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Gravidez / Saúde



Filhos depois do câncer de mama?

Quando deixa seu processo habitual e ordenado de reprodução, a célula humana se multiplica, provocando grandes alterações orgânicas. Entre elas, estão os tumores: benignos ou malignos. Nestes últimos, o crescimento anormal das células dá origem ao câncer, doença de causas tão variadas como os quase 200 tipos que apresenta.


O primeiro nas estatísticas

O câncer de mama é a neoplasia (ou tumor maligno) que mais atinge a mulher em nosso país. Sua origem ainda não é suficientemente conhecida, mas os pesquisadores relacionam, principalmente, aos seguintes fatores:

menstruação precoce
ausência de gravidez ou gravidez tardia
não amamentar
menopausa tardia
altas doses de radiação
alimentação rica em gorduras saturadas
obesidade
estresse
uso regular de bebida alcoólica

Atenção!
O fator hereditário é responsável por apenas 10%, determinando um alto risco se houve casos em sua família com avós, mãe ou irmãs, antes da menopausa. Não está comprovado cientificamente, mas há indícios de que o uso de pílulas anticoncepcionais na adolescência e a terapia de reposição hormonal também aumenta as estatísticas.



O corpo dá o sinal

Fique atenta se perceber um caroço, regiões endurecidas, deformação ou alteração no contorno das mamas, retração ou desvio do bico dos seios; ferimento em torno do mamilo ou da auréola, saliência ou reentrância (afundamento ou depressão) da pele da mama, secreção cor de sangue, de borra de café ou cristalina e caroço duro nas axilas.

Exames: obrigatórios

O auto-exame deve ser feito, todos os meses, entre o 7º e o 10º dia, a partir do início da menstruação. "Mas, ele não exclui a consulta regular ao ginecologista", alerta o Dr. Ricardo Chagas, mastologista. A mamografia é o exame mais eficaz no diagnóstico, mas apenas para mulheres acima dos 40 anos."As mais jovens têm as mamas ainda muito densas, causando um maior número de casos falso-negativos. Para elas, indicamos o auto-exame e a visita ao ginecologista uma vez ao ano."


Liberada para engravidar?

Os médicos não recomendam uma gestação depois da doença. Segundo o Dr. Ricardo: "O câncer da mama costuma ser hormônio-dependente, ou seja, tende a crescer com o estímulo hormonal. Na gravidez, há o risco de se estimular células tumorais residuais ou latentes".

Quando a mulher quiser realmente ter um filho, deverá esperar passar de um a dois anos do tratamento, e submeter-se a uma cuidadosa avaliação. Mas não será fácil engravidar: com a quimioterapia, pode haver interrupção temporária ou permanente da ovulação.

"Quem conseguir engravidar, vai amamentar normalmente, respeitando, claro, esse espaço de um a dois anos após o tratamento. A não ser, claro, nos casos em que a mama foi retirada totalmente (mastectomia total), mesmo tendo colocado uma prótese. Neste seio, vão faltar as vias essenciais para a produção e o fluxo do leite."

Atenção!
Quando a gestação não é mais possível pelo processo natural, ainda existem as alternativas de indução da ovulação e o armazenamento de óvulos em bancos de centros de fertilização assistida.





Lilian Luz
Consultoria: Dr. Ricardo Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia/RJ




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