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Gravidez / Parto



O que seu filho sente na hora de nascer

Tudo está calmo, até que surgem as primeiras contrações, anunciando que a boa vida dentro da barriga da mamãe tem as horas contadas. Estas contrações do útero empurram o feto para baixo. Enquanto ele desliza pelo canal do parto, a compressão do cordão umbilical junto à placenta reduz, cada vez mais, o abastecimento de oxigênio e sangue. Mas ele agüenta firme e mantém os batimentos cardíacos. Fácil não é certamente. Muitas vezes, o bebê mostra o estresse que sofreu, chegando ao mundo com o rostinho inchado, os olhos vermelhos e a cabeça meio ovalada.


Ganhando o mundo

Ainda coberto por uma substância gordurosa (o vérnix) que o protegia no interior do útero, o neném enfrenta a difícil experiência do corte do cordão umbilical, elo que mantinha a total dependência do corpo materno, assegurando seu desenvolvimento.

Fora do útero, terá que usar a própria capacidade para respirar, nutrir-se, desenvolver-se. Para isso, seu organismo irá passar, em poucos segundos, por inúmeras adaptações. A primeira é não respirar mais através da placenta, mas com recursos próprios. A criança chora ao inspirar oxigênio, pela primeira vez: o ar chega aos seus pulmões, ainda cheios de líquido pulmonar e com resíduos do líquido amniótico.


O coração trabalha

Bombear e redistribuir o sangue: isto fica, agora, por conta do recém-nascido. A função exige a presença de hormônios – endorfinas, prostaglandina e corticóides – que o seu organismo deve também liberar.

Outro desafio: criar a própria homeostase (ou equilíbrio térmico) e enfrentar temperaturas diferentes do calor do útero (em torno de 37º), como o frio do ar condicionado na sala de parto. Para isso, o organismo do pequenino queima gordura. Fica explicado porque perde peso nos primeiros dias de vida.

Mais tarefas: deglutir e digerir, pela primeira vez, o leite materno. Quem disse que ele não é capaz de vencer este desafio?


Bem junto da mamãe

Atendido pelo neonatologista, antes de ser preparado para descansar, o recém-chegado ainda será submetido – duas vezes – no 1º min e no 5º min de vida – ao Teste de Apgar, uma avaliação da cor da pele, respiração, freqüência cardíaca, do tônus muscular e dos reflexos. Pode receber notas de zero a dez, que indicarão os próximos passos da equipe médica.

Passando na prova, o bebê começa a deixar para trás o cansaço acumulado na difícil aventura de vir ao mundo. Lindo e saudável, já sem demonstrar cansaço ou estresse, será levado para receber os carinhos da mamãe e do papai. Só alegrias para quem revelou tanta competência.



Zilda Ferreira
Consultoria: Dr. Zan Mustacchi, pediatra. Preceptor de Pediatria e Genética Clínica do Hospital Infantil Darcy Vargas/SP




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