roberto – Hoje, a mais usada é a anestesia peridural contínua. Também existem a raquianestesia e a anestesia geral – esta, praticamente, fora de uso.


TopBaby – Que cuidados prévios são necessários para tomar a peridural?
Dr. Roberto – Quem vai dar à luz não deve ser portadora de qualquer doença neurológica; não deve estar fazendo uso de aspirina ou anticoagulantes em geral e nem apresentar feridas ou ferimentos nas costas (no local da punção). E precisa, principalmente, colaborar com o médico.


TopBaby – Como colaborar para que tudo corra bem?
Dr. Roberto – Mantendo-se na posição solicitada pelo anestesista – essencial para uma punção mais rápida. A mulher não está, é claro, impedida de falar, perguntar ou comunicar qualquer fato novo como, por exemplo, uma contração uterina.


TopBaby – E a raquianestesia?
Dr. Roberto – Esse tipo é mais utilizado quando a paciente dá entrada na maternidade já em pleno período expulsivo (o neném está quase nascendo). Tem efeito, praticamente, imediato. Neste caso, trata-se mais de uma anestesia do que de uma analgesia.


TopBaby – Qual é a diferença entre uma e outra?
Dr. Roberto – Na analgesia (peridural) a paciente não sente dor, mas registra todas as sensações do parto: sabe quando ocorre a contração uterina, percebe a criança mexer no útero e sua passagem pelo canal de parto. Na anestesia também não há dor, mas todos os sentidos estão abolidos – a futura-mamãe, simplesmente, não percebe o que está acontecendo no canal de parto.


TopBaby – É certo dizer que a anestesia, no parto, é menos arriscada?
Dr. Roberto – A diferença está na concentração do anestésico utilizado e na sua dosagem – inferior à usada em uma anestesia convencional.


TopBaby – Há efeitos colaterais?
Dr. Roberto – Principalmente enjôos. Podem ser causados por queda da pressão arterial ou outros problemas, relacionados com a intolerância a alguns medicamentos. Outro fator é a posição da gestante (de barriga para cima), em que ocorre uma pressão do útero sobre a veia que leva sangue para o coração.

Após o parto podem ocorrer queixas de dores nas costas. Esse fato, na maioria das vezes, ocorre devido ao retorno abrupto da coluna à posição normal. O ponto da dor pode coincidir com o local em que é feita a injeção para o bloqueio anestésico. 


TopBaby – Como aliviar esses problemas depois?
Dr. Roberto – Em caso de enjôos, a própria mulher se sente mais confortável deitada de lado do que de barriga para cima. As dores nas costas podem ser aliviadas com analgésicos e/ou antiinflamatórios, a critério do obstetra.


TopBaby – Em que momento é aplicada a anestesia?
Dr. Roberto – De modo geral, quando o colo do útero chega a um máximo de dilatação, sem grande transtorno para a futura-mamãe.


TopBaby – Quem determina esse tempo?
Dr. Roberto – A gestante, porque a sensação de dor é muito subjetiva. Mas deve haver um intervalo entre o início do trabalho de parto e o de processo de analgesia, para que a mulher possa contrair o abdômen e ajudar na dilatação do colo uterino. A dor da contração, nesse período, é mínima e suportável. Além disso, a analgesia muito precoce dificulta a evolução do trabalho de parto e pode reduzir a participação materna na expulsão do bebê.


TopBaby – Em quantos minutos a anestesia faz efeito?
Dr. Roberto – É rápido. Após a aplicação do anestésico, ocorrem, ainda, de duas a três contrações incômodas, mas de intensidade decrescente. A seguir, não há a dor, apenas a noção de o útero estar se contraindo.


TopBaby – Até quando se prolonga essa ação?
Dr. Roberto – Depende da quantidade de anestésico administrado, que varia segundo o tempo de duração do trabalho de parto.


TopBaby – Há riscos para o feto?
Dr. Roberto – A quantidade e a concentração do anestésico são pequenas. Os riscos dependeriam de uma eventualidade como, por exemplo, a queda da pressão arterial materna – possível até em um parto normal sem analgesia.


TopBaby – E para a mamãe, depois do parto?
Dr. Roberto – Normalmente, nenhum.


TopBaby – A amamentação pode ser influenciada?
Dr. Roberto – Não há qualquer efeito da anestesia sobre a amamentação.



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Zilda Ferreira
Consultoria: Dr. Roberto Ramos, anestesiologista e chefe de equipe técnica do Hospital Central do Iaserj/RJ




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