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Na época das nossas avós, a mulher dava à luz em casa mesmo, com a ajuda das sempre solícitas parteiras. Com o passar do tempo, o parto passou a ser feito nos hospitais, com todo o apoio de uma equipe médica.
"Só que, com isso, fomos ficando cada vez mais isoladas nesse momento tão importante", afirma a doula Ana Cristina Duarte. Mas, afinal, qual é a função de uma doula? "São mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto", resume.
Nos Estados Unidos, o resgate desta figura aconteceu há algumas décadas. "Já no Brasil, o movimento existe há cerca de 20 anos, embora somente nos últimos dois ou três a figura da doula tenha começado a se popularizar e tornar-se acessível a um número maior de grávidas."
Segundo Ana Cristina, "um dos principais papéis da doula é mostrar, a cada mulher, que ela pode dar à luz com suas próprias forças, que seu corpo é capaz e completo. Ela não precisa de nós para isso. No entanto, com as atuais taxas de cesáreas chegando a 90% em muitos hospitais privados, vemos a nossa presença como um caminho para a desmedicalização do parto e do nascimento. A doula é uma agente, um talismã, um espelho para que a grávida lembre, o tempo todo, de que ela pode colocar seu bebê no mundo sem a ajuda de um bisturi, em pelo menos 90% dos casos."
Tudo começa ainda na gravidez
A função da acompanhante, na verdade, começa ainda na gestação, conversando com o casal sobre tipos e trabalho de parto, os sinais que o antecedem, orientando em relação às consultas pré-natal até chegar ao momento do parto. "Aí, funcionamos como um amortecedor entre a instituição, com seus protocolos, e a parturiente. Além disso, usamos técnicas de relaxamento, massagem e respiração, entre outras."
Com a presença da doula, o obstetra só é solicitado quando a dilatação já está adiantada. Nesse meio tempo, a parturiente é examinada de tempos em tempos pela equipe de plantão da maternidade. O papai está lá, acompanha tudo, sendo "incentivado a participar, ativamente, oferecendo conforto físico e psicológico à companheira. A doula explica, passo-a-passo, o que acontece durante todo o trabalho de parto. E sabendo que sua companheira está bem, ele também pode confortar a mulher e se entregar às emoções da chegada do filho."
Uma ajuda e tanto
"O médico está ocupado com os aspectos técnicos do parto. As enfermeiras obstetras passam de leito em leito, atendendo cada parturiente. As auxiliares de enfermeira trabalham para que nada falte ao médico e à enfermeira obstetra. O pediatra se ocupa do bebê. Apesar de toda a especialização, ficou uma lacuna: quem cuida, especificamente, do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula ou acompanhante do parto."
Depois do nascimento do bebê, o trabalho continua. "Ajudamos no período de ajustamento, na elaboração da experiência do parto e na amamentação, onde, aliás, surgem mais dúvidas e inseguranças. Vivemos em uma sociedade que ainda não acredita, totalmente, nos benefícios da amamentação exclusiva até os seis meses de idade. Como o parto normal: todo mundo sabe que é melhor, mas sempre surgem as barreiras aparentemente intransponíveis."
Falando nisso...
"As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode diminuir em 50% as taxas de cesárea, em 20% a duração do trabalho de parto e em 60% a necessidade de anestesia. Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados."
Ana Cristina deixa claro: "a doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões."
"Nós, doulas, e a gestante formamos um vínculo para o resto da vida. Não há outra profissão, a não ser a de parteira, que ofereça tanta intimidade. Criamos redes que incluem as doulas, as grávidas, os médicos que nos apóiam, as parteiras, de modo que nunca estamos desamparadas. Isso me dá um imenso prazer!"
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www.doulas.com.br
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